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Esquizofrenia #18

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Todo casal briga.

Não adianta dizer que você vive um relacionamento dos sonhos porque, cedo ou tarde, vai surgir alguma coisa que quebrará a rotina de sorrisos e dentes soltos e beijos apaixonados. E eu não estou rogando praga para o namoro de ninguém, mas com a gente não foi diferente. Ainda não aprendi a decifrar os “uhum”, os “tá” e os “hm”, mas acho que muitos deles querem dizer “não acredito em você”, “e…?” e o bom e velho “foda-se”.

Nossas DR’s tem direito a monólogo e a presença de cada um deles. Sempre:

– Você não liga pra mim, pros meus projetos. Você é egoísta. Já reparou o quanto você só pensa em si mesmo?

“Respondo, não respondo?”
“Fica quieto, cara”
“Ela fez uma pergunta!”
“É retórica, idiota!”

– E nem falar nada você vai, né? Vai ficar me olhando, como sempre faz. Vai ensaiar um drama, um choro e, depois, eu sei que vou acabar te abraçando. Eu sou uma besta mesmo.

“A gente concorda ou discorda?”
“Hahahaha, você quer apanhar? É só abrir a boca”
“Continuo quieto?”
“Por favor”

– Sabe, eu te dou carinho, atenção e zelo. Eu só quero poder estar contigo e não me estressar. Quero que você seja algo de bom, não mais um problema na minha vida. Não entrei nesse barco pra descobrir que ele já estava furado desde o início. Você realmente não vai falar nada?

“E agora?”
“Fala, fala…”

– Amor… Olha, eu sei que eu erro, mas não é por querer. É o meu jeito e eu venho descobrindo aos poucos o que preciso mudar. Você me ajuda a enxergar o que preciso melhorar… – Hm… – E… é que não é fácil. Eu sempre fui assim. – Tá, mas… – Mas o quê? – Mas vai ser assim pra sempre? Se for, me avisa logo, ok?

“Putz, hoje ela tá atacada.”
“Se eu soubesse que ela ficaria assim às vezes…”
“Mulher, cara… mulher…”

– Eu vou, quero e preciso mudar. Ao menos tentar.
– Tentar? Não é assim que se fala.
– Eu vou. Agora…
– Ih, lá vem.
– Você já reparou que você me esquece? Esse carinho todo é quando a gente tá perto. Agora, longe, você quase não me manda um “bom dia”, nem mesmo uma ligação. Você só fala “também”. Sabe o que isso quer dizer? Que eu sempre estou tomando as iniciativas. Você sempre espera. Não tem um agrado, um carinho. Talvez eu realmente não tenha um “ai” pra falar da gente junto, mas na distância você quase caga pra mim com esse seu jeito frio. Eu gosto de ser lembrado, sabia? Saber que a outra pessoa tá pensando em mim..
– Uhum…
– O que significa esse “uhum”?
– Que até que enfim você parou pra analisar alguma coisa na gente e viu um defeito em mim. Porque até agora a gente só falou dos SEUS defeitos!

“Até quando ela erra, ela tá certa?”
“Mulher, cara… mulher…”

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Esquizofrenia #17

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Andava com a cabeça atormentada, carregando a dúvida de saber se tudo estava dando certo ou não. Já tínhamos tido alguns encontros, mas a ser seguro nunca tinha sido uma característica marcante em mim. Minhas unhas sofriam.

“Tira esse dedo da boca!”
“Deixa eu roer unha!”
“Não”

A questão aqui era a espera por uma resposta. A pergunta era boba, mas o que ela carregava junto é que pesava: quer jantar comigo e com meus pais?.

“Ela vai achar que você quer namorar”
“Eu até que quero…”
“Vocês só ficam há um mês e meio”
“E tem tempo certo pra poder pedir em namoro?”
“E vai pedir na frente dos seus pais?”
“Claro que não” “Não sei se foi um bom convite”
“Cara, é um jantar simples. Aliás, nem é jantar! A gente tá indo num boteco assistir o jogo do Flamengo”
“Ela não é flamenguista, cara…”
“Você só complica as coisas. Agora eu já chamei”

Mais cinco minutos e nada do celular vibrar com a afirmativa ou negativa dela.

“Ela não vai querer ir”
“Para de sofrer por antecipação”
“Ela vai achar estranho. São os pais, cara. Nenhuma menina sai assim para conhecer os pais do cara” “Ela não é qualquer menina” “Mas eles continuam sendo os pais”
“Meus pais não mordem”
“Mas perguntam”
“Hã?”
“Ela pode ficar intimidada”

Quando achei que não havia mais unha para ser comida no polegar direito, a tela acendeu:

– Meu Bem, agradeço o convite! Fico feliz de saber que sou bem-vinda nos programas de família, mas hoje é difícil pra mim. Meio de semana é sempre complicado. Se você quiser, a gente pode marcar algo pro fim de semana e eu levo os meus pais também.

E aí, o que acha?

“E aí, o que acha?”
“Acho que ela sabe blefar, mas se não for isso…”
“Como assim?”
“E eu preocupado com você querendo namorar…”
“COMO ASSIM!?”
“Ela quer é casar!”

Não demorou o celular apitou de novo:

– HAHAHA! É brincadeira, meu Bem. Não surte. Hoje está ruim para mim. Mesmo. Mande um beijo pros seus pais. Adoro o filho deles.

“UFA!”

(Gustavo Lacombe)