A Decepção que Mata Alguém Dentro de Nós

Sempre imaginei que quando passasse por algo assim eu fosse gastar uma tarde inteira na pedra aqui da praia, olhando o mar e refletindo sobre as minhas próprias escolhas. Deixaria que o barulho das ondas remexesse tudo dentro de mim e lavasse o que restou de um Amor fracassado. Sempre pensei nisso como uma cena de novela, revivendo alguns segundos e quase que rascunhando o roteiro.

Só não imaginava que seria contigo.

Quando a gente se decepciona, primeiro não quer acreditar. Depois, esfrega os olhos tentando enxergar onde aconteceu o erro. E, por fim, percebe que não existe erro algum. Quem ama confia – e isso nunca será errado. Tenta decifrar os sinais que foram deixados pelo caminho e passa a interpretar tudo como “já estava na cara, só eu trouxa que não vi”.

Eu não tenho ideia de quanto tempo demora pra fichar cair, mas tenho a noção de que esse é um processo lento e doloroso. Infelizmente sei como é. Já tinha provado desse gosto, é verdade, mas com você foi pior. Já tinha vivido um fim, mas dessa vez foi mais dolorido ainda. Um único tiro. Sem jeito para uma segunda chance. Fatal. E o foda é que era só dizer que não queria mais.

A decepção te matou em mim.

O que foi bom ficará com força, mas esmaecido pelo erro. E agora, daqui de cima da pedra, sentindo o vento no rosto e vendo que todo o roteiro de drama ficcional se transformou num tremendo balde de água fria, eu só quero que passe. Só quero que a mente abstraia, que o coração não endureça, que o sorriso encontre o caminho de volta.

Foda é que fica esse medo de nunca mais confiar de novo. Ah, e amar.

Amiga, Sua Trouxa

Amiga, você quer que eu fale o que mais? Vai adiantar alguma coisa eu jogar na sua cara que você é trouxa e saber que você continua fazendo as mesmas coisas? Mais fácil te deixar quebrar a cara mesmo e amanhã só oferecer meu ombro. Até porque, eu posso cansar de te xingar e tentar te mostrar que é mais uma burrada acreditar nesse cara, mas eu nunca vou te abandonar quando você precisar de mim. Então, vai. Deixa ele passar aí pra te pegar, sai com ele, encara aqueles olhos que já sabem direitinho como te enganar. Só faz ele pagar a conta, tá? Do motel também. E se em algum momento você sentir que essa é só mais tentativa frustrada, não hesite em sair correndo. Fala que teu gato tá passando mal, teu cachorro foi atacado por um rato gigante na rua, que tua tia-avó faz aniversário amanhã e você combinou com todas as suas primas de fazer uma surpresa pra ela. Vai gritando pela rua que você tá surtada e dá logo um show pra ele nunca mais aparecer. Porém, se sentir que pode ser dessa vez (pela quinquagésima vez…) se deixe levar. Escuta teu coração e vai. Me acostumei a ouvir histórias de quem não teve coragem de apostar, mas a certeza da tentativa ainda é melhor que a resposta em branco da dúvida. E decepção não mata, aprendi. Pelo contrário, ela ajuda demais a viver e nos empurrar pra frente – mesmo que na força bruta. Fico muda e prometo não mandar uma mensagem sequer essa noite, só não leve a mal tudo que disse. Eu só quero que você fique bem. Mesmo se tiver de ser com esse cara bosta. Se ele conseguir te fazer feliz, pra mim já tá valendo.

[ Gustavo Lacombe ]

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Parem de Demonizar o Ciúme

Parem de demonizar o ciúme. Parem de tratá-lo como se fosse a pior coisa do Mundo. Ciúme é tempero, não é refeição. Se entre todas as analogias o Amor fosse uma gripe, o ciúme seria apenas um espirro. Um sintoma. Efeito colateral de gostar muito de alguém. Quando passa disso, torna-se doença, deixando de ser Amor. Passa a ser posse. E o que antes dava um gostinho até legal para o relacionamento, passa a ser um fardo.

Até o motivo para o fim. E com toda a razão.

