Que a Felicidade se Acompanhe

Vejo a sua alegria e me sinto contagiado.

Sei que, assim, posso ser feliz também. Mas repara, é a sua felicidade. Por mais que me pegue pela mão e me embale junto nas suas comemorações, não são conquistas minhas. Ok, existe aquela coisa bonita e que eu piamente acredito que o que você realizar aí vai ser como uma realização aqui também, mas falta, sabe? Não? Queria que você entendesse que sou feliz por você, mas preciso de boas notícias pra mim do mesmo jeito.

Lembra sobre o que eu te disse da minha felicidade acompanhar a sua? Pois é, acho que não tem sido assim.

Vejo seu sorriso, retruco com o meu de sinceridade e felicidade por ver que, depois de tanto tempo, todas as suas batalhas estão sendo ganhas. Talvez a pior guerra que eu trave hoje seja contra mim mesmo e tudo isso de não saber o que fazer da minha vida. É chato olhar pras pessoas e ver alguns sonhos parecidos tomando forma e não conseguir botar pra fora os meus. Não tenho inveja. Acho que não faria bem pra minha alma. Tenho pena de mim.

Nossa, agora você vai falar que eu não posso ter pena e que preciso lutar.

Calma, seu discurso é sempre o mesmo porque eu fico falando dos mesmos problemas e não me mexo. Ah, queria que ter a sua disposição, sua força de vontade, seu brio. Eu me espelho em você, acredite. Você me faz ser um homem melhor, mas que vive enfiando os pés pelas mãos. A gente, às vezes, se frustra porque quer. E eu tenho essa mania idiota de me machucar. Vou tentar, não por você, nem por ninguém, mas por mim. E você que me ensinou isso.

Quando a gente faz alguma coisa, não é porque precisa provar algo. Não se precisa provar coisas para os outros. Os sonhos são provas de que nós mesmos fomos capazes, mas são apenas nossas provas. Os seus sonhos realizados são apenas seus, ainda que alegrem todos aqueles ao seu redor. Espero que a minha felicidade consiga acompanhar a sua.

Espero ser tão feliz um dia quanto vejo que você tem sido agora.

(Gustavo Lacombe)

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Erros de Português

Tod
Tome um porre de livros que a ressaca é de cultura.

Tenho tido bastante retorno do meu público. Muito obrigado – mesmo – a todos que me leem. Essa reflexão vai para o público jovem que me acompanha (a faixa de 18 a 25 anos é maioria entre os leitores daqui).

Fico feliz que esse retorno exista. Acho importante estar perto de quem gosta do que escrevo. Recebo constantemente e-mails, mensagens e afins demonstrando incentivo, carinho, dando ideias, ou até mesmo críticas que me ajudem a continuar o meu trabalho (por mais hobby que ele seja). Entretanto, nunca deixo de me entristecer quando percebo seguidos erros de português. Queria eu morar e viver num país em que os níveis de alfabetização fossem os mais altos possíveis e que as todas as crianças soubessem ler e escrever. Mais do que isso, que as pessoas conseguissem ler bons livros e escrever bem na sua língua-mãe.

Sei que temos bons livros. Meio caminho andado.

O que me assusta, então, é o fato de um jovem ter acesso a um computador, internet e, por mais precário que seja o lugar onde mora, condições de ter uma educação básica, mas continuar cometendo deslizes bobos no nosso tão combalido português. Veja bem, não quero que todos saibam a classificação das orações, o que são as desinências ou saber todos os tempos verbais. Nada disso. Nosso idioma é um dos mais difíceis do planeta, cheio de regras e leis que, muitas das vezes, são impossíveis de decorar. Só que escrever “de mais” e “concerteza” não dá.

