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O Melhor Abraço, a Maior Armadilha

Todo abraço esconde em si um lar e uma armadilha.

Depende, claro, de qual é a intenção da pessoa que o dá. Sendo inocente, pode se configurar em abrigo, carinho e se transformar em lar. Usado para outros fins, funciona quase como areia movediça, teia de aranha, cola de sapateiro, superbonder, açúcar pra criança ou qualquer outra analogia que possa representar o que gruda, não solta, causa vício ou se quer fazer de sempre necessário. Uma ambiguidade capaz de confundir corações, dar nós em mentes, atiçar vontades, definir a linha tênue entre tudo o que se quer e tudo que se pode ter.

Talvez seja esse o motivo que nos faz olhar diferente para aquela pessoa que reúne o melhor dos dois mundos num só. Quando a gente encontra quem sabe nos envolver, passar os braços em “X” por nossas costas e guardar no gesto toda a carga de ternura e provocação, pensamos tirar a sorte grande. Bingo, diz o coração baixinho enquanto se ajeita mais uma vez no peito do outro. Jackpot, diria aquele outro que se acostumou a tratar o Amor como um jogo de azar, onde na maioria das vezes o jogador sempre perde.

É, sempre existe o risco.

Como dito, existem abraços capazes de confundir qualquer pessoa. Quantas vezes você não ouviu o papo de um amigo que se apaixonou e aproveitava esses momentos para tirar uma casquinha? Ou, quando a paixão é platônica, tinha naquele instante em que os corpos se aproximavam o limite entre se jogar e se esconder. Difícil. Ainda assim, é possível fazer transbordar todo o afeto por alguém no meio de um abraço. Quantas vezes você não precisou de um desses pra segurar a barra de um dia ruim?

Diria, então, para você tomar cuidado. Quando os recebe e quando os dá. Há um grande perigo, sim, ao tentar fazer de uma pessoa sua casa. E, ao contrário, pense bem antes de querer se fazer de armadilha. Despertar algo puro no outro para fazer disso um teatro é ridículo. Entretanto, tendo a certeza de que vale o risco, deixe-se prender, provocar e devolva tudo na mesma intensidade. Enrole-se, embosque-se, prenda-se, abrace.

E deixe o corpo ir.

[ Gustavo Lacombe ]

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Me Abraça

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Não via um par de braços. Abertos, imóveis e esperando pelo ataque final, via duas garras que me prenderiam até me sufocar, ou onde eu morreria sem pestanejar. Os segundos que antecediam a queda pareciam intermináveis. Enquanto meu corpo ansiava, eu já imaginava o labirinto da fuga. No fundo, eu perderia a rota de propósito, alcançaria a saída um dia e, mesmo assim, apenas se tivesse que. Caía.

Ao ajeitar confortavelmente minha alma, mirava o céu que refletia nas suas pupilas. A mágica que brotava daquelas estrelas me fazia flutuar. Não sei se quem passava podia ver, mas não sentia de forma alguma meus dedos tocando o chão. Hipnotizado, arrastado e parte daquele mundo. Se do abraço eu não saía, do olhar eu não atrevia desviar.

Num meio segundo de susto, entre me dar conta de que era a caça abatida e ser feliz com essa posição, ouvi um chamado. As palavras que agora ressoavam pela minha cabeça pareciam conter e contar uma espécie de segredo guardado por gerações. Não espalhem, mas aprendi o significado de amar ali: no meio dos braços, com o olhar fixado e ouvindo calado aquela pessoa.

Torci. Torci o segundo para que ele durasse mais que o normal e para que o momento fosse eterno. Se a minha vida entrasse em loop naquele exato instante, eu não reclamaria. E ainda bem que não entrou. Assim, tenho a saudade para me mostrar o quanto são preciosos esses instantes ímpares. Ao vê-la, tenho certeza de que passo por tudo de novo. O laço em que me prende com o amor brilhando no olho.

(Gustavo Lacombe)

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A Melhor

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Dê o play e leia: Biquini Cavadão – Quando eu te Encontrar ( http://www.youtube.com/watch?v=G4omCEKTM1o )

Você é minha melhor companhia.

