Tentar Ainda é Melhor que Não Fazer Nada

O ano mudou, mas alguns sentimentos não. Eu tenho certeza que em algum lugar deste país alguém passou o Natal e o Ano Novo longe de quem ama. Posso até afirmar que ela já ousou tentar ficar com outra pessoa, viver uma nova história, apagar o que sentiu. Só que descobriu que certas coisas são impossíveis. Nem mesmo um milagre natalino daria jeito. Como vai poder desbeijar uma boca, desamar um coração, destirar a roupa que revelava bem mais que um corpo? Não é só uma música que diz isso, mas todas as outras que vão servindo de inspiração para a sofrência e marcando os dias, as horas, os minutos que os dois estão separados. Eu juro que não quero me meter, mas se ainda existe sentimento, por que não tentar? Sei que as circunstâncias mudam, sei que muita gente tem que aturar coisas horríveis e para certos casos serei sempre o primeiro a dizer que, quando acabou-se o respeito, foi-se também o Amor. Porém, entretanto, contudo, todavia (um pequeno número de conjunções adversativas para enfatizar o pensamento) se o que separa é o orgulho, se o que afasta é um mal entendido, se o que deixa longe é um medo de tentar novamente, acredito que o calendário novo pode ajudar. Não, ninguém consegue passar uma borracha por cima do que houve, mas é preciso decidir se a segunda chance é verdadeira ou apenas um motivo a mais para martirizar o peito. Se for para jogar na cara tudo que aconteceu de errado (e certamente aconteceu algo para o fim), melhor realmente nem passarem perto um do outro. Agora, se sobrar vontade, se ainda existir uma história a ser vivida, se os dois se querem – e dane-se se os amigos não aprovam ou se a família acha melhor não. Tudo isso com ressalvas, claro. Conheço casais que voltaram e deram certo. Conheço os que tentaram e terminaram de novo. Mas conheço também quem se arrependa de nunca ter tentado. Garantias eu não tenho e nunca vou ter de que um relacionamento começa e será para sempre, mas certamente a dúvida do que poderia ter existido é pior do que a tentativa de ser feliz.

[ Gustavo Lacombe ]

Fotos Antigas

Outro dia respondi a pergunta se ainda sentia algo por você. Não, eu não sinto. Sinto uma pontada de que poderíamos ter sido mais, mas que não fomos por algum motivo. São os desencontros que não valem a pena serem mencionados aqui. Mas eu relutei até ter coragem de apagar todas as suas fotos. Até conseguir me desfazer de memórias vivas que ficaram atiçando as memórias que existem dentro de mim. É impossível não vê-las e passar incólume. Volta e meia eu me arranhava quando abria o rolo de câmera. Hoje, enfim, apaguei. Deletei aqueles sorrisos, aquelas imagens, até aqueles nudes. Eu vou lembrar pra sempre e obviamente do teu corpo no meu, da tua boca na minha, da minha boca em outras partes tuas e tudo vivido. Isso nem mesmo uma lavagem cerebral apagaria. Eu só não preciso carregar essas evidências comigo. Eu não preciso topar com nossos sorrisos quando vou mostrar algo aos amigos ou contar de uma viagem que fiz para alguém novo. Eu desejo e espero que você esteja bem, sem carregar nada de ruim aí dentro e sendo a pessoa maravilhosa que conheci. Foi foda ter que deletar as mensagens no início, foi difícil ficar sem falar contigo, foi estranho te ver sumindo dos meus dias. Foi necessário apagar esse restinho pra ter certeza de que podemos ter sido muito, mas hoje já não somos mais nada.

[ Gustavo Lacombe ]

Para comprar meus livros e me levar pra casa:
http://www.gustavolacombe.com.br/livros