A dificuldade talvez seja conseguir enxergar o ciúme como algo bom e importante. Numa música do Rael a moça mesmo diz que não é pra reclamar das crises dela porque, sumindo o ciúme, some também o Amor. E acho que é assim mesmo que funciona. Quando se gosta de alguém, tem-se medo de perder. Essa certa insegurança age na cabeça dos apaixonados e cria algumas paranóias e outras coisas que se afloram no ciúme. Sendo arrefecido pela certeza do sentimento do outro.

Aí, eu sei, entram diversas outras variáveis que agem de forma diversa nesse contexto. Conheço pessoas que precisam dar provas atrás de provas de que são fiéis, que gostam, que fariam de tudo (e fazem) para deixar o outro “tranquilo”. Como também já vi algumas situações em que o outro dava milhares de voltas, enganava e não tinha nem ao menos que dar satisfação porque o outro lado confiava e não ligava pra algumas coisas. Já conheci gente que até brigava com o outro porque ela não “demonstrava que tinha ciúme”.

Vai de cada casal, né? E também do caráter em se aproveitar da confiança que é entregue, claro.

Só não acho que rotular o ciúme como algo ruim resolva. O velho ditado “ninguém é de ninguém” é o mais certo. Porém, quando se está dividindo a vida com alguém, espera-se respeito, atenção, carinho. O déficit em alguma dessas coisas pode ser combustível pro ciúme também. Quantos casos você já não ouviu de namoradas(os) que tem implicâncias de amigos (as)?

A grande sacada disso tudo é entender que tratar como “objeto” uma outra pessoa é a receita para afundar qualquer namoro/rolo/relação que tenha sido legal um dia. Ciúme é algo que, uma vez desperto, pode ser até bonitinho, mas quando começa a interferir na vida do outro, quando começa haver censura, quando um submete o outro às suas vontades, algo passa a destoar. Muda de figura e atrapalha. Vira um abuso.

Por fim, o problema não é ele existir, mas como ele se manifesta.

[ Gustavo Lacombe ]

Gratidão é um Exercício Diário

Eu confesso que ainda tenho uma péssima mania de supervalorizar tudo que dá errado e não ser grato pelas bênçãos que me chegam. Cultivei esse meu lado masoquista de olhar a Vida e não escondo que, por vezes, me fiz de vítima para tentar ganhar um quê de pena das pessoas. E aí, quando tive discernimento suficiente para olhar pro lado e enxergar o tanto de gente que gostaria de estar no meu lugar, fui obrigado a criar vergonha na cara e entender que, sim, eu sou privilegiado.

E, por isso, não posso ser tão mal-agradecido assim.

A partir daí, então, instala-se um processo de conscientização do meio em que você vive e, também, aprende-se a enxergar melhor os caminhos que te levam à Felicidade. Numa sociedade tão injusta quanto a nossa, ter um lugar pra se morar, uma família para se apoiar e um sonho para dormir é muito. E, felizmente, eu tenho tudo isso. Sei que é bem mais do que muita gente tem. É de se olhar todo dia pro céu e dizer “obrigado” ao Universo, à Deus – ou seja lá no que você acredita.

Tomando posse desse pensamento, certamente você conseguirá compreender quando alguém disser que a responsabilidade da sua felicidade é unicamente sua. E passa por reclamar menos, agir mais e agradecer mais ainda. A chave para se chegar nesse tão falado paraíso está, necessariamente, nas suas atitudes e nas suas mãos. Te garanto que ela não se esconde em nenhuma outra pessoa. Qualquer um que for capaz de tirar a sua alegria não te merece.

As pessoas que nos cercam tem de somar, nunca nos diminuir.

Acredito, sim, que Gratidão é um exercício. Não é todo dia que você se sente feliz pelo que tem. Aquele pensamento ruim pode invadir? Claro. Não somos tão perfeitos ao ponto de aceitar sempre, mas precisamos criar o hábito de transformar todos os acontecimentos em combustível. Digo, sem medo de errar, que eu melhorei por necessidade. Melhorei e ainda busco minha melhor versão por saber que apenas reclamar não me leva a lugar algum.

