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Resenha: “Crer ou Não Crer”

Semana passada li rapidamente o livro “Crer ou Não Crer”, escrito num estilo de conversa entre o historiador Leandro Karnal e o Padre Fábio de Mello.

O que me chamou a atenção de cara foi o subtítulo: Uma conversa sem rodeios entre um historiador ateu e um padre católico.

Pode parecer incomum, mas o debate entre dois mundos tão divergentes é sempre maravilhoso para tentar entender melhor o que sentimos. O jornalismo me ensinou que uma história sempre possui mais de um lado e por que não seria diferente quando se fala de Fé?

Eu tinha comprado o livro na Bienal do Livro de Pernambuco, em outubro do ano passado, mas só vim a ler agora. Esse debate, sim, também me chamou demais a atenção e eu acreditei que pudesse compreender mais do que eu sentia. Li cada página de coração aberto e me senti contemplado diversas vezes na fala uma hora de um, outra hora de outro.

E num ponto eles convergem: é preciso acreditar nas pessoas. Karnal, por ter participado alguns bons anos da vida católica, conhece muito bem os ritos, o que representa cada coisa e, por ser historiador, é um profundo conhecedor das transformações do Mundo pelas mãos das religiões. Ainda assim, mantém um certo pessimismo ao tratar do futuro.

Padre Fábio é figura fácil na Internet, né? Podemos ver seus vídeos, rir com seu Instagram e entendermos logo que a mídia para ele é mais uma ferramenta para levar a palavra de Deus. Ele sente a presença de Deus quando toca o outro e o outro o toca, como diz no livro.

E as duas figuras por si sós já representam muito. São homens muito sábios, que souberam construir uma narrativa com bastante referências e defenderam seus pontos de vista, apesar de eu achar que o Padre fala muito mais dos seus motivos e propósitos do que Karnal.

Não é algo maravilhoso, eu sei, mas é um livro que te ajuda a entender melhor o que você carrega dentro de si. Eu tenho dificuldade de acreditar no Deus mercador, que troca graças por penitências, assim como Fábio diz no livro, mas mantenho a minha fé e sei que não estou perto do conceito ateu do historiador. Vale, sim, para quem já conhece as figuras e se interessa por uma boa conversa.

Entre religião, humanidade, vida, morte e Fé, os dois passeiam por mais outros temas e deixam algumas lições. A do Padre é, principalmente, ler Adélia Prado. A de Karnal é saber respeitar o outro, mas não se furtar de defender a sua opinião.

Como a própria quarta-capa do livro diz, é uma obra que enriquece quem lê, adicionando mais argumentos aos que você talvez já tenha. Isso é, se você achar necessário ter mais.

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Resenha: “O Amor Nos Tempos do Cólera”

Acabei de ler “O Amor nos Tempos do Cólera” e só consigo dizer que gostei. Não de um jeito simples, mas de um jeito que senti a aula alimentada por uma história, seus meandros e personagens bem construídos que, até o final, pareciam terem sido feitos para um livro eterno.

A história narra o Amor de Florentino Ariza por Fermina Daza numa Colômbia antiga e ainda com tradições enraizadas sem muito avanço desde a sua libertação. Assolados por guerras-civis intermináveis e surtos de cólera que volta e meia matavam milhares de pessoas, as vidas dos protagonistas vai se desenrolando a partir de memórias, momentos e, o que mais me encanta em Gabriel García Marquez, fragmentos soltos que, de repente, puxam um fio inteiro de narrativa.

O livro é longo. Depois de ter lido um livro de John Green em três dias, passei quase janeiro inteiro com esse Amor nas mãos. A sensação que me dá ao ter um livro desses para ler é que ele necessita de tempo e atenção, sem poder ser lido em qualquer ocasião por conta da riqueza de detalhes e um vocabulário distante do comum – mas esse é um jeito meu de ler a história e que acho que funciona melhor pra mim.

O livro foi escrito no final do ano sabático de Gabriel logo após ganhar o Nobel de Literatura. Não tem o mesmo realismo mágico de “Cem Anos de Solidão” e é muito mais profundo que “Memórias de Minhas Putas Tristes”, os outros dois títulos que li do autor.

Sobre a história em si, posso dizer que passei o livro inteiro torcendo para que Florentino encontrasse outra razão de viver que não fosse Fermina. Torci para que o casamento dela com o Doutor Juvenal Urbino se estendesse para além da morte de Ariza. E te garanto que fiz isso por que julgava caminhos mais diversos para o fim, que não é nada previsível – mas que pode reservar ainda mais surpresas se você não ler a orelha do livro.

Numa cotação rápida, dou 4.5/5 estrelas para o livro. “Cem Anos” é mais encantador, na minha opinião, o que não me permite dar nota máxima para este. Ainda assim, é um daqueles que você pode bater no peito e dizer que leu. E, assimilando bem diversos conceitos, frases e pensamentos que lá estão, pode terminar a leitura com outra visão do que é o sentimento, do que é o carinho, do que é a Vida em si.

Salve, Gabriel!

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Resenha: “Tartarugas Até Lá Embaixo”

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Acabei de ler “Tartarugas até Lá Embaixo”, novo livro do John Green pra Intrínseca e é inevitável não comparar com os outros depois de você ter lido mais de uma vez cada um dos livros.

O livro é bom? É. Médio. Assim, Aza Holmes tem suas crises de ansiedade e se tem uma coisa que Green faz bem é nos deixar ansiosos juntos com ela. Lembrei insistentemente de uma música do Marcello Gugu que fala sobre crises de ansiedade e como que nunca é a besteira que os outros pensam.

Talvez por isso tenha dado uma chance a Aza. E se tem outra coisa que o livro nos faz refletir bastante é sobre a condição de julgar as batalhas que as outras pessoas travam. Aliás, sobre como NÃO temos condição alguma de julgar as lutas internas de cada um.

E de como precisamos lidar com os nossos próprios monstros.

Green tem seu estilo. E eu gosto. Ainda assim, não acho que esse livro tenha sido o seu melhor. Também não quero dizer aqui que é um livro para não ser lido. Se você conhece alguém que sofre de crises de ansiedade, vai conseguir entender melhor o mundo dessa pessoa. Ou dando o livro de presente talvez a ajude entender que isso não é um defeito de fabricação: é apenas um dos bilhões de jeitos de qualquer pessoa.

Imagino que ele seja um livro interessante para os jovens. Muitos desses que estão construindo sua personalidade, que sentem intensamente e que ainda estão entendo o que é conviver em sociedade e a complexidade disso.

Dentro do gênero em que se insere, “Tartarugas” cumpre seu papel de dialogar bem com seu público e expor uma condição que muitos acham bobeira. A trama por trás dela – o sumiço de um bilionário e as aventuras de duas amigas para conseguir pistas que desvendem o seu paradeiro, chega até a ser esquecida em algumas partes.

O drama humano é bem maior.

Não pretendo virar crítico literário, só pretendo ir comentando aqui os livros que eu for lendo ao longo de 2018.

Quem tiver sugestão de leitura, pode deixar aqui nos comentários!