Não Tente Carregar o Peso do Mundo

Chega uma hora que começamos a acumular o peso de um mundo inteiro nas nossas costas. O nosso e o das pessoas que nos cercam. O nosso e das pessoas que amamos. Queremos resolver tudo, abraçar tudo, corrigir tudo, ter controle de tudo. Queremos colocar pingos nos is, saber momentos ideais para apostar, recuar, dizer, investir, falar. Queremos saber, antever, reaver. Queremos muito e, pra variar, sempre queremos pra ontem. Até que alguma coisa acontece e tudo aquilo que fomos empilhando no nosso colo cai. Vemos, com a obviedade de tudo isso, que é impossível querer carregar tanto. Ter o controle de tudo. Querer dominar e calcular a exatidão dos passos. Dá um “tilt”, uma coisa ruim no peito e um nó na cabeça. Vem a frustração, vem a culpa, vem a raiva. Vem um sentimento de impotência e é nessa hora que a gente olha pro lado e vê alguém se dando bem e parecendo acumular dez vezes mais funções do que nós mesmos acumulávamos antes de “quebrar”. Nos comparamos. Causamos o pior dos efeitos em nós mesmos buscando uma saída que, na verdade, é apenas o poço criando mais fundura. Dá vontade de rasurar a vida. Chega uma hora que dá vontade de resetar as emoções e recomeçar, como se tudo passado pudesse estar em branco – mas não podemos. E talvez seja essa hora a melhor hora para nos abraçarmos, olharmos com carinho pra nossa vida e pararmos de nos culpar. É impossível conseguir carregar tudo, resolver coisas para todos e seguir um caminho sabendo do todo. É inevitável se machucar, é preciso se curar. É foda sentir a dor de uma sacanagem, mas é bom demais apostar no Amor e acertar. É preciso parar de fazer cafuné na culpa como se ela já fosse de estimação porque, na real, limpar a nossa consciência e conseguir pedir desculpa aos outros e dar o perdão a nós mesmos são passos que nos fazem conseguir seguir. Chega uma hora, enfim, que a gente apenas leva o que é suficiente para nos fazer bem. Sem precisar de todos, de tudo. O extraordinário pode até seduzir, mas o realmente necessário é o que nos satisfaz.

[ Gustavo Lacombe ]

O Amor Move o Mundo

O Amor move o Mundo.

Pelo menos o meu mundo é movido pelo Amor. Ele que me dá forças para levantar da cama e me faz querer dormir para descansar e, no dia seguinte, continuar a caminhada. Amor aos sonhos, aos projetos, a tudo que faço e sei que ainda devo realizar. Um sentimento que me aquece a alma e me faz persistir, resistir, querer evoluir.

Se é fácil lidar com ele? Fácil é, o problema é que nem todo dia é bom. Acho que falta as pessoas admitirem isso para elas mesmo. Nem todo dia será levado com um sorriso no rosto e a certeza da vitória. Pode ser muito lindo o discurso de “você precisa ser grato!”, mas não é simples. Em alguns momentos eu quero jogar tudo pro alto, ligar o “foda-se” e sucumbir.

Até que penso em como será a minha vida sem fazer o que eu faço.

Acho que eu poderia ser qualquer outra coisa. Poderia ser médico, engenheiro, professor de educação física, dono de uma loja de roupas importadas da Bolívia, vendedor de sanduíche na praia em parceria com a minha Avó, ou qualquer outra coisa. Só que escolhi escrever. Escolhi sentar na frente do cursor piscando e da folha em branco e ficar matutando o que seria despejado ali.

Criatividade ou suor, só eu sei o quanto sangro pra fazer isso. Ou quanto entrego de mim. E quanto isso me preenche. E como eu nada seria se não tivesse a escrita. Se não fossem as palavras. E isso, sim, é o Amor que eu sinto pelo que eu faço. Amor que é retroalimentado pelo sentimento que carrego por quem me cerca – e isso vale para todos, até quem eu não conheço, mas que de certa forma é impactado todos os dias pelo que eu faço.

Eu poderia ser o que for e, quer saber, sendo escritor eu posso ser qualquer coisa através dos meus personagens.

É essa empatia que eu busco sempre. Aprendi a escrever mais sensações do que características mais palpáveis. Ah, e isso foi uma das maiores lições que aprendi com o sentimento. O Amor não é cego, ele só não tem olhos carregados de pré-julgamentos como certas pessoas. Ele sabe bem onde encontrar suas razões para amar e, não raramente, esquece de nos explicar. Dane-se, ele diz. Para se amar não é necessário longas explicações, apenas sorrisos sinceros.

E é esse mesmo Amor que move o Mundo. Que faz pessoas ignorarem distâncias, passarem borrachas em passados e seguirem firmes naquilo que acreditam. Que define segundas chances, horas de partir e momentos certos (ainda que precipitados ou com algum tipo de medo). Que nos diz quando cair de cabeça ou recuar um pouco. Que está (ou deveria estar) em tudo.

Por fim, sei que não sentimos exatamente da mesma maneira, mas chegamos perto quando tentamos resumir tudo em palavras. Os “depende” da Vida são fornecidos pelas circunstancias em que nos encontramos e que definem nossas ações, mas que acabam apenas contribuindo para que voltemos na afirmação inicial.

E sem Amor nós nada seríamos.

Torço para que todos descubram o que amam. E amem sem medo algum de serem feliz.

