Eu decidi te pedir em namoro quando eu senti mais medo de te perder pra outro do que a vontade de conhecer uma nova pessoa. Quando todo perfume que cruzava comigo pela rua me fazia lembrar do teu por mais diferente que fosse, só porque era o seu o que eu queria sentir. Quando todas as músicas começaram a parecer querer descrever cenas, momentos e lances de nós dois em detalhes, refrães e afins. Quando eu passei a sentir um certo cansaço em explicar que estávamos apenas nos conhecendo e me peguei sorrindo com a ideia de ter ao meu lado como par. Quando já não conseguia associar mais coisas básicas a um programa solitário e, então, praia, cinema, parque e açaí só seriam completos com você. Quando eu passei a achar que seu nome tinha alguns sinônimos como “carinho”, “sorriso” e “sonho”. Quando uma pontinha de ciúme – algo que eu quase nunca sinto – me beliscou num domingo qualquer em que decidimos falar sobre coisas do passado e eu já queria colecionar histórias contigo. Quando passei a fazer mais meio saco de pão de queijo porque sabia que você iria lá pra casa assistir série comigo e adorava comê-los concentrada na televisão. Quando minha mãe começou a perguntar pela “norinha” dela. Quando eu passei a imaginar que toda foto de casal de mãos dadas na internet poderia ser a gente. Quando meu irmão me disse “game over”. Quando você me olhou bem fundo e a única coisa que eu soube dizer foi “eu preciso de você”. Quando você respondeu “e eu preciso de você mais ainda”. E o mais engraçado disso tudo é que quando eu decidi te pedir em namoro foi no exato instante em que eu mais tive o maior receio de não conseguir te fazer feliz porque sabia que ser feliz era o mínimo que você merecia. Mesmo assim, morrendo de medo e quase não acreditando que depois de tanto tempo estava prestes a me jogar de novo, fiz o pedido.

Sim, enfim.

[ Gustavo Lacombe ]

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