Uma vez uma menina me perguntou como ela poderia melhorar a escrita dela. Lendo, eu respondi. O Brasil é muito bem servido de bons autores e consumir as suas palavras é um ótimo modo de assimilar vocabulário e enriquecer-se culturalmente. E o que apreendemos dos livros, ninguém nos toma. Mais importante que o grau de instrução que uma pessoa tem, a vivência e intelecto dela são a sua base. Portanto, jovem leitor, não tenha medo de aventurar por Machado de Assis,  José Lins do Rêgo, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Luís Fernando Veríssimo, Ruy Castro, entre outros.

(Essa lista, certamente, seria bem maior que esse post.)

Então, o prazer de uma boa hora de leitura é a única saída para se compreender melhor as articulações do português, além do benefício de escrevê-lo e falá-lo melhor. O objeto em si, o livro, é algo que vem barateando cada vez mais e é possível achá-lo a preços módicos em sebos. Ou, então, recorrendo a bibliotecas públicas onde se pode pegá-los emprestados. Na última semana eu comprei alguns livros (até lançamentos) e nenhum deles passou dos vinte reais. Mesmo sabendo que viver está com um preço alto, lembro que há coisas que o dinheiro não compra.

A sua educação é uma delas.

(Gustavo Lacombe)

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Roupa Suja

Ele costumava me abraçar depois que a gente fazia amor. Tudo bem que nem sempre gozávamos juntos, mas ver a cara dele de prazer comigo era suficiente pra mim. Até que um dia – e é sempre assim “de repente” – ele virou a cara e saiu da cama. Acendeu um cigarro, foi ao banheiro e, quando voltou, pediu que eu me arrumasse, que estava tarde e que me levaria em casa.

Oi?

A casa era dele, a cama dela, a mobília dele, tudo dele. Algumas almofadas eu dei de presente, tinha até uma gaveta pra guardar as minhas coisas, mas nada de demais. Ali eu era apenas uma reles convidada, mas com tempo suficiente de relacionamento pra me sentir à vontade. Até calcinha no chuveiro eu já esquecia. Erro grave meu, eu sei, mas acontecia vez ou outra. Só que nunca tinha sido tratada daquele jeito. Por ninguém.

Talvez seja assim que se iniciem as decepções, nas atitudes impensadas que quebram a rotina para o mal.

Nem discuti. Peguei minhas roupas, passei a mão na bolsa e fui embora. Enquanto ele ficava me puxando e tentando explicar que precisava acordar cedo, eu me vestia, ligava pro táxi e ia andando. Saí da casa, fui pro portão do condomínio e, mesmo sabendo que ele queria esclarecer os motivos, me senti uma puta.

Uma puta que é mandada embora assim que a farra acaba.

Claro que eu aceitei as desculpas. Ele passou uns dois dias ligando e deixando recados. Apareceu no meu trabalho, mandou flores e entendeu o que tinha feito. Era o mínimo. Percebi que essas coisas acontecem. Mal entendidos que corroem, mas, mesmo assim, disse tudo o que senti e como me senti naquela noite.

É muito mais fácil colocar as cartas na mesa e não engolir sapos. Roupa suja de problema é pra ser lavada antes de acumular, ou depois os dois sofrem juntos por terem se omitido. E eu já era grandinha demais pra não dizer as coisas.

(Gustavo Lacombe)

Eu Fico Imaginando

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Eu fico imaginando os motivos, porquês e outras razões que te fazem ser assim. Riso solto, iluminar o ambiente deve ser fácil. Não posso te ter, então fico pensando como é. O jeito que você trata as pessoas, passando pelo carinho com que fala com os outros, até o jeito como você se trata. Se cuida da pele, passa hidratante no corpo, os minutos para se maquiar antes de uma festa na frente do banheiro ou com pressa no ônibus indo pro trabalho, e fico rindo me perguntando o que leva alguém a pintar uma única unha com uma cor diferente das outras. Deve ser mais um dos tantos mistérios que você tem. Até saber se você fica bonita quando tá nervosa eu imagino. E é estranho deixar alguém entrar tanto na minha cabeça. Vou dos seus detalhes de pintas no rosto até o que já tá na minha frente, como o colo onde o cabelo cai me fazendo imaginar se o tamanho do seu sutiã é compatível com o tamanho das minhas mãos. E em pouco tempo, vale dizer. Quem entende? Bota uma música aí que faça lembrar de mim que aqui eu tô enxergando nós dois dançando rosto com rosto e sua voz no pé do meu ouvido. Fico viajando, literalmente. Ruim é não fechar os olhos, piscar e brotar do seu lado. E se eu (ainda) não posso ter, eu fico imaginando.

