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Gratidão é um Exercício Diário

Eu confesso que ainda tenho uma péssima mania de supervalorizar tudo que dá errado e não ser grato pelas bênçãos que me chegam. Cultivei esse meu lado masoquista de olhar a Vida e não escondo que, por vezes, me fiz de vítima para tentar ganhar um quê de pena das pessoas. E aí, quando tive discernimento suficiente para olhar pro lado e enxergar o tanto de gente que gostaria de estar no meu lugar, fui obrigado a criar vergonha na cara e entender que, sim, eu sou privilegiado.

E, por isso, não posso ser tão mal-agradecido assim.

A partir daí, então, instala-se um processo de conscientização do meio em que você vive e, também, aprende-se a enxergar melhor os caminhos que te levam à Felicidade. Numa sociedade tão injusta quanto a nossa, ter um lugar pra se morar, uma família para se apoiar e um sonho para dormir é muito. E, felizmente, eu tenho tudo isso. Sei que é bem mais do que muita gente tem. É de se olhar todo dia pro céu e dizer “obrigado” ao Universo, à Deus – ou seja lá no que você acredita.

Tomando posse desse pensamento, certamente você conseguirá compreender quando alguém disser que a responsabilidade da sua felicidade é unicamente sua. E passa por reclamar menos, agir mais e agradecer mais ainda. A chave para se chegar nesse tão falado paraíso está, necessariamente, nas suas atitudes e nas suas mãos. Te garanto que ela não se esconde em nenhuma outra pessoa. Qualquer um que for capaz de tirar a sua alegria não te merece.

As pessoas que nos cercam tem de somar, nunca nos diminuir.

Acredito, sim, que Gratidão é um exercício. Não é todo dia que você se sente feliz pelo que tem. Aquele pensamento ruim pode invadir? Claro. Não somos tão perfeitos ao ponto de aceitar sempre, mas precisamos criar o hábito de transformar todos os acontecimentos em combustível. Digo, sem medo de errar, que eu melhorei por necessidade. Melhorei e ainda busco minha melhor versão por saber que apenas reclamar não me leva a lugar algum.

E mesmo que alguém diga que agradecer também não me leva a nenhum lugar diferente, vou conseguir sorrir e dizer que, ao menos, ele me dá o pensamento positivo de valorizar tudo e emanar ao Mundo as coisas boas que podem também chegar. Não é preciso acreditar na Lei do Retorno, mas eu acredito piamente que tudo aquilo que desejamos e fazemos, volta.

Optei por fazer o meu melhor. E vamos à luta.

[ Gustavo Lacombe ]

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Quando o Jogo Vira

Era pra ser só uma noite, mas seu perfume ficou de um jeito tão intenso no meu lençol que eu levei três dias para deixar de senti-lo no quarto. E ainda demorei alguns pra decidir lavar a roupa de cama. Quando pendurei no varal, tive a certeza de que queria sua essência pela casa novamente. Te liguei. Você respondeu que a gente poderia marcar, sim, mas que naquela semana não dava.

Fiquei maluco, claro.

Sumi da vida dos outros contatos. Não queria um corpo pra bagunçar o edredom. Queria você, com seu jeito de quem vai me dar o Mundo, mas deixa apenas que eu abrace a saudade na hora da partida. Não desejava o ato, mas o fato de ter você por perto a me encantar e me dando a chance de poder retribuir todo o bem que há tempos não vivia.

Deixei que os dias se arrastassem. Mandei algumas mensagens óbvias de “bom dia” e pensei que não estava sendo inconveniente. Acredito que todo ser que se encontre no mesmo estado de espírito que eu se pegue na mesma cilada. Aqueles dois certinhos ficando azuis sem uma resposta breve parecem o atestado de que tudo está terminado. É uma ansiedade.

Boba, talvez. Sincera, porém.

E foi quando você me perguntou “tá livre hoje?” e eu afirmei. Estaria, mesmo que não estivesse. Desmarcaria qualquer coisa; só pra poder te cheirar o pescoço, meter minha boca no teu perfume e comer teu gosto. Só para estar novamente ao redor. Era pra ser uma noite, admito, mas cresceu da noite pro dia e, quando vi, já era um querer incontrolável.

Confesso que já fui da turma dos que vivem momentos fugazes. Só por um momento, sabe? Até que o jogo vira e você vê que não adianta querer apenas colecionar corpos e números que passaram pela cama. E, justamente, foi na hora que não imaginava que tudo isso aconteceu. Querendo de novo, de novo e de novo. Foi te ver pra ter certeza de que não seria simples só matar a saudade.

