Calcinha (meio) Bege [+18]

Ela tentou se esquivar na hora. Pediu pra apagar a luz, fez de tudo pra não largar a saia em qualquer lugar. Estranhei. Até que ela confessou:
“Tô com uma calcinha meio bege”
E daí, eu perguntei. Isso muda o quê? Ela respondeu que era trauma. Eu não falei nada mais. Não quis saber do passado. Geralmente, quando se fala em traumas assim, parece que ainda carregamos um pouco do mal que fizeram com a gente. Parece não, é exatamente isso. Tentei ser compreensivo e, então, baixei as luzes.
O quarto tinha aquela bolinha, sabe? Dimmer. A luz ficou fraquinha e ela abriu um sorriso. Ouvi um “obrigada” tímido, mas o verdadeiro agradecimento veio de outra forma. E era meu. Agradecido por estar mais uma vez na sua presença e por poder desfrutar daquilo tudo.
Sim, daquele sexo maravilhoso.
Não seria uma calcinha que mudaria algo, sabe? Eu até entendo o trauma, entendo que algumas mulheres se sintam desconfortáveis, mas gostaria muito de ser introduzido ao rapaz que decretou, por gosto próprio, que a calcinha da cor bege tirava o tesão do cara.
Talvez seja por remeter às calçolonas que vovó usava. Talvez seja por ser uma cor meio sem graça mesmo, que não chama tanta a atenção quanto um vermelho vibrante, um preto ousado, um azul sensual. Vai entender. Ainda assim, por que jogar na cor a culpa de uma brochada?
Acho que foi exatamente isso! O cara brochou e jogou toda a culpa na mulher, que usava uma calcinha bege. Machismo, óbvio. Mais uma vez o machismo invertendo os papéis. Mais uma moça que sofria dentro de um relacionamento abusivo e foi vítima de um sujeito que deturpou a história inteira.
A prova? Nós dois naquele quarto.
Passada a primeira, tirei a camisinha, joguei fora e já vesti outra. Ela perguntou “mas já?”. Sim, já. E aumentei a luz. Pode?, perguntei. Sim, podia. Queria ver tudo. Queria ver os olhos dela revirando, o pau entrando naquela boceta maravilhosa e os peitos que chegavam tão perto da minha cara que cada chupada que eu dava era como se quisesse tomá-los para mim. E ela se amarrava, sabia?
No final, a calcinha bege dela se misturou com a minha cueca amarela no chão e o que importava mesmo eram nossos corpos abraçados, suados e saciados na cama. O que importava era o que nós dois fazíamos sem a roupa que, no encontro do meu peito com o dela, não cabiam.
“Pode repetir a cor, eu não me importo”, sentenciei.
Ela riu.
“Da próxima vez eu venho de preto, relaxe”
Como você quiser, meu bem.

Publicado por

Gustavo Lacombe

Gustavo Lacombe, vinte e oito anos e uma vontade de escrever sendo lapidado todos os dias com muito suor e ideias. Tem a certeza de que será preciso quebrar muito a cabeça até conseguir chegar a algum lugar. Escreve por esporte, paixão e prazer - foi assim que fez seus quatro livros. Carioca da gema, acredita no amor bonito, ainda que o amor tenha diversas facetas não tão bonitas assim. Romântico, corredor de fim de tarde e feliz proprietário de um bom violão. É no blog, na página (fb.com/GustavoLacombeTextos) e no instagram (@glacombetextos) que, volta e meia, despeja o que lhe inspira, expira e vive. Ou queria ter vivido.

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