E a minha imaginação é foda.

(Gustavo Lacombe)

Primeiro/Último

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Eu não ouvi o seu primeiro choro, mas vou odiar o próximo. Eu amei o seu último beijo, mas nem quero saber quem deu o primeiro. Dar as mãos pra você é o que as minhas sempre anseiam em fazer, mas nem ligam pra quantas passaram pela mesma situação. O importante é que você as segura agora.

Gostar de você mais que ontem, menos que amanhã, era só um clichê bobo até perceber que era exatamente o que acontecia a cada vez que acordava e sabia que era seu. O primeiro sorriso que você me deu me encantou. E eu vou guardar até o meu último só pra você. Se vai virar rotina? Tomara que sim. Mas aí chegarão os filhos pra quebrar a monotonia.

Sabe, eu não vi você começar a andar, não ouvi suas primeiras palavras, não vi você aprender a ler, escrever, cair, se machucar, aprender, consertar, sofrer. Eu, de repente, te peguei pelo meio do caminho. Sua história vinha sendo contada e foi mais um dos motivos pra me apaixonar: faltava um grande romance.

O primeiro perfume que você usou devia ser bom, mas esse de hoje é matador. A primeira vez que você se maquiou deve ter sido uma experiência e tanto pra você. Mas ontem, quando você se produziu, vi uma linda borboleta virar uma maravilhosa borboleta. Até porque, você ficou só 1% mais bonita. Acho que 101% de beleza tá de bom tamanho, né?

Você é o motivo de hoje eu enxergar amor em qualquer coisa. Você me critica e me dá força pra lutar. Você faz por mim o que nenhuma outra fez. Sabe o quão distante você chegou? No fundo do meu coração. Eu não sei pra quem você disse o primeiro ‘eu te amo’, mas tenho certeza de que quero ser o último a ouvir isso de você.

(Gustavo Lacombe)

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obs.: Texto antigo, mas muito pedido no Facebook. Ah, e que eu adoro também.

Fechou o Tempo.

Fechou o tempo. Nuvens vermelhas carregadas de coraçõeszinhos se aproximam da sua vida e, no trajeto pra casa, você tem certeza que vai procurar as marquises dos prédios e os toldos das lojas e estabelecimentos que te ofereçam segurança para realizar todo o percurso sem se molhar. O guarda-chuva na bolsa, pronto para água, sabe que não vai poder fazer muita coisa se um daqueles artefatos atingi-lo. Será queda na certa, rumo a um caminho já conhecido e, por isso, bastante temido por todos que se vêem na iminência de se banharem com as gostas do amor.

Encostada com a cabeça na janela, a preocupação escorre junto com um pingo que o vento trouxe. Você suspira aliviada. Era só um ar-condicionado. Volta suas atenções para o trabalho, mas não consegue encontrar concentração. O celular vibra, distrai e carrega ainda mais o nebuloso céu lá fora. Já já começam os trovões. Por quê, meu Deus?, você se pergunta. Por que logo agora que a vida com S de solteira estava tão gostosa, uma tempestade dessa se arma sobre a minha cabeça? Não entenda. Nem culpe ninguém. Você ainda deu sorte de perceber que está nessa situação. Pior quem é pego de surpresa e, quando vê, está empapado disso.

