Nada Substitui o Trabalho

Um dia eu entrei numa discussão com um colega escritor porque ele argumentava que o trabalho dele tinha a repercussão que tinha devido ao tempo que ele já havia investido naquilo. Ele dizia “mano, eu escrevo há mais de oito anos!” como se eu tivesse começado ontem.
 
Respeita minha história, né?
 
Eu comecei a escrever na Era da Internet discada, passei por blog, fotolog, tinha comunidade no Orkut, criei uma página no Facebook, perfil no Instagram e fui migrando para as redes que julgava pertinentes. Em nenhuma delas eu vi aquele “boom” exponencial que muitas contas por aí tem. E tô aqui, vivo.
 
Nenhuma atriz da Globo compartilhou texto meu. Ah, mas eu também não escrevi pra nenhuma delas, marcando nos meus textos e pedindo pros seguidores avisarem. Acho isso cafona. Aliás, a última atriz global que compartilhou uma frase minha não colocou os créditos. Ela tem mais de meio milhão de seguidores. A foto deu mais de 50 mil likes.
 
Imagina se esse povo todo fica curioso pra saber de quem era aquela frase?
 
Ela viu a mensagem que eu enviei. E não fez nada. E tô aqui, escrevendo. Isso me doeu? Claro que dói. Mas isso fez com que o meu trabalho ficasse maior ou menor? Claro que não. Continuo sentando meu bumbum na cadeira, pensando em temas e fugindo da obvialidade das frases feitas em cartões apontados pra parede. Desculpa, mas acho muito raso o que algumas pessoas fazem por aí.
 
Isso tem um preço. Não se render ao que é clichêzento e tentar manter o seu traço de originalidade tem um preço. E, cara, isso buscar isso não te torna melhor, nem pior. Apenas original. E você quer ver outra coisa que não entendo? Não se pode mais criticar. Já fui censurado por amigos escritores por criticar abertamente o trabalho de outros.
 
Irmão, opinião é algo que todo mundo pode ter. E tem que ter coragem pra dizê-la por aí.
 
Aliás, isso é outra coisa que a gente aprende: para fazer inimizades, basta ter opiniões. Tem gente que já falou mal de mim porque eu “cuido das minhas coisas e não socializo com a galera”. É, tem gente que não vê com bons olhos o “cuide do seu mundo”. Sei lá, as coisas tão meio ao contrário mesmo.
 
E se você estiver se perguntando onde eu quero chegar com esse texto todo, quero apenas reforçar uma certeza que, nessa altura da vida, você já deve levar como mantra: nada substitui uma consciência limpa e o trabalho duro. Talento se lapida, sorte tem quem tá correndo atrás, crítica vazia tá cheia por aí.
 
Continue acreditando em você, dando o seu melhor no que você faz e sabendo que a sua vida pode até mudar pra melhor de uma hora pra outra, mas a grande maioria das pessoas transforma a sua realidade na dureza de botar tijolo por tijolo na construção de seus sonhos. Eu comecei há muito tempo e sei que ainda falta muito.
 
E tô aqui, vivo.
 
Vivendo, aprendendo, muitas vezes me fodendo, mas sendo feliz por fazer o que eu acredito. E isso não tem texto caça-like ou marketing comprado que faça pela gente.
[ Gustavo Lacombe ]
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