Você se entregou, me fez experimentar o delírio, revirar os olhos e gostar de arrepios. Eu me empenhei, me sujei do teu batom escuro e fui ao limite do físico pra te mostrar o quanto te queria além daquilo. E, no dia seguinte, você se foi com a mesma pressa que o querer chegou. Largou um bilhete no banheiro, escrito em vermelho pra eu sempre lembrar:

– Foi maravilhoso, mas eu não posso me apaixonar.

[ Gustavo Lacombe ]

Para comprar meus livros:
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Eu até Hoje me Arrependo de Algumas Coisas que Fiz

Ela olhou pra mim e disse alguma coisa que eu não gostei. Não me lembro bem o que foi, mas me recordo o segundo exato em que não aguentei e explodi. Gritei. Na cara dela pude ver a perplexidade de alguém que não esperava aquela reação. Ela, chateada e com razão, simplesmente virou as costas e saiu de perto de mim dizendo que não queria mais conversar.

E naquele segundo eu achei que tivesse jogado fora tudo que a gente tinha.

Talvez seja por isso que hoje eu tente medir e muito as consequências das coisas que eu faço. Não acredito que o perdão tenha o poder de simplesmente apagar as coisas. Nada apaga totalmente um erro, nem mesmo dois acertos posteriores. Você pode, sim, recomeçar e aceitar a nova chance, mas nunca vai conseguir tirar da história aquele episódio ruim. Ele vai sempre estar lá para te lembrar da besteira feita.

Ao meu ver, o mais importante é conseguir seguir. “Como seguir” é o ponto crucial. O arrependimento pode ser carregado para sempre (como até hoje carrego a vergonha por ter feito o que fiz com alguém que amava tanto), mas é a lição que vem junto disso tudo que torna aquele fato ainda mais relevante. Se não há um aprendizado depois, o erro se torna ainda maior.

Como se continuasse a ferir.

Não quero que você pense, então, que pedir desculpas não vale nada e que simplesmente errar e aprender é o suficiente. Pelo contrário. Acredito que quando se erra e se enxerga o deslize, desculpas sinceras são o ponto de partida para um possível remendo, para uma tentativa de cicatrização do mal que foi feito. A partir daí, tudo é reconstrução.

Eventualmente dá certo. Você se arrepende de verdade, tateia caminhos para que tudo fique bem e guarda o erro como experiência. Principalmente para não ser repetido. Eu até hoje me arrependo de algumas coisas que fiz, como o exemplo do grito, mas acredito que aprendi. O difícil é ter que lidar com o fato de errar com as pessoas que amamos para, então, sermos melhores.

É preciso pesar as consequências, não deixar que elas nos esmaguem depois.

[ Gustavo Lacombe ]

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Crise de Vida

Ela morreu nos braços do namorado. Não era Julieta. Ele não era Romeu. O veneno era um projétil de chumbo que entrou pelo pescoço e lhe roubou a Vida. O ladrão nada levou. Além dos sonhos, das esperanças, das paixões e de tudo que ela, o namorado, os amigos e a família dela tinham pela frente, foi embora sem levar nada.

Mais um assassinato nesse Mundo de meu Deus.

Jogam-se fora todos os planos. Todos os dias – ela não foi o único caso daquele dia – buracos vão sendo feitos no peito de pessoas de bem. E, vejam só, nem mesmo as pessoas ruins merecem passar por isso. Porque você pode achar que não, mas até bandidos tem seus “queridos”. Se eles merecem sofrer pelo que fazem, que não seja por perder alguém que amam.

Alguém sorri no meio do velório dela lembrando de como ela sorria, de como ela brincava e lutava para “ser alguém”. Afinal, quem somos para esse país? A sociedade parece que agora se polarizou entre duas correntes que se odeiam e não percebem que é preciso achar soluções imediatas para maiores problemas.

Crise é ter que encarar um guarda-roupa cheio de roupas sem ninguém para vesti-las. Crise é ter que andar com medo de ter as coisas que foram conquistadas com suor de um trabalho duro. Crise é colocar um prato menos na mesa, uma carteira a menos na sala de aula, um abraço a menos na foto de formatura.

Crise essa que parece não ter solução.

A mãe agora tem raiva daquele papo de Destino. O pai se pergunta o que fazer para seguir. O namorado só faz chorar e não consegue aceitar. Nenhum amigo aceita. Quem ouve falar do caso, se lamenta. Quem vê no jornal, pensa “que pena, tão jovem, mais uma vítima”.

