Férias/Terapia

Sabe, gente, às vezes eu penso que preciso dar um tempo. Um tempo das mídias, das redes, da necessidade de ter que postar todo dia. Eu entendo os mecanismos que existem e sei que sempre me comportei bem com eles. A criatividade em si sempre existiu e eu nunca reclamei de ter que escrever todo dia. Pelo contrário, eu curto o desafio. Mas o digital tem cobrado seu preço – no sentido de que quando você não administra bem seus ímpetos, suas expectativas e tudo aquilo que você “acha” que precisa acontecer, a frustração vem como um rolo compressor e esmaga todos os seus sonhos. Os meus, no caso, passaram a ser guardados num quartinho que dedico a tudo aquilo que penso “isso é bom demais pra acontecer comigo”. Durante um tempo aconteceu (e aqui talvez eu comece a demonstrar que preciso de terapia) e eu sou grato por tudo que vivi nesses anos, por todas as pessoas que abracei, que tirei foto e que fizeram de mim um escritor. Eu nunca fiz um curso, não tenho diploma e vejo outros caras que escrevem com mais direito do que eu mesmo de se autointitularem isso. Por que eu poderia? Porque quem me lê me deu esse título. Eu só o abracei. A parte do “viver de escrita” talvez confunda um pouco muita gente porque vão pensar que eu estou falando estritamente de ganhar dinheiro, mas é que existe tantas outras coisas por trás (inclusive a pressão por ganhar dinheiro) que muitas das vezes o tesão em sentar a bunda e escrever até que as ideias estejam completamente esgotadas se esvai. Não poderia nunca também chegar a esta altura aqui e ser ingrato com quem me ajudou no período. Meus pais tiveram apoio fundamental, mas passaram a cobrar o que eu mesmo já me cobrava, mas empurrava com a barriga: e aí, vai tomar conta da sua vida, das contas e das responsabilidades a partir de quando? E foi assim que o “eu só escrevo” se tornou “eu escrevo, mas estou procurando emprego” – com aquele aperto no coração ao dizer isso porque, no fundo, eu já tinha o meu emprego. Adicionei o “/” ao título. Escritor/coordenador de redes sociais. Escritor/jornalista. E te digo: jornalista pelo diploma porque muitas vezes no trabalho a minha chefe me diz “sinto falta de você ter sido repórter”. É a verdade: eu nunca quis ser repórter. Hoje eu preciso ser. Enfim, o que quero dizer com este texto claudicante, cheio de verdades minhas e que às vezes pode não soar como eu quero do lado daí – porque você pode interpretar como uma reclamação, mas na real é só alguém que está desiludido/perdido/desmotivado – é que dá trabalho viver de verdade o seu sonho. Muitas vezes nós chegamos lá e não conseguimos nos manter pelo simples fato de que é REALMENTE bastante complicado. Ainda mais quando você não conversa com muitas pessoas ou toma atitudes concretas para se manter motivado. Quando você se larga, ninguém vive por você. Quando você desiste, isso não encurta o caminho para se manter feliz. Ao contrário. Quando você sonha, esquece que a pior parte é quando ele vira realidade e você precisa trocar o rótulo para “realidade”. E a realidade é cruel. É pesada. Pede, demanda, impacta, pesa. Se eu vou conseguir tirar férias? Acho difícil. Talvez eu precise ir com mais calma. Menos ávido por postar. Se eu vou fazer terapia? Bom, isso eu preciso mesmo, mas nem sei por onde começar. Talvez esse texto aqui já tenha me ajudado.

Fiquem bem. Obrigado por me ouvirem.

Meus livros continuam à venda aqui:
www.gustavolacombe.com.br/livros
de 20 a 120 reais. São eles que me ajudam a viver.
E são eles que podem se tornar seus novos amigos 😉

É exatamente sobre isso aí em cima que fala o texto. rs

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