Não se pode mudar um erro do passado com um acerto no presente ou uma promessa no futuro. O que passou é, naturalmente, imutável. Mesmo assim, vemos muita gente justificando acertos no hoje como um conserto para o que fez de errado no ontem. Parem de pensar assim. Quando se quer recomeçar, a estrada volta ao ponto de partida. Quando se pretende ter uma nova chance, a novidade são os erros zerados e os acertos também.

Como você vai consertar algo que não foi quebrado?

É claro que essa perspectiva não serve apenas para relacionamentos. Se você saiu de um emprego e vai começar em outro, não adianta carregar seu histórico contigo e se forçar a ser melhor. A mudança tem que ser plena, encarando o que ficou de ruim sempre, mas entendendo o verdadeiro significado de “recomeço”. Se fosse para consertar algo você ainda estaria no mesmo lugar.

Nesse sentido, canso de ver novos namoros surgindo e as pessoas dizendo “vou ser diferente pra você”. É claro que a frase carrega algo de bom, mas traz a pesada carga negativa do passado. Algo que deveria ser esquecido ou, no máximo, usado para aprendizagem. Colocar essa pressão num relacionamento novo por conta das besteiras feitas no antigo é levar adiante tudo que foi ruim e que ainda precisa ser remendado.

Não. Você não precisa se provar nada.

Precisa, sim, se libertar do fardo da consciência pesada. Se o erro aconteceu e o que se tinha acabou, o próprio fim já castigo bastante. Levar a culpa pelo término de algo que era leve, gostoso e feliz é difícil, mas entrar numa nova história ainda de mãos dadas a esse trauma é pior ainda. É preciso olhar com carinho pra dentro de si e enxergar o real significado do “novo”. Recomeçar de vez, não consertar essa vez.

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