Mais uma que se vai. Só mais uma dentre as tantas que aparecem todos os dias nos telejornais. Quantos sorrisos ainda poderiam ser dados? Qual o tamanho da falta? Multiplicada pela tristeza, a conta se torna tão complicada que dar de ombros pro problema parece ser mais fácil.

Nunca será.

Salvador, Rio, Curitiba, São Paulo. Itabuna, Brasília, Goiânia. Manaus, Belém, Campinas. Não importa o nome da cidade, o estado, a cidade, as circunstâncias. Qualquer crime desse tipo é inaceitável.

Mais uma Vida jogada fora.
Até quando?

[ Gustavo Lacombe ]

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Eu Sei Tocar Piano

Achei engraçado o que ouvi num dia desses. Um conhecido meu, depois ter sido apresentado a uma menina, voltou a estudar piano. Aí, você me pergunta o que uma coisa tem a ver com a outra. Simples. Durante a conversa entre os dois, ela disse que adorava homem que toca instrumento. Ele não se fez de besta e mandou logo um “eu sei tocar piano”. Mentira. Ele, no máximo, consegue praticar algumas escalas. Talvez uma musiquinha de Natal aqui, outra peça simples ali, mas nada de demais.

O plano? Impressionar a guria, claro.

No dia seguinte ele já tinha ligado pra professora e marcado a volta às aulas. Acabou mudando toda a sua rotina para encaixar aquelas horas na frente do velho piano de parede do pai e realmente cumprir a promessa que tinha feito à garota: um dia toco alguma coisa legal pra você. Eles passaram a se encontrar mais frequentemente e a conversa sempre voltava ao instrumento. Ela ria do jeito meio bobo dele e dizia baixando os olhos com vergonha “piano é lindo”.

Talvez seja essa disposição que esteja faltando hoje em dia com as pessoas. Mal levo em consideração o fato do cara ter exagerado ao dizer que tocava. Fala sério. O esforço dele em tornar mais que realidade aquilo que tinha dito só pra impressionar aquela garota já era algo de se bater palma. Quando os amigos perguntavam o porquê daquilo tudo, ele simplesmente ficava vermelho e guardava a resposta que tinha pra dar.

Talvez os vizinhos não tenham gostado muito daquela barulheira toda no meio da tarde. Nada é mais chato que alguém aprendendo a tocar um instrumento. Não sai nada de muito interessante dali. Só que, uns dois meses depois, ele finalmente conseguiu convencê-la a ir escutá-lo. E não foi um convite malicioso. Chamou-a pra assistir a uma aula mesmo, com direito a exercícios intermináveis e músicas sem graça levadas pela professora e ensaiadas à exaustão.

Depois da aula e da professora ir embora, ele tocou “My Funny Valentine”.

Ela conhecia, sorriu. Ele sabia daquilo, viu. Errou umas três notas, nervoso. Devolveu o sorriso. Ele sentou um pouco mais pro lado do banco e fez sinal pra ela se sentar ao seu lado. Ela veio. Se encostou. Sorriam de novo. A música acabou, mas outra coisa começou. Um beijo. Uma história. Pensou na resposta que nunca deu aos amigos, mas que sempre pensava quando eles perguntavam:

– Se vocês vissem nela o que eu vejo, não aprenderiam só um instrumento. Construiriam logo um foguete só pra mostrar como fica o coração toda vez que ela se aproxima.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:
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Tudo tem um Porquê

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Dizem que tudo acontece por um motivo.

Existem tantos nomes bonitos que damos aos acontecimentos. Destino, sorte, acaso, propósito. Falam também que tudo tem uma razão, mesmo que não consigamos enxergá-lo agora. Quantas vezes você já acreditou em coincidência? Quantas vezes você achou que aquele momento era para acontecer porque você se esforçou, lutou e julgou merecido? Ou, ainda, quantas outras vezes você se pegou falando a expressão “por um acaso…” sem perceber a força dele.

É o que dizem, né?, tudo tem um porquê.

Nem todos os caminhos são escolhidos. Alguns são compulsórios. Somos atirados neles e é preciso esfregar muito bem os olhos para acreditar no que está passando. Outros são verdadeiros presentes que se abrem em forma de oportunidades. É um eterno perde-e-ganha. São passos em trajetórias que nem sempre se mostram fáceis, mas acabam nos desenhando dificuldades. Mostram obstáculos que, para qualquer pessoa que tenha um sonho, se tornarão apenas detalhes.