Um Fim Sincero É Melhor Que Ter Uma Sacanagem de Pretexto

“Eu gosto de você, mas não posso ser o que você quer agora”. Talvez essa seja uma das desculpas esfarrapadas mais sinceras que eu conheço. A pessoa sai algumas vezes contigo, demonstra um tipo de querer mais profundo, mas uma hora se vai. Você, que já criava aquela expectativa de de poder se render e se jogar, fica com a mala semi-pronta e o coração na mão. Mas é bom, sabia? É bem melhor ver alguém pular do barco num momento precoce que ver alguém desistindo de algo maior. Sei que batemos muito na tecla do Amor, mas estamos querendo-o a qualquer custo. De qualquer maneira. Estamos colocando num lugar especial quem não deveria nem ser cogitado lá. E a culpa é de alguém? Não acredito em “culpa”, se é que você me entende. Se relacionar, amar, se entregar, saber se é a hora ou não, tudo isso é de um jogo social que demora até aprendermos a praticar. E não tô falando que precisamos saber momentos exatos de enviar mensagens, fazer “joguinhos”, fingir-se de morto ou fazer falta. Tô falando que na experiência empírica do Amor é difícil mesmo começar a compreender os sinais de que alguém não está tão a fim assim de você ou se é algo mais que uma paixonite. Quando se trata de algo já construído e que os dois veem como uma relação certa, sou sempre o primeiro a reforçar a necessidade da preservação e do bom funcionamento para ambos. Só que, sendo alguma coisa rasa, que um dos dois decidiu abrir mão por saber que só iria haver machucados e sabendo que não queria estar mais ali, o fim talvez seja uma das coisas mais incríveis que alguém pode dar. Um fim sincero, justo e sem muito drama. Sem uma sacanagem para servir de pretexto. Um ponto final que, quase sempre, nos dá a chance de começar outra história.

[ Gustavo Lacombe ]

 

Quer me ler mais? Compre meus livros! Aqui:
http://www.gustavolacombe.com.br/livros

O Amor não conserta Cagadas

A gente não tá aqui pra consertar as cagadas de alguém que passou antes na vida de outra pessoa. A gente tá aqui pra ser feliz, pra amar quando dar pé e entender que cada história é única. Se o outro tem medo, se não quer se envolver, se acha que todas as pessoas são farinha do mesmo saco, problema dela! Sim, problema dela! Com exclamação e tudo no final porque não sou obrigado a ouvir “você vai me machucar como todo mundo fez”. Olha, amar é um risco presumido e só quem não teme o corte de novas feridas pode realmente conhecer o lado mais gostoso do amor: reciprocidade. Até lá, não tem como saber se vai dar certo ou não. O Amor não vem com estrela na testa, não vem com certificado de “à prova de falhas”, não vem com sinopse feito filme – e olha que tem muito filme que engana pelo trailer. Talvez o pensamento seja duro e você esteja incomodado com o tom usado aqui, mas do mesmo jeito que muitos querem conhecer alguém legal, há uma boa parte que não quer se abrir e fica jogando a culpa disso em alguém que teve a confiança nas mãos e a desperdiçou. Me perdoa, mas é que eu sou um romântico incurável, que vai defender até a morte o direito das pessoas tentarem mostrar que valem a pena, que podem fazer outra feliz, mas também sei que tudo tem limite. Eu posso bater na sua porta às três da madrugada com flores roubadas e dormir bêbado te ligando e dizendo que a saudade foi mais forte e não deu pra vir amanhã, mas uma hora eu vou cansar. E se alguém ainda tiver a coragem de dizer “se não insistiu mais é porque não era amor”, vou responder com: era amor, sim, mas próprio.

[ Gustavo Lacombe ]

Quer me ler mais? Compre meus livros aqui:
http://www.gustavolacombe.com.br/livros

