Amiga, Sua Trouxa

Amiga, você quer que eu fale o que mais? Vai adiantar alguma coisa eu jogar na sua cara que você é trouxa e saber que você continua fazendo as mesmas coisas? Mais fácil te deixar quebrar a cara mesmo e amanhã só oferecer meu ombro. Até porque, eu posso cansar de te xingar e tentar te mostrar que é mais uma burrada acreditar nesse cara, mas eu nunca vou te abandonar quando você precisar de mim. Então, vai. Deixa ele passar aí pra te pegar, sai com ele, encara aqueles olhos que já sabem direitinho como te enganar. Só faz ele pagar a conta, tá? Do motel também. E se em algum momento você sentir que essa é só mais tentativa frustrada, não hesite em sair correndo. Fala que teu gato tá passando mal, teu cachorro foi atacado por um rato gigante na rua, que tua tia-avó faz aniversário amanhã e você combinou com todas as suas primas de fazer uma surpresa pra ela. Vai gritando pela rua que você tá surtada e dá logo um show pra ele nunca mais aparecer. Porém, se sentir que pode ser dessa vez (pela quinquagésima vez…) se deixe levar. Escuta teu coração e vai. Me acostumei a ouvir histórias de quem não teve coragem de apostar, mas a certeza da tentativa ainda é melhor que a resposta em branco da dúvida. E decepção não mata, aprendi. Pelo contrário, ela ajuda demais a viver e nos empurrar pra frente – mesmo que na força bruta. Fico muda e prometo não mandar uma mensagem sequer essa noite, só não leve a mal tudo que disse. Eu só quero que você fique bem. Mesmo se tiver de ser com esse cara bosta. Se ele conseguir te fazer feliz, pra mim já tá valendo.

[ Gustavo Lacombe ]

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A Minha Paz Não Vale uma Discussão

Eu nunca conseguiria me sentir inteira numa relação que me faz ser metade. Não saberia olhar com o mesmo carinho depois do “troca essa roupa”, “lava esse batom”, “refaz a maquiagem”. Antes de aprender o que é o Amor com alguém, já descobri faz tempo o meu próprio sentimento. Antes de ser um bom par, eu tive que entender o que é ser singular. Quando ouço as histórias, então, penso que acabei dando sorte. Passei por poucas situações embaraçosas, mas não consigo dizer ao certo se estava errada ou não.  E todas elas foram provocadas por um ciúme bobo, que gerou uma certa insegurança e foi devidamente acabado com uma conversa. Ao mesmo tempo que acho que romantizam demais, também demonizam demais o ciúme. Mas o foco aqui não é esse. Quando digo que dei sorte foi por sempre apostar em namoros com quem me fazia rir de chorar, me alegrava só com um bom-dia num bilhetinho e me dava a certeza de que um abraço era o lugar mais confortável do Mundo. Acabei conhecendo o “fim” porque uma hora se entende que as mudanças chegam e que caminhos nem sempre andarão lado-a-lado. Fui feliz. Sou feliz. Pretendo continuar sendo. E isso nada tem a ver com estar com alguém ou não. Isso tem a ver com selecionar com carinho as pessoas que me cercam, podar as arestas que aparecem e prezar pela paz. A minha principalmente.

[ Gustavo Lacombe ]

