Quem Teme a Saudade?

Tem gente que ouve a palavra “saudade” e já sente um arrepio. Tem quem morra de medo de senti-la depois de um encontro, de uma pessoa distante ou de alguém que “não vale a pena”, mas é impossível controlar o sentimento. Saudade, pra mim, aparece depois que valeu ter vivido algo, valeu ter conhecido alguém e que representa os momentos marcantes da nossa trajetória.

Saudade é a certeza de um lugar para onde voltaríamos, de alguém a quem nos entregaríamos e até mesmo os passos que daríamos novamente para chegar onde chegamos. É atrelada à dor porque pode aparecer em momentos inoportunos. Pode não ser tão bem recebida em diversas ocasiões, mas vira e mexe vai nos fazer ver que um coração que não a carrega é um coração que não viveu nada de incrível.

Como um defensor da arte de “se entregar” e aproveitar a vida sem medo de ser feliz – e sabendo que se machucar é apenas um lado dessa moeda, vou continuar olhando com carinho para a Saudade e levando bem ao pé da letra o que diz Gonzagão na sua música. Lembrando por lembrar, vemos que foi até bom. Mas se a saudade amargar, a gente canta. Espanta os males, faz rima, verso, liga.

Se declara. Vai atrás.

Compreendo que existe também a saudade por quem já partiu e de momentos impossíveis de se viver de novo, mas pra todo Amor que ainda dá pé e que deixa o sabor gostoso de saudade no corpo, eu digo: vá atrás. E pra quem não gosta de tê-la, nada melhor do que transformar um “eu tô com saudade” num “desce que eu tô aqui embaixo”, “vem que eu tô aqui fora” ou num “não deu pra esperar até amanhã, vim hoje”.

Se não há remédio para ela, que pena. Mas aos que podem acabar com ela, que não tenham piedade. Dissolvam a saudade num beijo, num abraço ou até numa simples ligação, mas não deixa nunca que uma saudade fique entre você e quem se ama.

Mate-a com ainda mais Amor.

(Gustavo Lacombe)

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Arame Farpado

Saudade é um arame farpado que, sorrateiramente, vai envolvendo o Amor. Depois de abraçá-lo, passa a apertá-lo com toda a força característica dos sentimentos que nada tem a perder. Ela sabe que um simples encontro a faz acabar. Então, aproveita cada momento que pode para machucar, sufocar e marcar o peito. Mas é quando a Saudade pensa que está prestes a vencer – com a certeza digna de uma péssima vencedora que se transforma em perdedora de última hora – ela vacila. O Amor, se fazendo de morto, tira uma carta da manga (seja ela um telefonema, uma carta antiga ou uma loucura), e se afrouxa do estrangulamento. Retruca a vil investida e ganha forças. Resiste o suficiente para agüentar até a próxima troca de olhares, até o próximo encontro, próximo beijo, desejo. Até, enfim, se livrar da dor que a falta traz. As marcas cicatrizam e ficam como troféus da resistência.

Forte é o amor.Girassol_Arame_farpado_by_dullafoto

Tudo Aquilo Que Camuflo Pra Não Dizer Que Te Quero

Eu ainda me perco no teu olhar toda vez que encaro tua foto. Fico parecendo aquelas carinhas de celular escondendo o rosto. E confesso que abro algumas redes sociais só pra mergulhar mais uma vez nos teus olhos – com o cuidado de não dar bandeira claro. Já imaginou se te ligo por engano? Esse querer escondido, fruto de uma vontade que eu nem sei de onde veio, parece estar em tudo que eu vejo e que me faz lembrar você. Longe de ser uma obsessão, mas um vício gostoso que eu gosto de ter.

E não consigo escancarar.

O medo de dizer como eu me sinto parece esbarrar na certeza de que o “não” (que eu já tenho) se materializará. E eu sou péssimo para lidar com rejeição. Sou péssimo em me abrir e ter que ver o outro dizer que não preciso revelar esse tanto de coisa. Sou pior ainda pra aprender a desfazer as minhas certezas. E eu me agarro à dúvida antes de saber que você realmente não me quer.

