Eu queria muito ter forças pra ficar. Queria conseguir te olhar nos olhos e dizer que ainda aceito tudo isso que você me dá. Ou o tanto que você oferece. Só que algo aqui dentro mudou. Eu te amo e não vai mudar em nada seguir sem te ver nos meus dias. Não vou conseguir te apagar da minha rotina e muito menos vou ter força para afastar as lembranças. O que eu não posso mais é continuar tentando me espremer pra caber no teu afeto.

Quero amar sem medida.

Sei que não existe certo ou errado. Adianta eu chegar aqui e jogar um monte de coisas na tua cara? Te magoar? Eu não me tornar seu inimigo. Pelo contrário, vou manter o desejo de ser bem mais que uma “amizade”, e não saberia te desejar algum mal. Posso até torcer para que você seja feliz de longe, com o sorriso que adoro sem cortar meu coração por ser para outra pessoa, mas nunca esperaria te ver mal por aí.

Talvez exista, sim, uma vontade de que você sinta saudade e que a minha falta te corte de vez em quando. Que o teto te pegue mirando pra ele e se perguntando quando que alguma notícia minha aparecerá na sua timeline. Que o consolo só venha com uma bebida e, também, que você não seja idiota suficiente para achar que esquecer está atrelado a se perder por outros corpos e transar sem sentimento algum.

Por puro prazer culpado.

Se um dia, quem sabe, nos encontrarmos e tudo fluir para um querer recíproco e compatível, podemos tentar. Sei que aí dentro vai ficar um pedaço de mim e de todas as coisas boas que ficaram. A porta pela qual você não quis entrar não irá se fechar com raiva ou força, mas não posso prometer que continue aberta. De resto, apenas hoje aceito que meus convites não serão atendidos. Eu queria poder ficar esperando, mas não dá.

Meu coração é grande demais para se espremer em alguém.

[ Gustavo Lacombe ]

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