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Namoro é Pra Ser Leve

Namoro é pra ser leve. Pra fazer sorrir. Não é pra implicar (nunca) com o que o outro come. Tá liberado zoar porque o time perdeu, brigar pelo lençol e, claro, bagunçá-lo fazendo muito amor. Namoro é pra deixar mensagem de post-it no espelho do banheiro ou escrever nele com batom (sem gastar aquele que custou os olhos da cara, por favor!). É entregar uma rosa de surpresa no trabalho, gastar cinco minutos para desviar a rota e encontrar com a pessoa. É mudar todos os planos em cima da hora porque ela descobriu um programa (de índio) muito mais interessante – ou que parecia, pelo menos. Namoro é pra jogar areia na hora de ir embora da praia, é pra sorrir com aquela piada sem graça, cantarolar as mesmas músicas ou ficar impressionado com o horrível gosto musical que o outro tem. Namoro é até pra dividir um açaí caso o estabelecimento tenha um que sacie o desejo dos dois. Um litro talvez seja suficiente. É pra engordar juntos, emagrecer juntos ou respeitar o estilo de vida do outro (mas sendo liberada as brincadeiras com bolos de cenoura com chocolate e afins caso o outro fique repetindo sempre “eu não como doce”). Aham. Tá bom. Namoro é pra ser feliz, mas, principalmente, demonstrar apoio e se fazer presente nos momentos ruins. É aceitar defeitos, exaltar qualidades e querer evoluir juntos – como casal e individualmente. É entender que o outro tem uma vida separada da sua, tem os próprios amigos e até mesmo os próprios programas. É saber entender que cada um tem seu espaço e que o título ou rótulo de ser qualquer coisa do outro não te dá o direito de se meter nisso. Algumas pessoas amam ficar de conchinha, mas também adoram poder desfrutar do silêncio da própria companhia. Namoro é ótimo para exercitar a arte de fazer cafuné, de tolerar as esquisitices de alguém e respeitar a confiança que lhe é entregue. Se for pra trair, obviamente, não namore. Namoro é pra pegar na bunda, não no pé. É pra pegar com jeito e vontade, não pegar todo defeito e fazer uma tempestade em copo d’água. É pra conquistar um pouco mais todos os dias, mesmo sabendo que alguns dias serão difíceis. É pra tentar sempre fazer sorrir e o bem, sem se assustar com arestas que precisem ser aparadas. Se for pra brigar sério, que briguem com a mãe, com os irmãos, com o chefe. Namoro é para mais um monte de coisas que nunca vão caber nos clichês da internet, mas, principalmente, é para ser feliz do jeito que a poesia nos ensina “infinito enquanto dure”. Intenso, vivo e lindo.
 
[ Gustavo Lacombe ]

Parem de Demonizar o Ciúme

Parem de demonizar o ciúme. Parem de tratá-lo como se fosse a pior coisa do Mundo. Ciúme é tempero, não é refeição. Se entre todas as analogias o Amor fosse uma gripe, o ciúme seria apenas um espirro. Um sintoma. Efeito colateral de gostar muito de alguém. Quando passa disso, torna-se doença, deixando de ser Amor. Passa a ser posse. E o que antes dava um gostinho até legal para o relacionamento, passa a ser um fardo.

Até o motivo para o fim. E com toda a razão.

A dificuldade talvez seja conseguir enxergar o ciúme como algo bom e importante. Numa música do Rael a moça mesmo diz que não é pra reclamar das crises dela porque, sumindo o ciúme, some também o Amor. E acho que é assim mesmo que funciona. Quando se gosta de alguém, tem-se medo de perder. Essa certa insegurança age na cabeça dos apaixonados e cria algumas paranóias e outras coisas que se afloram no ciúme. Sendo arrefecido pela certeza do sentimento do outro.

Aí, eu sei, entram diversas outras variáveis que agem de forma diversa nesse contexto. Conheço pessoas que precisam dar provas atrás de provas de que são fiéis, que gostam, que fariam de tudo (e fazem) para deixar o outro “tranquilo”. Como também já vi algumas situações em que o outro dava milhares de voltas, enganava e não tinha nem ao menos que dar satisfação porque o outro lado confiava e não ligava pra algumas coisas. Já conheci gente que até brigava com o outro porque ela não “demonstrava que tinha ciúme”.

Vai de cada casal, né? E também do caráter em se aproveitar da confiança que é entregue, claro.

Só não acho que rotular o ciúme como algo ruim resolva. O velho ditado “ninguém é de ninguém” é o mais certo. Porém, quando se está dividindo a vida com alguém, espera-se respeito, atenção, carinho. O déficit em alguma dessas coisas pode ser combustível pro ciúme também. Quantos casos você já não ouviu de namoradas(os) que tem implicâncias de amigos (as)?

A grande sacada disso tudo é entender que tratar como “objeto” uma outra pessoa é a receita para afundar qualquer namoro/rolo/relação que tenha sido legal um dia. Ciúme é algo que, uma vez desperto, pode ser até bonitinho, mas quando começa a interferir na vida do outro, quando começa haver censura, quando um submete o outro às suas vontades, algo passa a destoar. Muda de figura e atrapalha. Vira um abuso.