Apesar dos sorrisos sem graça preenchendo nosso entorno, das nossas mãos meio sem rumo, do seu olhar desviado do meu quando te encaro. Mesmo com tantos pesares, ainda sou leve e vôo toda vez que há uma aproximação. Receio ter que admitir que ainda sinto um nervoso crescer em mim quando te vejo caminhando em minha direção.

Seria mais fácil encarar um trem.

Acertando em cheio no ponto mais sensível que a vontade se esconde, tua presença faz o acerto de contas com o segredo que grita meu rosto. Esfinge, te devoraria no segundo seguinte em que te decifro, mas sinto não ser possível. Toda vez que penso saber exatamente como age, você me surpreende e me desarma. Não há meios de competir com o jogo já entregue. Só basta querer tomar o campo da batalha vencida.

Sem conseguir colocar freio no corpo, vou atrás. E mesmo se está parada, parece que ainda corro com todo o ar que tenho nos meus pulmões para conseguir te alcançar. Meço cada palavra, cada gesto e, por vezes, coloco milimetricamente os pés pelas mãos. É como se, depois de anos de estudo, devolve-se uma prova em branco por não saber o que fazer. O que falar. O que dar. Mesmo ensaiando, mesmo sabendo que, no fundo, a melhor forma de agir é não pensar muito.

Deixar fluir, como sempre fizemos.

Sabe-se lá qual trilha essa história segue. De certo que eu tenho meus finais prediletos, mas não é possível segui-lo sem que haja o outro lado. A moeda, girando sem apontar para qual face vai virar, nos dá chance. Sim, não. É dizer e fazer cumprir o que já está escrito. Do lado de cá eu tenho feito a minha parte, tentando adivinhar que acertei alguma resolução imaginada, pensando poder morar no melhor abraço que meu corpo já provou.

O seu.

(Gustavo Lacombe)

#ela

Da série: Lugares que Fazem Falta

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De todos os lugares do mundo, o que mais sinto falta é de Você.

Poderia listar outros. Entre tantos que passei no Mundo e conheci na vida, sempre existiram casas, praças e outros locais que me acolheram e marcaram. Só que, em nenhum deles, eu fui tão feliz quanto nas duas linhas que me cruzaram e abraçaram as costas e me fizeram sentir infinito. Tem um quê de lar encostar a cabeça no seu peito. Faço dele morada e, juro, poderia fazer todas as refeições pondo a mesa no seu colo.

Ao contrário do que dizem, esse namoro enche a barriga. Enche, também, o peito de alegria com beijos de café da manhã que não se saciam até a hora do almoço, pronto para tomar mais do seu amor. Faço lanches entre mordidas na orelha e chego à noite desejando fazer uma refeição completa nas suas coxas. Tudo ali, ao alcance da minha mão, que percorre você matando a fome e o desejo. Saciando os dois.

Aliás, você é tudo isso e mais um pouco. É meu divã nos momentos de crise. Não há quem me decifre e me mostre jeitos de ser alguém melhor para a vida. E, por que não?, para você também. É meu parque de diversões, onde percorro montanhas-russa de emoções, sentindo frio na barriga ao te ver chegar e sempre querendo fazer a cabeça rodar de novo com os nossos encontros.

É, além de lazer, um trabalho. Ser motivo da felicidade de alguém, ainda que em parte, é uma grande responsabilidade. É preciso dedicação em horário integral.

Tudo isso que enxergo em você é fruto do bem que me faz. Aqui, estou pensando até meio que de forma egoísta (defeito grave que estou trabalhando em mim) que me deixa ciumento e querendo tudo seu apenas pra mim. Só enxergo você nos meus planos e, em tudo que eu faço, sempre tem um pouco de você.

Meu Porto Seguro, estou me esforçando para que você também se sinta assim comigo. Retribuir tudo isso é o mínimo que posso fazer. E preciso tentar mais, eu sei. Rio quando você me diz “eu não fiz nada de demais para você se sentir assim”. Ah, fez sim. Entrou e existe na minha vida. Tem marcado e a cada dia que passa se torna mais importante. A cada conversa se agiganta dentro de mim.

De todos os lugares do mundo, o meu é você.

[ Gustavo Lacombe ]

#ela

Esse e mais outros 80 textos estão no meu primeiro livro “Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, que está esgostado.
Meu segundo livro, “O Amor é Para os Raros”, pode ser comprado aqui: http://www.bit.ly/oAmorÉParaOsRaros