Eu Te Espero Um Amor

Eu espero que um dia você consiga repousar no colo de alguém e entender que ficar e mostrar um lado frágil não é ruim. É humano. Não somos super-heróis, afinal. Espero que você tenha com quem dividir seus doces prediletos, seus salgados favoritos e até aquela comida que você dizia pra todo mundo que não conseguia dar provinha. Acho que deixar alguém se chegar e se encostar na gente passa por dividir a mesma colher numa panela de brigadeiro, num pote de açaí ou numa garfada de qualquer outra coisa. Espero, de verdade, que você um dia chegue na sua própria casa e, com todos os móveis no lugar, entenda que sem aquela pessoa a casa parece vazia. E, assim, compreender que são as pessoas que ali habitam que a tornam um lar. E, mais ainda, conseguir sentir a maravilhosa sensação de estar nos braços dessa pessoa e, mesmo num lugar completamente desocupado, vazio ou quiçá inóspito, você se sinta em casa. Às vezes, dois braços esquentam e confortam mais que uma cama king size. Torço pra que a saudade ratifique um sentimento. Que você conheça a delícia de matá-la num beijo molhado e até mesmo descubra como é viver a expectativa de abrir a porta, sair pelo portão, esperar na calçada, ver o ônibus, o carro, o avião chegando e abrir um sorriso só pela simples promessa de encontrar com quem se ama. Espero um romance com sabor de fruta mordida, com mordida no pescoço, com pescoços arrepiados, com pêlos ouriçados pelo vento que a boca quase em assovio faz. E, obviamente, o gozo. O regozijar da vida. O sorriso a dois no meio de um quarto escuro. E a lembrança desses momentos quando longe. Espero que isso tudo que eu estou te dizendo não seja um fantasma te atormentando ou uma pressão de um parente que pergunta “cadê os namoricos?”. Que seja real, abrasador, gostoso. Recíproco. Mas, enquanto não chega, eu espero que você não perca seu tempo sofrendo por esse tanto de gente bosta que existe por aí.
 
#ahlacombe
#GustavoLacombe

Algumas Dores Precisam Ser Sentidas

Algumas dores precisam ser sentidas. Vividas. Eu queria conseguir te dar uma parte dela, mas não posso. E o mais engraçado é que você plantou tudo isso em mim. Tá. Talvez seja pouco parte das expectativas que eu coloquei na gente. E não me diga que não deveria. Ou você já viu alguém viver como se a coisa inteira pudesse acabar no dia seguinte?

Isso não existe.

Na minha cabeça a gente ainda tinha um tanto pra viver. Eu vi, sim, que estávamos meio mal, mas que podíamos melhorar. Não funciona isso de chegar num ponto e, pronto, jogar fora. Depois daquela conversa, eu tentei. Pelo menos nisso, meu bem, posso deixar minha consciência tranquila. Não foi por falta de tentativa e sentimento. Eu me doei e continuaria me entregando até realmente atestar o fim.

Pra mim não era. Isso tá na cara. E me corta saber que você agora me olha como parte do seu passado. Logo agora que eu ainda penso, que eu ainda quero, que eu ainda sinto. Agora. Sinto agora. Talvez um dia eu “sinta muito”, mas nem sei direito o que fazer. Meu coração fica nessa de se auto-flagelar enquanto repete que a culpa disso tudo foi daquela toalha em cima da cama, daquele uber que a gente não dividiu, do programa de domingo que não fomos porque eu tava com preguiça.

Sim, eu já falei que a “culpa” não é dele, mas coração ouve alguma coisa?

Algumas dores precisam ser sentidas. Queria ser uma daquelas pessoas que vão pra balada, se enroscam com a primeira alma viva que passa na frente, mas não consigo. Simplesmente não consigo. E fico aqui remoendo, mas eu sei que vai passar. Talvez esse seja o pior. Um dia, quando você não for mais nada, vou ter a certeza de que passou. É uma merda isso.

Alguém que sabia de tudo, uma hora, não vai saber mais nada e nem conseguirá adivinhar o que eu quero comer. Logo você, que sabia de trás pra frente todos os meus gostos, manias e desejos. Desejos. Foda-se, uns amigos me dizem. Eu não consigo internalizar isso ainda. Não há revolta. Há uma frustração. A gente ainda tinha tanto pra ver por aí. É como se a mala estivesse pronta.

E não tivesse com quem viajar.

Mas vai passar. Vou sentir tudo, sentir muito, até sentir muito. Sim, sentir muito por não ter vivido contigo o que eu queria. Quem sabe, nesse dia, eu não sorria por ver que, então, tenho alguém que quer viver isso tudo comigo. Sentindo tudo. Sentindo muito.

[ Gustavo Lacombe ]

Quer me ler mais? Leve meus livros pra casa! Compre aqui com frete e autógrafo incluídos:
http://www.gustavolacombe.com.br/livros

Destino [2]

É engraçado como as coisas acontecem e se atropelam sem  gente perceber, né? Hoje eu me peguei pensando naquele texto que fiz pra você e que dizia que teríamos dois filhos, não os três que você queria. Que casaríamos antes dos 30 e que ficaríamos juntos até bem velhinhos. Lembro como se fosse ontem as circunstâncias e do que repercutiu em nós em seguida. O que era desespero se transformou na síntese de um pedido de desculpas e uma promessa que, infelizmente, parece que não cumpriremos.

