Peraí, eu acho que não entendi direito. Você ama alguém que diz amar outra pessoa que diz amá-la também e que não tem noção alguma do que acontece, sendo que ele tem noção exata da merda que faz e você sabe o tamanho da encrenca em que se meteu. É por aí? Ou eu perdi algum detalhe?
 
Se você me disser que ela sabe desse rolo todo, vou brincar dizendo que é pra chamá-la pra um ménage, mas eu ainda tô me decidindo se fico chocado com a situação toda ou se dou na sua cara pra você tomar um pouco de juízo. Em ambos os casos eu apenas espero que você entenda a sinuca de bico em que está seu coração.

Você ainda tem um, certo?

Pode ser que eu esteja sendo um pouco duro contigo, eu sei. É que eu não consigo entender algumas coisas nessa história. Você se submete a ser a outra, me diz que isso já acontece há algum tempo, diz que ele teve outras namoradas durante esse período e ainda acredita que ele pode gostar de você. Não, ele não gosta.

Detesto ter que ser o cara que coloca os pés de alguém no chão, que corta os balõezinhos de felicidade ou dá esse choque de realidade, mas alguém que ser o filha da puta da parada. Alguém precisa fazer o trabalho sujo, entende? E eu prefiro tentar te fazer sacar isso tudo antes que a merda fique maior. Antes que alguém se machuque feio nessa história. Antes que você comece a criar esperanças de não ser mais a outra.

Você não tem, né? Só faltava essa.

Até porque, parece que está bem certo que você será a eterna “outra”. Ele não gosta de você, ele gosta da sua disponibilidade em atendê-lo quando ele precisa. Tá, ele pode gostar de você sim, mas nunca será o suficiente para te promover – se é que a gente pode falar assim. Eu mandaria você pular fora, só que você fala até que “ama”.

E quando se coloca o coração no meio, pode jogar fora qualquer conselho.
Qualquer tentativa de ajuda é inútil.

[ Gustavo Lacombe ]

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