E mesmo que alguém diga que agradecer também não me leva a nenhum lugar diferente, vou conseguir sorrir e dizer que, ao menos, ele me dá o pensamento positivo de valorizar tudo e emanar ao Mundo as coisas boas que podem também chegar. Não é preciso acreditar na Lei do Retorno, mas eu acredito piamente que tudo aquilo que desejamos e fazemos, volta.

Optei por fazer o meu melhor. E vamos à luta.

[ Gustavo Lacombe ]

Não troque seus Amigos Pelos Seus Amores

Eu nunca travei uma saída de uma namorada com as amigas.

Nunca fui mesquinho ou possessivo ao ponto de dizer que não a queria andando com alguma amiga. Acreditava que, antes de tudo, ela tinha a Vida dela. Me conhecer tinha sido um (belo) detalhe no caminho, mas muitas outras coisas já existiam. As amizades, principalmente. Pessoas que ela recorria e contava do dia, dos sonhos, das batalhas e, por que não?, do que acontecia dentro do namoro. Pessoas que com quem ela poderia conversar sobre outras coisas de uma maneira mais natural do que comigo.

Acho que é fundamental, então, incentivar quem está do nosso lado a manter as amizades. Vou defender até a morte o futebol de quarta-feira, contanto (e confiando) que ele seja um mero futebol com churrasco mesmo. Vou criticar o cara que questiona o porquê da mulher sair na sexta para tomar um chope com as “meninas”. É mais que necessário saber dividir a Vida conjugal das atividades que só podem ser feitas com outros.

É importante frisar, obviamente, que existe o outro lado da moeda.

Quando se consegue integrar o parceiro a sua roda de amigos, tudo fica melhor. Quando se tem até mesmo outros casais para sair, viajar e curtir algo juntos, também. O que prego aqui é a necessidade de não querer o outro só para si. O Amor de casal não pode privar ninguém dos outros tipos de amores que são encontrados por aí. E a amizade é um dos mais importantes deles.

Defendo que não se deve trocar os amigos pelos amores até mesmo porque o namoro pode acabar, o laço fraterno não. Longe de querer rogar praga para cima dos namoros por aí, mas é preciso ser um pouco realista e perceber que existe muito mais chance de levar um amigo para a Vida inteira do que um relacionamento.

Se você consegue integrar e interagir com ambos, ótimo! Certeza que, em certos momentos, sua atenção estará voltada mais para uma coisa que para a outra, mas conseguir ter essa relação saudável em todos os âmbitos da Vida é bom para qualquer um. Desafiador, claro, tendo em vista que o tempo às vezes é curto e se precisa decidir com o que e com quem iremos aproveitá-lo, mas sabendo dosar e conversar tudo é mais tranquilo.

No peito há espaço pra todos os amores: pros amigos e pra quem ardores.

[ Gustavo Lacombe ]

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Solteira, sim; Solidão, Nunca.

As perguntas são sempre as mesmas. Eu até entendo a pressão que a sociedade faz, que a minha mãe faz, que as minhas tias fazem. Entendo porque pra muita gente a felicidade está associada a ter alguém do lado para chamar de “meu bem” e não gosto de ficar perdendo meu tempo discutindo sobre como essa expectativa e essa projeção é ruim. Acho que a gente tem que levar o que acredita sem querer doutrinar ninguém a pensar igual.

Entretanto, o que realmente me deixa nervosa é quando começam a fazer aquela cara de “coitadinha dela” pra mim. Já me disseram “nossa, deve ser horrível não ter ninguém para ir ao cinema contigo”. Eu rio porque lembro de umas três amigas que estão sempre indo comigo no shopping aqui perto para pegar as sessões mais lotadas e fazer comentários durante todos os filmes. Ah, e uma delas ainda me pega e deixa em casa – coisa que ex-namorado nunca fez.

Horrível, né?

