Tentar Ainda é Melhor que Não Fazer Nada

O ano mudou, mas alguns sentimentos não. Eu tenho certeza que em algum lugar deste país alguém passou o Natal e o Ano Novo longe de quem ama. Posso até afirmar que ela já ousou tentar ficar com outra pessoa, viver uma nova história, apagar o que sentiu. Só que descobriu que certas coisas são impossíveis. Nem mesmo um milagre natalino daria jeito. Como vai poder desbeijar uma boca, desamar um coração, destirar a roupa que revelava bem mais que um corpo? Não é só uma música que diz isso, mas todas as outras que vão servindo de inspiração para a sofrência e marcando os dias, as horas, os minutos que os dois estão separados. Eu juro que não quero me meter, mas se ainda existe sentimento, por que não tentar? Sei que as circunstâncias mudam, sei que muita gente tem que aturar coisas horríveis e para certos casos serei sempre o primeiro a dizer que, quando acabou-se o respeito, foi-se também o Amor. Porém, entretanto, contudo, todavia (um pequeno número de conjunções adversativas para enfatizar o pensamento) se o que separa é o orgulho, se o que afasta é um mal entendido, se o que deixa longe é um medo de tentar novamente, acredito que o calendário novo pode ajudar. Não, ninguém consegue passar uma borracha por cima do que houve, mas é preciso decidir se a segunda chance é verdadeira ou apenas um motivo a mais para martirizar o peito. Se for para jogar na cara tudo que aconteceu de errado (e certamente aconteceu algo para o fim), melhor realmente nem passarem perto um do outro. Agora, se sobrar vontade, se ainda existir uma história a ser vivida, se os dois se querem – e dane-se se os amigos não aprovam ou se a família acha melhor não. Tudo isso com ressalvas, claro. Conheço casais que voltaram e deram certo. Conheço os que tentaram e terminaram de novo. Mas conheço também quem se arrependa de nunca ter tentado. Garantias eu não tenho e nunca vou ter de que um relacionamento começa e será para sempre, mas certamente a dúvida do que poderia ter existido é pior do que a tentativa de ser feliz.

[ Gustavo Lacombe ]

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