O que não te dizem (nesses ditados batidos que a rotina coloca nas nossas timelines diárias) é que você sempre pode fazer algo diferente com o que acontece. O jeito que se reage a cada situação pauta como ela será encarada dali em diante. Don Quixote, se o conhecem, via nos moinhos de vento dragões que cuspiam fogo, mas mesmo assim os enfrentava. Um lunático para alguns, um sonhador para outros.

E é exatamente assim. A vida é dividida entre aqueles que acreditam e os que estão ocupados demais desdenhando dos que acreditam.

Claro que sempre surgirá quem diga ter “falta de sorte” ou que tudo aconteceu “porque estava escrito”. Ainda assim, sempre haverá uma história a ser contada sobre como se tentou e batalhou até que aquilo desejado acontecesse. Porque, se você quer muito alguma coisa, não importa quantas derrotas se conheça. Busca-se a vitória.

O que é pedido de nós, em certos momentos, é que não nos prendamos às definições do dicionário para o que ocorre, mas que se encare com determinação e coragem o que aparecer, tendo medo ou não. Felicidade é apenas um ponto de vista pelo qual costumamos não olhar, mas está sempre pronta para aparecer. Arrisque viver.

[ Gustavo Lacombe ]

 

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Costume

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Acostumar a gente acostuma.

Quando o cobertor é curto, o corpo cria o hábito de se encolher mais até achar uma posição em que a parte exposta não reclame tanto. É preciso dormir de qualquer jeito. Quando a cicatriz expõe um acidente, há quem faça uma tatuagem por cima, ou passe maquiagem sempre. Dá-se um jeito, principalmente, de conviver com aquilo na tentativa de ignorá-lo – mesmo aquilo tão presente e impossível de não ser notado.

Como a falta que o grande amor faz.

Então, claro que eu consigo sair à rua e encontrar meus amigos, minha família. Claro que eu posso me sentar à mesa, pedir meu chopp, matte ou seja lá o que for e conversar sobre as amenidades. Inclusive, eu posso continuar contornando meus problemas. A vida não para porque alguém pediu um tempo ou foi embora. Segue, às vezes, num ritmo mais frenético até. E, então, é claro que eu posso responder o “como você está?” com “tudo ótimo”. Ignorando o olhar desconfiado e dando a certeza com a minha fala segura, consigo seguir o roteiro e emendar um sorriso.

A gente acostuma.

A falta vai deixando de ser buraco e vai dando lugar a uma saudade que anda lado a lado, dando a mão na maioria dos momentos e preenchendo o vazio. Os lugares que faziam lembrar, agora simplesmente lembram, mas sem a necessidade de colocar a pessoa ali. As situações que remetiam aos acontecimentos passados e as músicas que serviam de teletransporte agora apenas acontecem. É o costume de alguém perguntar “e fulano?” e retrucar com o já ensaiado “ah… passou, né?”.

Pode até não ter passado, mas a gente acostuma.
Acostuma até a mentir dizendo que se acostumou a viver sem ela.

(Gustavo Lacombe)

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Espontaneamente Nós

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Vou deixar implícito o que eu quero. Será num comentário, será numa atitude. Vou deixar dicas de como você pode me ganhar, o que fazer pra me conquistar e me entender. Complicações existem e pode ter certeza que eu vou achar e te mostrar as minhas durante o caminho, mas por que não simplificar as coisas algumas vezes? Nem tudo deve acabar em nó, é preciso ser laço.

Da sexta-feira à noite de badalação ao domingo preguiçoso no sofá, você pode escolher o que fazer. E quem sabe a gente não estica nada durante os dias úteis dando mesmo mais “utilidade” à eles? Acho que tomar as decisões nunca foi o meu forte, mas quando apresentado às opções posso surpreender decidindo pelo mais trabalhoso ou até mesmo por aquele programa que você sugeriu por puro blefe: subir a serra, ver as estrelas durante a noite e voltar pela manhã.

Não brinque comigo, posso aceitar convites mais complicados.

Ainda assim, se a gente cair na rotina e tudo parecer mais do mesmo, pode ter certeza que irei apontar o que não está me agradando. E não hesite em fazer o mesmo. Não preciso de alguém fazendo minhas vontades, mas de alguém que faça uma parceria e converse sobre tudo, sem fugir de nada. Inclusive dos problemas.

A única coisa que eu vou exigir é espontaneidade. Não posso mudar seu jeito e muito menos controlar os seus passos. Quando estiver comigo, que seja porque você quer. E que esteja presente, de corpo e pensamento. Quando me convidar para algo, idem, e assim sucessivamente. Desejo apenas que exista vontade. Querer em caminhar comigo. Sem enrolação.

