A Vida não é um Pornôzão

O sexo na vida real não é um pornôzão. Parece óbvio, mas pra muita gente não é. E de onde se tira essa obviedade e tenta-se racionalizar o todo? Eu tiro do tanto de memes que existe por aí falando sobre como as mulheres são (mal) tratadas pelos caras na cama. Sério. Dos memes.
“Mal” entre aspas porque não tô falando de desrespeito (se bem que poderia ser, mas vamos chegar lá), estou explicitando que uma parcela enorme dos caras que carregam um pinto e acham que são os FODÕES na hora lá não conseguem olhar pra moça e pensar “putz, preciso fazê-la gozar e seria da hora se isso acontecesse”. Não, eles tão preocupados em serem britadeiras.
Ligadas no 330v.
E por que citei o pornô no começo do texto? Porque durante muito tempo a indústria pornográfica fez um desserviço ao colocar entregadores de pizza, encanadores, motoristas e outros personagens fictícios que chegavam na casa da donzela de pau duro e socavam até arrancar das mesmas, quinze segundos depois, gemidos enlouquecedores com uma frequência de estocadas jamais vista na história.
E não se assustem: todo cara já consumiu e vai continuar consumindo conteúdo adulto. Todo cara, até aquele que tem a mulher mais perfeita em casa, com a bunda mais bonita ou que tenha a química mais absurda. Ele vai continuar assistindo. Ele vai saber quem é Mia Khalifa e o que é POV. É normal.
Aliás, vou trazer uma bela informação pra vocês também. Tem canal especializado em filmar casais de verdade transando. Tem canal preocupado em trazer o realismo das relações, não apenas gemidos falsos e pirocas de 30 cm que a grande maioria dos homens não tem. Vocês tem ideia de quantos meninos crescem frustrados por olharem esses vídeos e pensarem “puta que pariu, nunca vou conseguir fazer gozar uma mulher porque não tenho um pauzão desses”.
É verdade, cara. Muitos desses mesmos meninos ficam ouvindo comentários de que tamanho importa, e aí encontra uma menina que realmente se importa com tamanho e, por causa de uma opinião, fodem toda a sua cabeça para as relações futuras. Não é só o coração que cria seus traumas. Os pintos também.
E não vai adiantar dizer que é preciso conversar, rolar umas preliminares, chupar direitinho, se esforçar em fazer ela se soltar, ter intimidade, não ser um babaca, não se preocupar só com o próprio prazer, perguntar como ela gosta, se interessar em fazer de um jeito que ela se sinta estimulada. O cara só se preocupa mesmo em ter um pinto de cinema.
Por outro lado, pensemos na posição da mulher: sempre tratada como objeto nos pornôs. A sexualidade nesse segmento é absurdamente majoritária para os homens e é por isso que programas como o ótimo “Desnude” do GNT são tão bem vindos. Por isso que o “Papo Calcinha” era fundamental. Homem tem que parar com a idiotice de achar que, no sexo, ele é o centro das atenções.
Outra coisa que acho legal dizer, e que já ficou claro aqui em intenção de dizer, é que você não precisa de um corpo escultural para fazer o outro feliz. Só tome cuidado com o que diz. Conheço uma menina que não gosta de ser chupada porque um ex uma vez disse que a boceta dela era feia. Sim, feia.
Vai chupar um picolé, então!
E pra não me eximir da discussão, vou falar de mim um pouco também, ok? Eu acho incrível quando escuto a mulher dizer “gozei”. E sempre estabeleci pactos com as parceiras que tive. Não finja. E claro que aprendi também que não gozar quer dizer que foi ruim. Pelo contrário. O homem, sim, precisa ejacular, mas muita mulher diz que uma boa foda pode não envolver gozar. Mas todas concordam que gozando é muito melhor.
Acho que foi a partir do entendimento de que eu DIVIDO a relação, de que o PRAZER do outro é tão fundamental quanto o meu, que não GOZO sozinho – visto que tenho alguém comigo me ajudando nisso, que melhorei na cama. Não no desempenho, mas na atenção que dou ao que faço. Não fazer isso seria um desrespeito com quem tirou a roupa e está ali comigo.
O que fazer, então? É foda chegar aqui, depois de tanto exposto, e dizer: conversem. Se o seu namorado acha que é um atorzão da porra, fale que você não é atriz. Seu gozo é real. Se ele não se preocupa com o que você quer, mostre, converse, diga. Espero que ele ouça. Diálogo é fundamental em qualquer relação e no sexo é mais imprescindível ainda.
Não, o sexo na vida real não é um pornôzão. Você, querido, não a fará gritar loucamente em segundos – mas parabéns se fizer. Você, moça, não precisa apenas dizer “mais, mais forte, mete”. Vocês, juntos, devem explorar um ao outro e entender como gostam. Caso seja uma noite casual, que tenham atenção com como o outro reage.
Não somos atores. Somos pessoas. Reais. Sem que todos tenham corpos maravilhosos, peitos empinados e pirocas absurdas. E te garanto que isso é até bom. Consumir pornô é legal? Cada um que decida. Mas querer trazer aquela realidade (que nada tem de real) pra cá é apenas propagar ideias vencidas. Bom mesmo é a realidade de gozar com alguém que encaixa com a gente e transforma o ato em algo maior.
O resto é punheta desnecessária.
[ Gustavo Lacombe ]
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