As coisas que te falo e depois emendo com um “tô brincando” apenas refletem o espírito de quem não sabe como chegar e dizer “olha, eu queria uma chance de te fazer feliz”. Uma, que seja. E que, entretanto, ensaia todos os dias isto diante do espelho. Na minha platonidude, podendo ser objeto direto da fala de Platão e seu olhar de desejo ao que não se tem, miro de longe quem eu queria ter tão perto. Continuo torcendo para que o teu sorriso mantenha-se aberto – como eu sempre gostei de ver.

E como eu adoro saber que está.

Se um dia, por fim, eu criar coragem de dizer, espero ser capaz de te fazer compreender que sempre existiu o medo que converte todo lindo sentimento em segredo. Só que não adianta. Um dia, eu sei, diante de tudo que transborda em mim e que sinto ao estar junto a ti, vou acabar deixando escapar em sussurro tudo aquilo que camuflo nos meus “bom dia”, “você tá bem?” e “se cuida”. Tudo que eu nem preciso dizer, visto que os olhos já brilham quando eu estou com você.

[ Gustavo Lacombe ]

“Faça Aquilo Que Ama e Não Trabalhará” é Mentira

Lembra quando alguém te disse que fazer aquilo que ama é um passo importante para não precisar mais trabalhar pelo resto da sua vida? Então, se você já trabalha com o que ama deve ter percebido que essa é uma das maiores mentiras que poderiam ter nos contado, né? E o motivo é simples: trabalho, por melhor que seja, uma hora vai pesar para o lado negativo que muitos colocam na palavra. E, sim, vai dar vontade de jogar tudo pro alto.

É mais do que normal.

A diferença é o que se faz com a frustração ou a decepção ante resultados ou respostas. Desistir, para quem faz o que sempre sonhou e coloca-se de coração inteiro, parece ser uma alternativa que nunca será viável. E espero que não seja mesmo. Persistir e ser resiliente (palavra da moda) é a grande sacada. Não que seja fácil assumir esse caráter ou se aprenda logo com alguma cartilha na esquina, mas é fundamental saber que nem tudo dará certo de primeira.

Fundamentais são os “nãos” que recebemos pelo caminho. O que conta, a partir deles, é quanto de ânimo é injetado nos projetos e quanto ficamos dispostos e melhorar falhas, assumir defeitos e corrigir todo o resto para, enfim, receber um “sim”. Ou, no caso de quem precisa de um resultado, não de uma resposta, são essas correções que determinam o sucesso de uma ideia. Mas, olha, tudo se comprova no tempo, tá?

Nada é pra já.

Entendo que vivemos numa sociedade que adora o que faz sucesso imediato. Uma foto, um bordão, um deslize e viramos capa de jornal. Basta um piscar de olhos para irmos ao topo e, acredite,  queda demora bem menos. Fazer o que ama, nessa lógica, é saber que todo seu esforço está em algo que se torna a sua vida. E acredito que o segredo não é “não trabalhar”, mas trabalhar com mais afinco ainda – sabendo que ser bem sucedido passa diretamente pelo seu esforço e pela sua força de vontade.

Como bem diria meu pai “trabalho é trabalho”, o que implica na certeza de que haverá dias insuportáveis e outros maravilhosos. Dias em que jogar tudo pro alto será quase a única saída e outros em que o Mar de Rosas se apresenta pronto a ser navegado. Essa dualidade é da vida. Saber lidar com ela é prova de maturidade. No fundo, pensar em abrir mão de tudo é parte da nossa formação e entendimento da dificuldade que é viver um sonho.

Fazer isso de verdade é que se torna o problema.

Confiança em si, suor diário e busca incessante por mais conhecimento para transformar a realidade são apenas alguns pontos que sempre ouvi falar. O ditado é certo: apenas no dicionário o sucesso aparece antes do trabalho. Mas a palavra que surge antes dessas todas é Amor, que nos diz desde o começo que é preciso não se esquecer do sentimento que se coloca nessa equação. E se ele se infla nos dias bons, é o que sustenta os dias ruins. Dias em que o trabalho será mais trabalhoso do que nunca.

