(+18) Saudade

Ela desembarcou na minha vida de novo logo depois da mensagem “conta da sua saudade quando eu chegar”. Foi surpresa. Foi maravilhoso. Eu a esperava pra semana seguinte, mas ela veio antes. Já estava na porta. E eu mal a deixei sair do elevador. Fui agarrando assim que a porta abriu e meu coração disparado não sabia muito bem para onde bombeava o sangue. Sei que faltava o ar, os músculos sofriam espasmos e eu senti a massa pressionar a calça dela e pedi “por favor, vamos fazer amor”. Ela sorriu. A resposta estava na cara. Cheguei no quarto ligando o ar, tirando a roupa, arrancando tudo dela e a gente fez um amor gostoso, apressado e quase sufocante. Gozei muito rápido e ela sabia que era da saudade. Continuei dentro. Esqueci a camisinha. Ela disse que tomava uma pílula depois. “Foda-se, me come”, pedia. E eu atendia. Eu queria falar de como ela me fez falta, de como eu sonhei com o nosso novo encontro, de como eu estava necessitado de tudo. Do cheiro, das mãos, das unhas, do olhar. Dela de quatro ou em cima de mim mandando eu ficar quieto que ela queria rebolar. Saudade da maquiagem espalhada pelo banheiro, da gente atrasado e das sacanagens ditas, explícitas e feitas num restaurante lotado, num cinema vazio, num carro em movimento. E, se pensar, parecia uma vida diferente aquela em que tínhamos vivido tudo aquilo, mas quem se importa se foi mês passado ou noutra década, o que fica latente é a saudade que os corpos sentem, que o coração não explica e que a pica trata de relatar pra boceta num balé ritmado que acaba levando toda a leveza de dizer fofamente “Tô com saudade”, mas que não retira a poesia. O que a gente faz na cama é arte. Pelo resto da casa é putaria mesmo. E eu depois varreria os cabelos, suaria pela sala, gozaria no chuveiro, mas sentiria que um fim de semana seria pouco pra tudo aquilo. Eu queria mais. Quantas loucuras se pode cometer em 24 horas!? Quantas vezes se consegue foder até que seja atingido um limite saudável? A gente lembrava de comer e beber água, mas não queríamos muito mais. Ela pedia, eu ia. Eu olhava, ela já sabia. Era saudade. Era até mais. Foder com ela era a prova de que valia a Vida.

(Gustavo Lacombe)

#aaaaaahlacombe

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