Ela reclama de alguma coisa – pra variar – e eu sorrio. Fico bobo olhando aquela cara nervosinha e ela me xinga. Isso eu ouço. Rio um pouco mais. E ela detesta quando está falando algo sério e fico assim. Digo que passo um tempo admirando a boca dela. Delícia de boca.

Sou apaixonado pelos detalhes.

Tipo quando ela fica vermelha na parte do colo ao colocar uma blusa de alcinha e pegar um pouco de sol. Ou, então, quando ela está em casa e senta de pernas cruzadas na cadeira enquanto come algo e me repreende dizendo que segurar o garfo na mão esquerda é que é o certo. Ou, ainda, quando fica fugindo da água quando a gente toma banho juntos e diz que só vai lavar a cabeça no dia seguinte. É isso.

Quer dizer, tem muito mais, eu sei, mas já dá pra ter uma noção. São essas coisinhas miúdas que compõe esse ser tão complexo que me encantam. Se você me perguntar se eu faço tudo certo com ela, vou ser obrigado a dizer que erro sim. Perfeição nunca foi o meu forte. Eu juro que tento.

Observo onde ela me chama atenção, onde falho e procuro não errar nas mesmas coisas – cometo apenas erros novos. Ela pergunta se nunca vou aprender a decifrar alguns sinais que me dá. E eu confesso que sou um mal aluno em alguns quesitos. Digo “certas coisas nunca conseguirei aprender. Pendurar a toalha depois do banho e deixar te amar, por exemplo”.

E ela sorri.

Não o sorriso que ela usa para as notícias boas, para uma surpresa ou quando encontra algum conhecido na rua. Ela tem vários tipo de sorriso, aliás. Mas usa, sim, um sorriso que ela guarda só pra me dar. Ela tem mania de acender estrelas quando sorri.

E, em mim, acende uma constelação inteira.

[ Gustavo Lacombe ]

 

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