A questão não é ter alguém, ir a pé, ver um filme, curtir uma balada, sorrir com alguém. Veja bem, o ponto aqui nem ao menos é arrumar uma pessoa para dar uns beijos na boca. Isso eu tenho. Um cara que cura o meu tédio? Tem. O que está em jogo aqui é toda essa idealização que o povo faz de que só é feliz quem arrumou um amor. Essa é uma das maiores besteiras que existe, mas você pode parar de ler se não quiser saber o que eu acho.

Repito: não gosto de fazer a cabeça de ninguém.

Acredito que, sim, estar apaixonado e ter alguém é lindo quando isso faz bem. Se for só para aporrinhar, eu fico com as minhas amigas que me entendem bem, meu brigadeiro, meu crossfit, minha rotina e não preciso de ninguém que atrapalhe. Só isso é o que eu penso. Não preciso que as pessoas pensem igual, mas não quero que elas projetem as opiniões dela na minha Vida. Eu sou solteira, sim; conviver com a Solidão, nunca.

Existem outros amores. Família, amigos, hobbies. O Amor não pode ser tratado como um objetivo de vida, uma meta. Eu já amei e fui amada, já sofri e vivi o lado bom da paixão. E sei que foi super importante passar por tudo isso. Sei que tudo pode acontecer muito rápido e virar minha cabeça, mas hoje tudo que eu quero é manter o meu sorriso no rosto.

E quem chegar não pode ousar em mexer com isso.

[ Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte” e “O Amor é Para os Raros”, meus dois livros, estão disponíveis aqui: bit.do/Lacombe

Tudo Começa no Primeiro “Tanto Faz”

A coisa começa a dar errado no primeiro “tanto faz” que um dos dois solta pra falar sobre um encontro. E não é tanto faz se vamos comer pipoca ou sair pra jantar depois, é para o próprio encontro. É aquela indiferença em relação a saída em que uma das partes já não vê muita distinção entre ficar em casa sozinho ou sair com a pessoa que diz gostar.

Liga-se o alerta: alguma coisa está indo por um caminho que não é o pretendido. A crise, mesmo que esteja longe, vai começando a lançar suas bases e lá na frente tende a aparecer com força. Os dois ignoram aquele primeiro sinal e deixam que o “tanto faz” seja apenas um retrato da rotina estressante que chateia e incomoda tantas pessoas.

Pensa-se que é só um dia ruim.

Claro, eu entendo. Todos nós temos esses dias em que “o que acontecer, aconteceu”. Dias em que até o convite mais irresistível será desdenhado porque nosso humor está longe da sua melhor forma. Só que esse “tanto faz” aqui é pior. É a pontinha de indiferença colorindo o horizonte. É a primeira ideia de que não vale a pena insistir no relacionamento.

É exagero meu? Talvez, mas toda bola de neve tem seu grão inicial.

Até porque – vamos fazer um exercício! – a pessoa que está ao nosso lado é, teoricamente, uma de nossas maiores fontes de alegria e um dos nossos melhores refúgios. É aquilo de poder se abrir, se sentir em paz e querer estar por perto, ainda que seja por uns poucos minutos. Ela possui aquele de dom de transformar qualquer dia ruim em agradável ou, pelo menos, suportável.

E quando se passa a achar que estar com essa pessoa tão maravilhosa já não causa o mesmo efeito, é preciso refletir sobre o que está acontecendo. Não quero dizer que existe a obrigação do encontro nem que se isso acontecer uma vez o relacionamento estará fadado ao fracasso. É apenas uma luzinha de alerta que indica a necessidade de manutenção na engrenagem.

Amor é reflexão – do sentimento do outro e, principalmente, do que se passa dentro de cada um. E fica a torcida para que histórias bonitas não sejam perdidas pelo velho “tanto fiz que agora tanto faz”. Relacionamento é uma construção diária em que os dois precisam se manter dispostos. Até mesmo nos piores e mais impróprios dias.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor é Para os Raros” e “Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meus livros, podem ser encontrados na aba aqui em cima “Produtos do Lacombe”.

Links diretos:
“Raros” = http://www.bit.ly/AmoraParaRaros
“Destino” = http://www.bit.ly/PreDestino3
Os 2 juntos = http://www.bit.ly/ComboLacombe