Os Pequenos Riscos do Amor


Quando a gente gosta de alguém- ou começa a achar que está mais encantado do que deveria, fica sempre aquela vontade latejante nos olhos de estar com a pessoa de novo. A distância dos encontros incomoda o suficiente para que a gente passe a ser um pouco mais negligente com a nossa própria segurança. Não importa se a faixa de pedestres está logo ali, é preciso atravessar a rua e ganhar tempo. O botão de fechar portas do elevador é pressionado insistentemente sem a preocupação de quebra. E, se for preciso fazer duas, três ou até quatro coisas ao mesmo tempo só para otimizar o dia, tudo bem. O que está em jogo aqui são as mãos encontrando seu pouso favorito e o corpo estacionando no abraço que mais parece um endredon – ou uma fogueira, dependendo do ponto de vista. E nessa balada por encurtar viagens e diminuir o desperdício das horas, a gente se pega até mesmo atravessando via expressa sem passarela, mas certamente nadaria oceanos se fosse preciso. A gente corre esses pequenos riscos só para poder exagerar em sorrisos e brincadeiras. Errado?, sim, mas sei que não há como pôr freios na cabeça e nos impulsos de alguém que descobre ou que sabe da importância de alguém. Se cada minuto economizado puder ser vivido ao lado de quem se gosta, todo perigo parece valer à pena. E, mais engraçado ainda, é ficar falando de riscos e perigos para essas pessoas que já estão correndo o maior deles: se entregar.

( Gustavo Lacombe )

Para me levar pra casa e comprar meus livros: bit.do/Lacombe

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