Sempre imaginei que quando passasse por algo assim eu fosse gastar uma tarde inteira na pedra aqui da praia, olhando o mar e refletindo sobre as minhas próprias escolhas. Deixaria que o barulho das ondas remexesse tudo dentro de mim e lavasse o que restou de um Amor fracassado. Sempre pensei nisso como uma cena de novela, revivendo alguns segundos e quase que rascunhando o roteiro.

Só não imaginava que seria contigo.

Quando a gente se decepciona, primeiro não quer acreditar. Depois, esfrega os olhos tentando enxergar onde aconteceu o erro. E, por fim, percebe que não existe erro algum. Quem ama confia – e isso nunca será errado. Tenta decifrar os sinais que foram deixados pelo caminho e passa a interpretar tudo como “já estava na cara, só eu trouxa que não vi”.

Eu não tenho ideia de quanto tempo demora pra fichar cair, mas tenho a noção de que esse é um processo lento e doloroso. Infelizmente sei como é. Já tinha provado desse gosto, é verdade, mas com você foi pior. Já tinha vivido um fim, mas dessa vez foi mais dolorido ainda. Um único tiro. Sem jeito para uma segunda chance. Fatal. E o foda é que era só dizer que não queria mais.

A decepção te matou em mim.

O que foi bom ficará com força, mas esmaecido pelo erro. E agora, daqui de cima da pedra, sentindo o vento no rosto e vendo que todo o roteiro de drama ficcional se transformou num tremendo balde de água fria, eu só quero que passe. Só quero que a mente abstraia, que o coração não endureça, que o sorriso encontre o caminho de volta.

Foda é que fica esse medo de nunca mais confiar de novo. Ah, e amar.

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