Destino [2]

É engraçado como as coisas acontecem e se atropelam sem  gente perceber, né? Hoje eu me peguei pensando naquele texto que fiz pra você e que dizia que teríamos dois filhos, não os três que você queria. Que casaríamos antes dos 30 e que ficaríamos juntos até bem velhinhos. Lembro como se fosse ontem as circunstâncias e do que repercutiu em nós em seguida. O que era desespero se transformou na síntese de um pedido de desculpas e uma promessa que, infelizmente, parece que não cumpriremos.

Estamos na beira da idade que falei no texto.

Contigo eu aprendi um monte de coisas. Acho que essa é a alegria de levar o que foi bom e atentar para o fato de que mesmo depois da dor, resta algo de bonito. Passamos a olhar pro passado com algum tipo de óculos que oculta as cicatrizes e nos mostra que valeu, sim, muito a pena ter passado por tudo aquilo. Cada um que passa deixa um pouco de si na nossa história e ainda consigo enxergar muito de você no que sou hoje. Consigo ainda sentir muito daquele carinho.

É como se o menino que ansiava pelo teu sorriso ainda estivesse aqui. Como se conseguisse relembrar cada noite, cada quilômetro da estrada que percorria pra ver teus olhos e como te escrevia verdadeiros tratados sobre o que sentia. Eu pegava as frases mais clichêzentas e as metia num texto que, no final, não tinha como esconder a dona. Você. E te agradeço por cada verso que fiz inspirado no que nós dois vivemos.

Obrigado.

Me peguei pensando também, e óbvio, em tudo de mal que fiz. Acho que não tocar nesse assunto é como tentar camuflar o que errei e fingir pra mim mesmo de que fui o melhor que poderia ser. Não fui. Se tivesse sido, estaríamos juntos. Ficou a lição. Olho pro meu presente hoje e tenho a exata noção de que se não fossem os erros do passado, não estaria acertando no presente. E se você me perguntar o porquê de escrever tudo isso hoje, te responderei que não sei. Deu vontade.

Achei que seria uma forma de dizer às pessoas: vivam plenamente tudo. Não se arrependam. Levem as lições, quebrem a cara, mas não desperdicem os segundos. Não tenham medo das promessas mais loucas e das juras mais febris, mas não esqueçam de pesar a rotina, de dormir num sorriso, de descansar num abraço que parece um travesseiro de Amor.

No fundo, penso que tínhamos um plano e, com o passar dos anos, perdemos o timing. Em algum lugar do passado ainda estamos dançando juntos, bebendo juntos, comemorando juntos, esperando a chegada do outro com a mesma ansiedade, trocando mensagens, falando de saudades e vivendo um Amor. Obrigado por ter sido essa história incrível e, ainda que não casemos antes dos trinta – nem com um nem com qualquer outro, que sejamos felizes.

É isso que desejo pra você.

[ Gustavo Lacombe ]

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