Sejamos sinceros, por favor: a felicidade do outro incomoda. Se você analisar friamente, vai perceber que isso acontece de forma natural, mas é a nossa reação a isso que faz com que criemos um mecanismo de contra-ataque a essa inveja. Não estou dizendo que somos no mais absurdo nível do sentimento, mas que como seres humanos é da nossa natureza sentir tudo. Inclusive coisas ruins.

A felicidade alheia incomoda porque, certas vezes, te encontra trabalhando igual um louco para conseguir um resultado que não vem. Ou ainda não chegou. O problema é notar que alguém conquistou algo que 1) talvez você quisesse, 2) com menos esforço ou 3) se contentando com menos do que você aceitaria para si. Claro que as variáveis são mais numerosas que essas, mas eu quero que você pare de olhar para si como um monstro a cada vez que sente a inveja bater à porta, que sente aquele ciúme, a dor de cotovelo.

É extremamente normal, como é fácil ter raiva de alguém que comemora o gol do adversário no seu time – o que não quer dizer que você vai brigar com ele por causa disso. A vida é muito curta para você ficar se negando os sentimentos ou não admitir que os sente. É a partir da sua resposta que ele que, então, suas atitudes serão pautadas. Você não vai desejar que a felicidade que não te diz respeito acabe.

Ser mesquinho está além do simples fato de se sentir incomodado.

Vou repetir palavras aqui? Sim, porque quero colocar diante de você a perspectiva de ser gente. Ser humano. Sentir. Lidar com o que brota no peito. Ninguém está livre do mal, mas é conhecendo-o e aprendendo a transformá-lo em algo bom no peito que seguimos.

Existem dois potes cheios de sentimentos em nós. Um bom e outro ruim. Quando você notar que existe algo dentro do ruim, tome-o, analise-o e faça dele algo bom. Nós estamos aqui para aprendermos eternamente, isso é um fato, não para sermos reféns de pensamentos perfeccionistas sobre pessoas irreais.

Somos de carne, osso e erros.
Somos meros mortais aprendendo dia após o outro a viver melhor.

[ Gustavo Lacombe ]

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