Não se preocupe se eu estou bem. Estou. Otimamente bem, pra falar a verdade. Depois de você, outras pessoas me amaram mais e melhor. Tipo aquela música do Chico. E não te falo isso pra que você se ressinta ou imagine o que outros corpos andam fazendo com o meu ou vice-versa, mas é só pra responder à altura a tua pergunta. Pergunta essa que vem com um sorriso debochado de quem sabe que eu ando sabendo das merdas que você anda aprontando por aí.

Parabéns, então.

Me disseram da vez que viram teu carro saindo do motel com alguém que você dizia não ter nada. Quem viu? Não conto. Eu sei. E também fiquei sabendo que você arrotou por aí numa mesa de bar que não se importava que eu ficasse sabendo das suas libertinagens. E chegou aos meus ouvidos tanta coisa podre e pobre que, seriamente, senti até pena de nós dois. Pena porque, até um certo ponto, eu teria engolido meu orgulho e voltado. Pedido, não.

Só que aí os dias foram se acumulando, pessoas novas chegando e as permissões me sendo feitas. Ousei olhar outro corpo, beijar outra boca, dormir em outra cama e começar a praticar um dos esportes que mais gosto: gastar meu prazer. E toda aquela libido reprimida e raivosa que ficou encruada em mim foi escapulindo em arranhões, em festas, em momentos piores do que os que me contavam que você aprontava por aí.

Dois solteiros aproveitando a Vida, não?

Acho engraçado você aparecer agora. Agora que eu encontrei uma pessoa conhecida tua, que me viu na rua com outro alguém do lado, e que não hesitou em correr pra te passar a ficha completa de todo ocorrido. E, se quiser saber, naquela noite eu também vivi tudo que eu poderia viver. Não faz essa cara de assustado porque nós dois sabemos que você tem aproveitado também.

Estou muito bem. E a principal mudança ocorrida em mim foi ter parado de me importar com o que você pudesse ficar sabendo. Quando teu respeito já não me considerava mais nada, liguei meu “tô nem aí” também. Tenho sido muito feliz desde então. Me importo comigo e com quem se importa comigo. Com quem me desconsidera, não.

Nem termina a próxima frase.
Guarda essa “saudade” pra outro alguém.

[ Gustavo Lacombe ]

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