Algumas Dores Precisam Ser Sentidas

Algumas dores precisam ser sentidas. Vividas. Eu queria conseguir te dar uma parte dela, mas não posso. E o mais engraçado é que você plantou tudo isso em mim. Tá. Talvez seja pouco parte das expectativas que eu coloquei na gente. E não me diga que não deveria. Ou você já viu alguém viver como se a coisa inteira pudesse acabar no dia seguinte?

Isso não existe.

Na minha cabeça a gente ainda tinha um tanto pra viver. Eu vi, sim, que estávamos meio mal, mas que podíamos melhorar. Não funciona isso de chegar num ponto e, pronto, jogar fora. Depois daquela conversa, eu tentei. Pelo menos nisso, meu bem, posso deixar minha consciência tranquila. Não foi por falta de tentativa e sentimento. Eu me doei e continuaria me entregando até realmente atestar o fim.

Pra mim não era. Isso tá na cara. E me corta saber que você agora me olha como parte do seu passado. Logo agora que eu ainda penso, que eu ainda quero, que eu ainda sinto. Agora. Sinto agora. Talvez um dia eu “sinta muito”, mas nem sei direito o que fazer. Meu coração fica nessa de se auto-flagelar enquanto repete que a culpa disso tudo foi daquela toalha em cima da cama, daquele uber que a gente não dividiu, do programa de domingo que não fomos porque eu tava com preguiça.

Sim, eu já falei que a “culpa” não é dele, mas coração ouve alguma coisa?

Algumas dores precisam ser sentidas. Queria ser uma daquelas pessoas que vão pra balada, se enroscam com a primeira alma viva que passa na frente, mas não consigo. Simplesmente não consigo. E fico aqui remoendo, mas eu sei que vai passar. Talvez esse seja o pior. Um dia, quando você não for mais nada, vou ter a certeza de que passou. É uma merda isso.

Alguém que sabia de tudo, uma hora, não vai saber mais nada e nem conseguirá adivinhar o que eu quero comer. Logo você, que sabia de trás pra frente todos os meus gostos, manias e desejos. Desejos. Foda-se, uns amigos me dizem. Eu não consigo internalizar isso ainda. Não há revolta. Há uma frustração. A gente ainda tinha tanto pra ver por aí. É como se a mala estivesse pronta.

E não tivesse com quem viajar.

Mas vai passar. Vou sentir tudo, sentir muito, até sentir muito. Sim, sentir muito por não ter vivido contigo o que eu queria. Quem sabe, nesse dia, eu não sorria por ver que, então, tenho alguém que quer viver isso tudo comigo. Sentindo tudo. Sentindo muito.

[ Gustavo Lacombe ]

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