Eu sei que é só pra foder meu juízo. Você espera o primeiro sorriso, a primeira foto, o primeiro indício de que eu já segui, e aparece. Aparece com o mesmo sorriso no rosto que me fez apaixonar, o mesmo carinho que me fez encantar e a mesma pergunta babaca que todos os caras fazem quando veem que estão por um triz de serem mandados à merda: você sumiu, né!? Sumi. Sumi pra ver se me refazia das porradas que você mesmo me deu. Sumi pra ver se conseguia pôr ordem no meu bagunçado coração. Sumi pra ver se acalmava o meu espírito que mal podia ouvir teu nome – ainda que não fosse em relação a você. Então, você volta. Como se a casa fosse sua, como se as suas coisas estivessem no lugar, como se você tivesse apenas ido dar uma volta e agora batesse à porta com uma flor nas mãos e o almoço de domingo. É de foder o juízo de qualquer um. Logo agora que eu já me recuperava, sorria sem medo de fazer mal a mim mesmo, saía do casulo que construí esperando a invernada passar e eu poder bater asas por aí de novo. Tomo esse susto quando menos esperava, quando tinha exata noção de que você não poderia mais mexer comigo. E hoje tenho a certeza de que só essa mensagem é capaz de me abalar. Não sei ainda de que forma respondo. Deixei de ser (tão) trouxa. Ensaiei até um monólogo pra jogar na sua cara as verdades que deixei por dizer. É só você cooperar e não abrir o bico que tudo fica direito. É só você não me olhar daquele jeito. É só você não sorrir. É só você me lembrar que uma vez babaca, sempre babaca. Eu sei que é só pra foder meu juízo.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, pode ser encontrado aqui: http://bit.ly/AmorParaRaros

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