Trocar o “e se fôssemos?” pelo simples “vamos?”.

Com você, só se for agora.

(Gustavo Lacombe)

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Deixa Essa Barba Aí!

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Duvidei muito.

Aliás, ainda duvido. Meu pé atrás tem explicação. Não que seja sua culpa. Pode colocar na conta de quem veio antes e não soube o que fazer com todo o tempo, sentimento e vontade que eu entreguei. Nem todo mundo sabe administrar a felicidade que alguém coloca nas mãos.Aí, você me chega com esse sorriso, com esse arrepio toda vez que eu passo pelo seu pescoço e você diz que a minha barba te acende. Engraçado. Tão natural quanto crescer pelo no meu rosto é o desejo de te fazer bem. Junto uma coisa na outra e vamos em frente.

Por favor, deixa essa barba aí!, você sempre pede. Façamos amor que eu não faço a barba, respondo.

Cheguei a acreditar que amor era só uma palavra perdida no dicionário e nas definições bem mal definidas dos poemas, textos e frases de amor. Enjoo disso. Aquela gente se lambendo em verso e prosa. Mas você só consegue ver assim enquanto não sente o mesmo. Quem ama sabe que é preciso um carinho. Sabe que é necessário um mimo, um gesto. E cada um que encontre o melhor jeito de falar ou mostrar. Entendo quem goste de escrever para alguém. Ou quem leia algo bonito e lembre. Até marcar no facebook. É justo.

Compreendendo que isso (o Amor) nos torna um tanto quanto ridículos, você começa a fazer as mesmas coisas ridículas, a agir de maneira ridícula, a dar apelidos ridículos e fofos. E claro que a gente já tem os nossos. Né, Pequena? Eu ainda tenho minhas dúvidas porque, a cada dia que passa, isso cresce. Fico me perguntando até onde será possível. Não tem fim. Tá bom, estou ficando ridículo. Só que é isso. É um querer bem que não cabe mais em mim. Já chego ao ponto de afirmar que sou teu. De corpo, barba e coração.

É… pra quem duvidava, você fez uma mudança e tanto em mim. Eu apostava que amor não existia.
Até que te conheci e vi o quanto eu apostei errado.

(Gustavo Lacombe)

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Não Sufoque

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As pessoas precisam de espaço.

Espaço pra terem saudade, pra sentirem falta. Ninguém consegue se dar conta de que a presença da outra pessoa é realmente importante se ela está sempre ali. Você se acostuma, torna banal algo que deveria ser raro e especial. Não que um encontro precise acontecer só de tempos em tempos, mas marcar presença constante é sufocante. Como um lençol, que precisa amenizar o frio, não matar de calor.

Alguns de nossos pares funcionam assim: precisam estar longe para sentir o quanto querem estar perto. É estranho? Sim, mas te garanto que é perfeitamente entendível. Querem um tempo. O Tempo é tão único que cada um tem o seu. Enquanto estar ao redor de alguém não for bom pra um dos dois, tenha certeza que nada frutificará. Pelo contrário. Tentar agradar demais, elogiar demais, se mostrar disponível demais, apenas o fazem se tornar mais um rapidamente.

E isso nada tem a ver com saber – ou não – dar valor.

É apenas uma questão de dar espaço, como já dito. Nem todas as coisas precisam de você, aceite. A vida segue com ou sem a sua presença. Mas quando ela acontecer, que seja por uma boa causa. Ainda que ligações de madrugada, mensagens no meio da tarde e esperas na saída do trabalho sejam sempre bem vindas, tornar surpresas rotina acabam fazendo com que essas mesmas surpresas sejam banais.

Um “eu te amo” dito repetidas vezes enjoa. Claro que, em alguns momentos, pode-se gastar as palavras (acompanhadas de gestos, por favor!). Em outros, um olhar já diz tudo. A distância é craque em tornar palavras abraços. Quando não se pode estar perto, quer se estar presente de alguma forma. Mas nenhuma tecnologia vai substituir o físico. Assim, estar dentro do coração do outro é bem mais importante.

Valorizar o momento a dois é tão importante quanto compreender que os momentos sozinhos também são bons. Por mais que se construa uma estrada junto, cada um tem que fazer sua parte, tocar sua vida e assumir seus projetos. Para tal, é preciso saber onde começa e termina o quadrado de cada um. Querer um tempo para si não é egoísmo, nem tampouco prova de que não se gosta mais de alguém.

Às vezes é apenas uma mera necessidade.

(Gustavo Lacombe)