Alguém passa por perto, te dá um tapinha nas costas e pergunta se está na Lua. Imagina, você responde. Na Lua não, mas em outro endereço que não aquele. Fato. A cada piscar de olhos você refaz o caminho até onde a chuva já cai torrencial. Consulta a meteorologia e lá diz 100% de chance de se apaixonar. Não vai ter jeito, você pensa. O corpo, já tão acostumado a se negar alguns pedidos como esse, tenta de novo resistir. Logo agora, repete. Não ter compromisso, hora ou dar explicações estava tão bom, tão confortável. Vão me tirar da zona de conforto por causa de um beijo bem dado, uma mão que sabe apertar e uma pessoa que sabe o que fazer pra mexer comigo? Só por causa disso? Sorte sua ele te saber fazer sorrir. Tem vezes que nos pegamos gostando de alguém que nem ao menos sabe da nossa existência. Você está no lucro.

Seis horas. O chefe pergunta se a saída se aproxima e, com certo desânimo, diz que sim. O pior não é estar nessa situação de novo. O que incomoda é ter passado por tanta coisa e agora ter que conviver com os fantasmas do passado que não deu certo. São só velhas teias num coração que não queria admitir que ainda era possível sentir algo assim. Recolhe as coisas, joga na bolsa, segura a chave de casa e dá uma última olhada para ver se acha um guarda-chuva perdido por ali. O céu não anunciava tamanho dilúvio para aquele horário. Quem está na chuva, definitivamente, é pra se molhar.

O primeiro pingo a bater não fez tanto efeito. Então era só isso? Andou sem pressa. Ao sair do prédio achava que teria que sair correndo. Besteira. Nem se preocupou quando viu que não tinha perigo. O pior mesmo era se apertasse. E não tardou. No meio do caminho, um sms e um trovão tocaram ao mesmo tempo. Pegou o celular e já sabia o que aconteceria. Leu a mensagem, ficou sabendo da saudade que batia do lado de lá e, de uma vez sentiu o corpo inteiro se afogar. Não havia volta, só direção rumo a trilha que não pensava em seguir tão cedo.

Só que não tem isso de querer prever. Se apaixonar é não ter tempo, e nem ao menos saber. É ser pego de surpresa mesmo, sem guarda-chuva, capa ou um casaquinho para pôr na cabeça. E vem reto, direto, certo. Entraria pela casa fazendo bagunça, deixando tudo espalhado depois da confusão na rua, mas não tinha como. Era a paixão que entrava na vida. Chuva sem guarida.

( Gustavo Lacombe )

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Citação

Da varanda eu p…

Da varanda eu posso ver a rua. Fecho a cortina para que aqui dentro fiquemos a sós. Não queremos ninguém vigiando. Mais duas portas cerradas e agora somos, literalmente, dois amantes entre quatro paredes. Debaixo da coberta, você faz charminho pra mim. Logo se vira, encara meu rosto e me beija. Mal sabe o que eu passei pra tê-lo. Para tê-la. Só começando nosso dia, mas a recompensa já me chega. É a tua boca na minha, minha pele na tua. É a vontade, nua e escancarada, que o amor nos faz vestir. Sabe-se lá que horas acaba – a gente não marca -, mas começou faz tempo. Num sonho perdido ou numa dessas madrugadas, eu já imaginava a cena, já planejava invadir o teu mundo e não sair por mais nada.

(G. Lacombe)

Modo de escrita

Sento em frente ao computador e vomito uma idéia. Eu gosto dessas assim, que saem inteiras de mim e nem ao menos pedem passagem pelo filtro das palavras. São essas aí mesmo, bonitas ou frias, cruas ou com erros, mas que preenchem o papel na melhor forma possível, com peso e vontade.

Difere da vida. Vivida de uma vez, como um poema que já tem todos os versos escritos no pensamento e apenas são transcritos para o papel, perde-se o gostinho de aproveitar cada momento dela. E pode achar estranho eu fazer minha caminhada com palavras que gosto de soltar sem medo, mas viver sem o mesmo acelerador.

Não é medo de arriscar, que fique claro.

