O Amor É Para os Raros

Nunca se sabe ao certo quando acontece, mas, quando acontece, é uma delícia. O Amor correspondido está entre as melhores formas de ser feliz. Sorrir com ele, acordar com ele, conviver com ele. Ainda que longe da pessoa amada, nunca se está vazio. Não que a pessoa sem Amor seja um ser carente de uma completude. Sou adepto da filosofia de que é preciso se encontrar antes de poder se dar. Mas é o apaixonado aquele capaz de mostrar os dentes para dias nublados, não se importar com sinais fechados ou até mesmo com a triste sina de sonhar com quem se ama, acordar sozinho e, mesmo assim, estar satisfeito por ter algo lhe preenchendo o peito. Nunca se sabe quando acontece, em qual curva da Vida aquela pessoa pediu carona esquecendo-se de avisar que ficaria por um bom tempo. A estrada toda, quem sabe. Alguém para aproveitar a jornada, dividir os olhares para as mais belas paisagens e dar força nas ultrapassagens. Toda estrada tem seu risco, todo Amor também. Feliz de quem aposta e encontra terreno fértil para semear um futuro a dois. A sensação é incrível. Pergunte a qualquer pessoa que já amou e foi amado qual dos dois sentimentos é melhor? Sem hipocrisia, ser amado é muito bom, mas o equilíbrio está em fazer as duas coisas quase na mesma proporção. Só que o sentimento não tem medida. Nunca se sabe quando acontece aquilo de passar a contar os minutos longe da pessoa e esquecer o calendário quando se está junto. A paixão que brota nos faz perder a noção de várias coisas. Ou trocar as definições. O Norte, agora, é o amado. O Lar é o abraço. O beijo, então, o bilhete premiado da maior loteria do Mundo. Nunca se sabe ao certo quando acontece, mas quando acontece, é indescritível a sensação de ser feliz pra vida e mais um dia.

[ Gustavo Lacombe ]

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Tudo tem um Porquê

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Dizem que tudo acontece por um motivo.

Existem tantos nomes bonitos que damos aos acontecimentos. Destino, sorte, acaso, propósito. Falam também que tudo tem uma razão, mesmo que não consigamos enxergá-lo agora. Quantas vezes você já acreditou em coincidência? Quantas vezes você achou que aquele momento era para acontecer porque você se esforçou, lutou e julgou merecido? Ou, ainda, quantas outras vezes você se pegou falando a expressão “por um acaso…” sem perceber a força dele.

É o que dizem, né?, tudo tem um porquê.

Nem todos os caminhos são escolhidos. Alguns são compulsórios. Somos atirados neles e é preciso esfregar muito bem os olhos para acreditar no que está passando. Outros são verdadeiros presentes que se abrem em forma de oportunidades. É um eterno perde-e-ganha. São passos em trajetórias que nem sempre se mostram fáceis, mas acabam nos desenhando dificuldades. Mostram obstáculos que, para qualquer pessoa que tenha um sonho, se tornarão apenas detalhes.

O que não te dizem (nesses ditados batidos que a rotina coloca nas nossas timelines diárias) é que você sempre pode fazer algo diferente com o que acontece. O jeito que se reage a cada situação pauta como ela será encarada dali em diante. Don Quixote, se o conhecem, via nos moinhos de vento dragões que cuspiam fogo, mas mesmo assim os enfrentava. Um lunático para alguns, um sonhador para outros.

E é exatamente assim. A vida é dividida entre aqueles que acreditam e os que estão ocupados demais desdenhando dos que acreditam.

Claro que sempre surgirá quem diga ter “falta de sorte” ou que tudo aconteceu “porque estava escrito”. Ainda assim, sempre haverá uma história a ser contada sobre como se tentou e batalhou até que aquilo desejado acontecesse. Porque, se você quer muito alguma coisa, não importa quantas derrotas se conheça. Busca-se a vitória.

O que é pedido de nós, em certos momentos, é que não nos prendamos às definições do dicionário para o que ocorre, mas que se encare com determinação e coragem o que aparecer, tendo medo ou não. Felicidade é apenas um ponto de vista pelo qual costumamos não olhar, mas está sempre pronta para aparecer. Arrisque viver.

[ Gustavo Lacombe ]

 

Bom dia, Meu Amor.

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Hoje eu acordei pensando: quantos caras gostariam de ter a sorte de ter alguém especial como você para dar bom dia todos os dias? Fui mais além. Pensei em quantas pessoas gostariam de simplesmente ter alguém para chamar “meu bem”, “meu amor”, ou qualquer outro apelido que viesse logo após um desejo de que o dia seja bom? E, em meio a todos esses pensamentos, entendi mais uma vez o quanto tenho sorte de ter você na minha vida.