Dias em que nossa fé é testada e apenas repetimos: eu já sou um vencedor.

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Para Se Descobrir Enfim

Depois que a porta bate, menina, pode ter certeza de que nós já começamos tudo. Não precisa esperar a penetração ou nada parecido. Transar é algo que começa muito antes disso. Gosto daquela definição de que o sexo começa na cabeça, no estímulo, nas preliminares. Então, quando você vira pra mim e diz “quero transar contigo” e já estamos sem roupa e abraçados na cama, só quero te mostrar que já começou. Tudo. Cada etapa conta. Até porque, garota, eu só vou entrar depois que você pedir. Só vou parar de te chupar quando você estiver explodindo de desejo. Só vou me contentar quando te ver revirando os olhos. E sei que vamos ter mais dias como esse, que vão melhorando conforme você vai se descobrindo cada vez mais mulher. Claro que se a gente for comparar experiências, eu “sei” muito mais do que você. Mas o que eu trago pra cama que é tão surpreendente assim? Não quero nem de perto soar com tom “professoral”. Pelo contrário, quero é me redescobrir e te fazer se sentir segura o suficiente pra se soltar. Sou daqueles que defende com unhas e dentes, arranhões e mordidas, chupões e marcas na pele, que todos nós devemos revelar nosso lado “safado”. Que, sejamos francos, todos nós temos. E eu vou te fazer achar essa sua faceta. Sem pressa. Próxima vez, eu levo uns pornôs, umas algemas e vendas. Velas. Sei lá, podemos ler uns trechos do “50 tons”. Damos um jeito, inventamos um modo nosso, acendemos essa fogueira e não vamos querer apagar. Aliás, eu quero é me queimar em você. Me arder nesse teu fogo de mulher.

[ Gustavo Lacombe ]

A Raiz é o Respeito

Nenhum relacionamento sobrevive sem respeito. Você pode amar infinitamente uma pessoa, mas se notar que ela não te respeita, certamente não conseguirá ficar. Dizem que o limite do Amor, então, é o Respeito que carregamos por nós mesmos. Claro que, colocando na salada, podemos dar outros nomes como “amor-próprio”, mas a prática é essa mesma: você fica com quem tolera, compreende e aceita muitos dos teus defeitos e manias. E que, também, aprende que cada um é um ser diferente. Somos todos Universo em expansão, mas cada dia é um big bang diferente. Insistir é, sim, prova de que você acredita num namoro, num casamento ou até mesmo num “rolo”, mas tudo chega ao seu limite. Se encontrar com quem se ama e provar de sua recíproca é como viver um carnaval fora de época no coração, se livrar de uma relação tóxica é como fazer um Natal antecipado: é como se dar um presente. Às vezes, não enxergamos que estamos sendo desrespeitados porque estamos envolvidos demais. É aquela velha história de faltar perspectiva quando se acostuma a olhar muito de perto. Temos até quem nos fale, mas as palavras entram por um ouvido e saem por outro com uma velocidade incrível. Ficamos cegos. Juro que fico pensando com um misto de pena e raiva de quem faz o outro perder tempo na Vida desse jeito. Afinal, existem várias formas de não dar respeito a uma pessoa e prendê-la por carência ou algo parecido é uma delas. Você rouba o tempo do outro. Tempo, nossa jóia mais preciosa. Nossa Vida. Mas, se o que restar forem boas lições e o sorriso se mantiver no rosto, bola pra frente. Vamos aprendendo devagarzinho que o carinho e o amor da rotina do “bom dia” ou das fotos tiradas pra posteridade são apenas o florescer de algo bem mais importante e vital numa relação: o respeito. Raiz de todo Amor, Respeito é base pra qualquer que venha a ser o tipo de flor.

[ Gustavo Lacombe ]

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