Por fim, o problema não é ele existir, mas como ele se manifesta.

[ Gustavo Lacombe ]

Para Se Descobrir Enfim

Depois que a porta bate, menina, pode ter certeza de que nós já começamos tudo. Não precisa esperar a penetração ou nada parecido. Transar é algo que começa muito antes disso. Gosto daquela definição de que o sexo começa na cabeça, no estímulo, nas preliminares. Então, quando você vira pra mim e diz “quero transar contigo” e já estamos sem roupa e abraçados na cama, só quero te mostrar que já começou. Tudo. Cada etapa conta. Até porque, garota, eu só vou entrar depois que você pedir. Só vou parar de te chupar quando você estiver explodindo de desejo. Só vou me contentar quando te ver revirando os olhos. E sei que vamos ter mais dias como esse, que vão melhorando conforme você vai se descobrindo cada vez mais mulher. Claro que se a gente for comparar experiências, eu “sei” muito mais do que você. Mas o que eu trago pra cama que é tão surpreendente assim? Não quero nem de perto soar com tom “professoral”. Pelo contrário, quero é me redescobrir e te fazer se sentir segura o suficiente pra se soltar. Sou daqueles que defende com unhas e dentes, arranhões e mordidas, chupões e marcas na pele, que todos nós devemos revelar nosso lado “safado”. Que, sejamos francos, todos nós temos. E eu vou te fazer achar essa sua faceta. Sem pressa. Próxima vez, eu levo uns pornôs, umas algemas e vendas. Velas. Sei lá, podemos ler uns trechos do “50 tons”. Damos um jeito, inventamos um modo nosso, acendemos essa fogueira e não vamos querer apagar. Aliás, eu quero é me queimar em você. Me arder nesse teu fogo de mulher.

[ Gustavo Lacombe ]

Não Transforme um Encontro num “Para Sempre”

Tenho uma amiga que reclama que nunca encontra ninguém legal, que todos os caras são cafajestes, que nenhuma relação tem durado e continua a sua longa lista de queixas. Cita, inclusive, que a culpa é dessa quantidade de mulher decotada em festa que estão sempre em maior quantidade que homens e torna a busca por um Amor algo mais complicado do que conseguir manter uma pequena empresa nesse país. Mais fácil sentar num boteco e cuidar do fígado, porque do coração tá complicado. O grande problema, entretanto, que vejo é que ela está sempre querendo fazer do próximo crush o novo “felizes para sempre”. Não que ela sonhe com um cavaleiro e seu lindo alazão branco, mas é que ela coloca tanta expectativa naquele momento que deixa o rapaz tenso. Já chega com ciúmes, já chega com cobrança, já chega colocando uma carga tão negativa que o boy simplesmente pensa “eu não quero mais conversa com essa maluca”. Esse papel de “namorada” desde o primeiro beijo afasta muitos caras. E, digo mais, o contrário também é perfeitamente possível. Vocês vão concordar comigo que um cara que já chega querendo cercear o direito de qualquer garota de postar foto, de sair com as amigas e parece que já age com “atitude de dono” desde o primeiro encontro é de dar aquele famoso “bode” em qualquer uma. A gente pega birra. Nojo. Quem hoje tá solteiro e se propõe a conhecer alguém quer tudo menos um monte de mãos já dizendo para onde se deve olhar, onde ir, com quem andar, o que fazer. E eu digo isso tudo a ela. Falo que é preciso aproveitar os instantes com o carinha, ver se ele é legal, curtir o papo. Se quiser que role algo mais, que role. Permita-se viver sem a pressão de que no dia seguinte precisa rolar aquele “bom dia, dormiu bem?”. Se ele não mandar mensagem, tudo bem. Se te esquecer, a fila anda. Só não dá é pra transformar o próximo “quer fazer alguma coisa?” em “quer ficar pra sempre comigo?”. Está mais que provado que as coisas vão dando certo aos poucos. Como diz o Carpinejar “a carência é o pior dos cupidos”.

[ Gustavo Lacombe ]