Posso continuar te olhando? Tá tão bom. A visão é gostosa, seu sorriso é lindo e existe uma energia que eu não sei de onde vem, mas que emana uma coisa boa. Algo de querer chegar junto, sentir o toque, arrepiar a pele e ser feliz. Deve ser isso. Você tem cara de ser alguém feliz. Alguém que vale a pena ter por perto, de querer estar perto. Mas eu posso ficar ali só te olhando. Ou posso chegar mais perto? É como se aproximar demais de uma miragem.

Pra onde vai meu medo de você desaparecer?

Posso continuar aqui conversando? Desculpa o mal jeito e a timidez, mas é como eu fico perto de quem me ganha com esse barulho bom de sorriso sem culpa, sem pressa, sem amarras. E eu vou me interessando cada momento mais por você, pela tua história e por esse teu dom de hipnotizar atenções alheias no meio de tantos estímulos aos olhos. Se você reparar bem, tem gente achando que sou sortudo só de ficar aqui do teu lado.

Então, eu posso dizer algumas coisas que passaram voando aqui pela minha cabeça? Eu não sou desses de acreditar em Destino, mas você tem noção de que somos culpados por estarmos aqui hoje? Nós demos todos os passos necessários para que o encontro acontecesse. Não existe isso de “eu ia pra outro lugar hoje e acabei aqui”. Era aqui que deveríamos estar. E o que a gente faz com esse encontro, claro, é problema nosso, mas já é alguma coisa estarmos aqui.

Posso chegar mais perto ainda? Teu cheiro é muito bom. Tua voz tem um tom agradável, daquelas que você poderia deixar lendo um livro, contando uma história ou dando as notícias no rádio sem se cansar. Aliás, eu não me canso de te olhar. Não me canso de reparar nos teus olhos castanhos e na tua tatuagem que se mostra nas costas pela abertura da blusa.

Sexy. Desculpa, pensei besteira.

Posso continuar tentando arrancar sorrisos seus? Posso tentar ser a melhor companhia que você já teve em tempos? Posso sentir seu cheiro de novo? Eu sei que são muitas permissões em pouco tempo e a pergunta que no fundo eu queria fazer ainda não criou coragem para aparecer. Só que é inevitável. Se você já me leva em tantos sentidos, falta pouco pra me levar inteiro.

– Posso beijar você?
– Pode.

[ Gustavo Lacombe ]

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