É difícil se olhar no espelho e reconhecer um erro. Ou, pior, admitir que o defeito já é companheiro de longa data e praticamente nada pode ser feito para mudar no curto prazo. Nessas horas, diante do obstáculo do que já está feito e parece imutável, parece fácil perder a calma e o controle da situação como um todo. Relaxa, eu diria. Respira, aconselharia. Mude, eu tentaria.

Claro que, num primeiro momento, qualquer mudança pode parecer forçada. Quando a gente já está acostumado a ser de um jeito, trocar o estilo é uma tarefa extremamente dolorosa. Desconstruir uma Vida inteira de vícios, manias, hábitos e caráter não é dos exercícios mais prazerosos. Acompanhados de alguma decepção, então, tornam-se verdadeiros espinhos cravando fundo a carne e nos mostrando que fomos tolos por muito tempo.

Até enxergar que poderíamos ser diferentes.

Talvez o que falte seja alguém sincero o bastante para apontar sem querer ferir e que nos ame ao ponto de garantir a segunda chance. Às vezes, somos egoístas e não percebemos, somos invejosos e não percebemos, somos infantis e não percebemos, somos soberbos e não percebemos. Poderia encher uma lista inteira com itens que nos fogem os olhos e sensibilidade, mas que marcam profundamente quem precisava/se cercava/convivia/desejava/esperava de nós.

Você pode até usar o argumento de que “as pessoas precisam gostar de mim como eu sou”. Claro que pode. Só que esse é um jeito idiota de justificar seus atos e não ter a humildade de voltar atrás em certas ocasiões e, inclusive, mudar quando for preciso – longe de ser forçadamente, mas necessariamente. Insistir num traço ruim e continuar afastando repetidamente mais e mais pessoas de si é ignorar o fato de que nossos atos podem machucar os outros.

Ou você pode abraçar a Vida solitária se quiser.

Espero que possamos continuar melhorando. Espero que possamos continuar buscando nossas melhores versões para que o Mundo seja um lugar melhor – ainda que por vezes as razões para acreditar nisso se tornem escassas. Pedir desculpas sinceras e ousar tentar mudar não é motivo de vergonha, mas, sim, um ato de bravura diante da intolerância de muitos em querer refletir sobre a consequência de seus passos.

[ Gustavo Lacombe ]

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