Eu gosto daquelas amizades em que as pessoas brigam, mas não se desgrudam. Daquelas em que algumas verdades são jogadas na cara, mas as desculpas também são tão sinceras quanto. Aquelas que todos ao redor se perguntam como que os envolvidos conseguirão ficar longe um do outro no caso de alguma separação, ou daquelas em que essas mesmas pessoas dizem “só vocês podem se aturar”.

Claro que, como qualquer outra, esse laço também pode sofrer com as imprevisibilidades do Tempo e da Vida. Não é sempre que conseguimos manter por perto aqueles que nos enchem o peito de alegria. E, com a distância física e o atropelar da rotina, nos pegamos pensando em quem não deveria ter saído nunca de perto, mas que infelizmente a estrada separou. O reencontro, quando presente, mostra que o elo ainda é forte.

Passam-se os anos, não se passa a amizade.

Acredito, sim, que devemos lutar o quanto podemos para sermos vistos e necessários àqueles que gostamos e queremos cuidar. Entretanto, sendo as urgências do agora mais fortes, que consigamos sempre manter um lugar especial para quem faz nosso coração vibrar. Uma amizade, eu sei, é dos amores mais bonitos que existem. Da recíproca ao ombro sempre pronto, todo o sentimento está ali.

E ainda que a sinceridade de um dos lados venha a machucar, sabe-se que é apenas um jeito de dizer “eu sei que você melhorar”. A amizade não tem dedos. Não tem inveja. Não tem pudor. Não tem hora. Não tem vaidade. Tem carinho, ainda que permeado por eventuais porradas. Tem cumplicidade, mesmo trazendo à reboque todas as verdades.

Tem Amor, definição mais que perfeita. Precisa.

[ Gustavo Lacombe ]

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