De um modo geral, fico ansioso quando escrevo. Se tenho uma boa sacada, fico com receio de ter sido a última. Então, a agarro e vorazmente me aproveito dela. Calma, diria minha professora de literatura. Existem textos que pedem para serem jogados na gaveta.

Esquecidos? Talvez.
Frutos muito verdes precisam de maturação.

E que não me julguem. Eu adoro uma contradição. Tanto que, posso citar algumas coisas que escrevi e que só melhoraram depois de um segundo olhar, um tempo para crescerem e serem mais do que uma tinta jogada na tela à la Pollock. Porém, é divertido parir um escrito de vez. Os deslizes no português são a prova de que estava empolgado.
Do tanto de tesão que estava em fazê-lo.

Quando me empolgo na vida, acabo comentendo alguns errinhos assim também. E quem não comete equívocos por falta de atenção decorrente de uma excitação? Você não? Que sem graça.

Erra, cara! Aquele pequeno, perdoável, como um ‘s’ esquecido no plural de uma palavra grande em que se culpa o teclado. Ou uma palavra esquecida, mas que não compremete o entendimento. A vida é errar e aprender. Com desejo, claro, de sempre poder ter mais.

Teu melhor texto é tua própria história. Aí, sim, não a escreva de vez.
Estranho conselho se comparado ao que eu disse sobre meu modo de escrita, né? Eu te disse, sou contraditório.

Não ligue. Nem tudo na vida precisa ter tanto sentido assim.

( Gustavo Lacombe )

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Tá bom que eu acredito…

Acreditar dá trabalho, eu sei. Só que não adianta achar que toda vez que você não consegue falar com ele a cerca está sendo pulada. Nem que homem é tudo igual. Todo mundo mente, só que a mulher já nasce com o gene de atriz mais bem desenvolvido. E sabe usar quando precisa. Enquanto isso, eles vão inventando algumas coisas ali, outras aqui.

( Gustavo Lacombe )

Foto de: Kelly Reemsten

Entro pelo portão do seu condomínio e já começo a sorrir

Entro pelo portão do seu condomínio e já começo a sorrir – Gustavo Lacombe

Entro pelo portão do seu condomínio e já começo a sorrir. O porteiro me identifica pelo rosto feliz. Informo o número da casa, digo numa resposta já automática e conhecida de todos que guardam a entrada. Algumas ruas restantes entre eu, você e nosso encontro. Mais um. O mais esperado.

Quando aponto na sua rua, procuro logo a sua porta e sempre me surpreendo quando já te vejo ali em pé esperando. Mesmo que seja rotina. Mesmo que seja o mesmo jeito de menina me encarando de fora do carro e a mulher que logo se senta no banco e diz que estava com saudade.

Enfim, chegou. Mesmo que a gente se visto ontem, amar não é isso de sentir saudades cinco minutos depois da pessoa ter ido embora? Um beijo e silêncio. A gente se olha, se estuda e vai analisando o que mudou em tão pouco tempo. Nada. Quer dizer. A vontade de ficar junto cresceu. E cresce. Como tinha de ser, né?

Aí, a gente sai. Qualquer encontro, qualquer coisa, um sanduíche, um boliche, uma praia, um samba, um cinema, um poema sob o sol poente, ou até mesmo namorar no carro na rua do lado. Aí, a gente volta. Qualquer filme na televisão, um brigadeiro, um edredom, um jantar só pra nós dois preparado de uma receita da internet, um abraço pra gente sonhar a dois.

Só que tem sempre a hora de ir embora. A fatídica hora em que vejo seus olhos ficando e o retrovisor do carro te diminuindo, até que eu dobro a esquina e não te vejo mais. Não importa se eu fiquei cinco minutos porque tinha que ir trabalhar ou o fim de semana inteiro, em questão de segundos já vai dar vontade de fazer tudo de novo.

Não é isso de querer voltar sempre pro mesmo lugar, pro mesmo cuidar, pro mesmo abraçar? Não é isso o amar? A gente bem desconfia que sim.