Ainda assim, antes da mensagem, procurei uma foto nossa na cabeceira só pra matar a saudade do seu sorriso. Morena, ontem eu reli umas conversas nossas sem querer enquanto procurava pelo telefone daquele amigo que você tinha me passado. Não achei o número, mas fiquei perdido por entre as palavras que trocávamos no antes, durante e depois da conquista. E vi a evolução de um casal.

Quantas histórias não desejariam ser assim como a nossa?

Fico vaidoso pra falar da gente, claro. Vê se eu não sorriria alguns centímetros a mais com o coração a cada vez que toco no seu nome. Insisto, pra quem quer que diga algo sobre nós, que é diferente de tudo que eu já vivi. É sereno e intempestivo. É racional sem deixar de ser emotivo. É lógico com tendências suicidas pra qualquer lado que indique falta de nexo. Aquilo de completar dois seres que já se achavam completos.

Transbordando-os.

Então, pequena, só queria te dizer o quanto me fez bem acordar e entender tudo isso que eu sentia pelo simples fato de lembrar de você. E me dei conta de que todos os dias sinto o mesmo, e que quero sentir isso por todos os meus outros dias. Existente na minha vida por conta de um Destino, Acaso ou algo mais forte. Algo que costumamos chamar de amor.

Bom dia, meu amor.

[ Gustavo Lacombe ]

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“Por onde você andava?”

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A primeira pergunta foi “por onde você andava?” seguida daquela cara de surpresa com um sorriso de mais de metro. Se era falso eu não sei, mas já tinha tomado um susto tão grande com o encontro que preferi não julgar. Olhei prum lado, olhei pro outro e não vi saída. Teria que ficar ali em pé, o tempo que fosse necessário, ouvindo aquele monte de perguntas retóricas e idiotas que  me faria só pra atestar uma coisa: a total falta de desinteresse de ambos os lados. Se em todo aquele tempo a gente não havia se procurado, não seria um esbarrão acidental que mudaria alguma coisa. Pelo menos, do meu ponto de vista, não mudaria porra nenhuma.

Já a segunda questão, depois de eu explicar que tava na vida corrida de sempre, foi “pensei em você esses dias, sabia?”. Não, não sabia. Tô sabendo agora e teria ficado muito grato se você não tivesse me contado. O risinho no canto da boca denunciava a mentira. Eu sabia que fazia aquilo só pra me testar, mas eu fiz aquela cara de quem concorda, acha legal. Tipo quem come sorvete Molico light e diz que tá uma delícia, mas, no fundo, sabe que é uma merda o light e queria mesmo era cair de boca num Kibon de creme e chocolate sem se preocupar com nada. Então, eu queria era ir embora, mas minha mãe não tinha me educado dessa forma.

Pelo menos a terceira pergunta eu ouviria.

Foi aí que veio. Do nada, sem mais nem menos, sem eu conseguir prever, sem pedir licença ou muito menos desculpa pela besteira a ser dita:

– A gente bem que podia sair junto um dia desses de novo, né?

Não! Não pode!, eu gritava dentro de mim. Em menos de um segundo (depois dos outros cinco que demorei para raciocinar o “né” no final da frase) fiquei conversando comigo mesmo: será que já esqueceu de tudo que me fez? Das vezes que os minutinhos de atraso se tornaram horas? Das decepções gratuitas nos dias mais impróprios? Dos comentários sem noção que fazia para rir SOZINHO da minha cara? Das conversas que descambavam pra discussão só porque eu não concordava com algum ponto?

Era preciso piorar a situação. Pegou a minha mão, cheirou, beijou e apertou. Olhou dentro dos meus olhos e repetiu: né?

Houve tempo suficiente para eu fingir um espirro, recolher minha mão e sair com o nariz tampado dizendo que precisava de um banheiro. Nem o lenço que sacou em dois tempos do bolso foi capaz de me deter. Já atravessava a rua e o som dos carros abafou o “eu te ligo” vindo da outra calçada. Sorri por baixo do teatro. De todas aquelas abobrinhas que a gente fala sobre ainda ter o mesmo endereço, o mesmo telefone e a mesma rotina, o outro é que não quis procurar, eu senti um alívio por estar certo de uma coisa. Aquele número não existia mais.

Estava a salvo. Até o próximo esbarrão ao acaso.

(Gustavo Lacombe)