Estamos na beira da idade que falei no texto.

Contigo eu aprendi um monte de coisas. Acho que essa é a alegria de levar o que foi bom e atentar para o fato de que mesmo depois da dor, resta algo de bonito. Passamos a olhar pro passado com algum tipo de óculos que oculta as cicatrizes e nos mostra que valeu, sim, muito a pena ter passado por tudo aquilo. Cada um que passa deixa um pouco de si na nossa história e ainda consigo enxergar muito de você no que sou hoje. Consigo ainda sentir muito daquele carinho.

É como se o menino que ansiava pelo teu sorriso ainda estivesse aqui. Como se conseguisse relembrar cada noite, cada quilômetro da estrada que percorria pra ver teus olhos e como te escrevia verdadeiros tratados sobre o que sentia. Eu pegava as frases mais clichêzentas e as metia num texto que, no final, não tinha como esconder a dona. Você. E te agradeço por cada verso que fiz inspirado no que nós dois vivemos.

Obrigado.

Me peguei pensando também, e óbvio, em tudo de mal que fiz. Acho que não tocar nesse assunto é como tentar camuflar o que errei e fingir pra mim mesmo de que fui o melhor que poderia ser. Não fui. Se tivesse sido, estaríamos juntos. Ficou a lição. Olho pro meu presente hoje e tenho a exata noção de que se não fossem os erros do passado, não estaria acertando no presente. E se você me perguntar o porquê de escrever tudo isso hoje, te responderei que não sei. Deu vontade.

Achei que seria uma forma de dizer às pessoas: vivam plenamente tudo. Não se arrependam. Levem as lições, quebrem a cara, mas não desperdicem os segundos. Não tenham medo das promessas mais loucas e das juras mais febris, mas não esqueçam de pesar a rotina, de dormir num sorriso, de descansar num abraço que parece um travesseiro de Amor.

No fundo, penso que tínhamos um plano e, com o passar dos anos, perdemos o timing. Em algum lugar do passado ainda estamos dançando juntos, bebendo juntos, comemorando juntos, esperando a chegada do outro com a mesma ansiedade, trocando mensagens, falando de saudades e vivendo um Amor. Obrigado por ter sido essa história incrível e, ainda que não casemos antes dos trinta – nem com um nem com qualquer outro, que sejamos felizes.

É isso que desejo pra você.

[ Gustavo Lacombe ]

Já Me Esqueceu, né!?

Ela abre uma rede social e vê a foto do ex com a atual. Ri depois de se comparar com ela e pensa “me trocou por isso!?”, mas logo para. O sorriso no rosto do casal incomoda e ela manda “JÁ ME ESQUECEU, NÉ!”. Rola um sentimento de posse ruim nessa hora. O amor vivido não foi esquecido, mas o que se sente é um misto de ódio em ver que ele seguiu e prazer em saber que ela é mais bonita. Mas o sorriso continua ali. Não, nada diz que eles são namorados, há quanto tempo se conhecem, mas ela já presumiu aquilo tudo. Acha até que já viu aquele rosto em alguma foto com ele antes, mas não consegue se lembrar. Arquiteta universos inteiros só com a sua paranoia e cria mundos completos só com as besteiras que sua imaginação é capaz de contar. Pensou em ligar. Pra ele. Acabou conversando com uma amiga que mandou: lembra daquele suplemento que você comprou que vinha dizendo “para melhores resultados tenha uma dieta balanceada”? Então, a própria embalagem já dizia que nessa vida não existe milagre. A perna não vai engrossar sozinha, a barriga não vai chapar sem dieta e, acredite, teu coração não vai esquecê-lo de um dia pro outro. Ela riu da analogia. “Que horrível”, falou, mas viu que era verdade. Quando terminou o relacionamento, cortou o cabelo, voltou a correr e decidiu se cuidar mais. Tinha dado certo. Sentia mais gente olhando, mas o sentimento ainda resistia. Talvez aquela foto tenha servido pra alguma coisa. Pra motivar a se abrir, a viver coisas novas. Perguntou qual era a boa e foi embora pra casa da amiga levando uma mala de roupas. Sim, uma mala pra uma noite. E, naquele dia, bloqueou o ex, como quem precisa de uma camisa de força para não esticar a mão ao que vicia. Bloqueou, sim, e não viu, meia hora depois, que ele tinha editado a legenda e escrito:

parabéns pela formatura, prima!

[ Gustavo Lacombe ]