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Ninguém se Apaixona de Graça

Eu acredito que a gente não se apaixona de graça. Sempre se aprende. E a lição que fica é muito valiosa: é preciso aprender a se relacionar melhor. Qualquer pessoa nova que nos chega tem o dom de trazer um Mundo novo de conhecimentos. E não é engraçado quando você vê alguém que não tem nada a ver contigo se aproximar e ganhar seu respeito, seu carinho, sua tolerância?

Diferente ou não, sempre nasce a responsabilidade pelo que o outro sente.

As diferenças, se existentes, pouco a pouco vão se tornando pequenas e o que importa é o quanto os dois desejam fazer aquilo dar certo. Desejam sincero. Ser sincero, aliás, é como um café forte sem açúcar que te acorda logo pela manhã. Evita expectativas, evita erros. Evita frustrações. Porém, tão paradoxal quanto esse imposto da sinceridade para relações mais saudáveis, torna-se inevitável ver a revoada das borboletas quando se sabe que o gostar é recíproco.

Como não acreditar?
Como não fantasiar?

Acredita-se, sim, que estar junto é dádiva. Ficar longe é o martírio. E até na saudade se aprende que não se terá sempre a quem se ama. Acontece. É por isso que bate-se tanto na tecla do valorizar. É por isso que quem não entende o valor dos momentos, fica fadado a viver no gelo da lembrança irreversível. Talvez seja por isso que aqueles que aprenderam a valorizar cada instante busquem incessantemente vivê-lo intensamente. E querem acelerar o tempo gasto longe.

Na verdade, acho que a residência é o que se pretende mudar. O Lar agora é o abraço. Único cômodo, mas com espaço suficiente para caber qualquer tamanho de sentimento. Aquele colo, aquela quentura. Dormir sozinho como? E pra quê? Posto isso tudo, me deixa aqui tentando descobrir quantos sorrisos você ainda tem além desses seis. Me deixa aqui tentando esticar cada um dos segundos e provando mais dessa boca que já me faz não pensar coisa com coisa.

Me encontro contigo pra perder todo juízo que tenho. Pra que eu ainda o quero?

Dita você o ritmo disso tudo que a gente tem e vai determinando as horas exatas pra cada coisa. Homem vira menino ao se tocar que está gostando. Hipnotizado pelo toque da musa, passa a descrevê-la aos amigos, ouvi-la em músicas e homenageá-la em seus melhores pensamentos. Ou piores. Todo sentimento lindo assim desfaz a casca que envolve o cidadão pra colocá-lo quase nu: sua alma está ali inteiramente colorida de Amor. Que cor? A que ela dá a tudo.

No meu caso, a que você pintou meu Mundo. E se nenhuma paixão vem de graça, como dito, o preço é se deixar tocar. Talvez custe o sossego, talvez onere a paz do cidadão, mas pode ser das mais certas apostas. Como aquele que olha fundo pro outro e sabe que é recíproco.

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Só não esquece da bater a porta e não pedir pra voltar

E assim que ela dobrou a esquina já sabia que não voltaria. Não por aquele motivo, não por aquele porquê. Era a última conversa, a derradeira discussão que teriam. Já ficou meio possessa só de chegar e ele demorar pra abrir.
“Tava no banho, foi mal”, ele se desculpou.
“Eu disse que tava chegando”, ela argumentou.
O clima não era dos melhores. Aliás, já tinham se acostumado a ser dos piores. Ela sentou no sofá, pediu um copo d´água. Ele foi na cozinha, voltou com uma garrafa. Fala, pediu. Ela emudeceu. Tinha ensaiado tanto, mas agora a cabeça dava branco. Como terminar aquilo que já parecia ter tido seu fim?
“Melhor a gente acabar”
“Já estava acabado”
“Pra quê que eu vim, então?”
“Não sei, eu só atendi a ligação e disse que você poderia vir”
“Vou embora”
“Só não esquece da bater a porta e não pedir pra voltar”
“Eu não volto atrás”
“Quem tá falando de você? Quem foi que traiu aqui?”
Ficaram em silêncio. Ela quase chorou, mas se lembrou que morreria, mas não pediria a ele um lenço. Foda-se, pensou. A relação era abusiva, ele controlava as saídas, regulava as amigas, falava mal até das vizinhas. Me queria pra si, mas eu sou do Mundo. Acabou caindo na conversa de um outro cara. Jogo sujo.
Ele descobriu sem querer. Pegou uma mensagem dizendo “quando cê vem me ver?”. Pediu explicação e ela gaguejou. Disse que a carne era fraca e emendou com “eu te amo, meu amor”. Ama quem? Quem ama não faz o que você fez. Ela o segurou pelas costas, ele mandou um “você virou só mais uma ex”. Choraram. Ele quase bateu o carro no dia seguinte indo pro trabalho. Ela perdeu uma semana de aula, alugou as amigas e sentiu que não tinha volta.
“Queria pedir desculpas”
“Tudo bem, eu aceito”
“Eu ainda te amo”
“E o que você acha que ainda tem no meu peito? É claro que eu ainda gosto, mas não tô afim de continuar. Preciso de um tempo, pelo menos pra pensar. Confiança, pra mim, é o bem mais forte e frágil que existe. Mantém de pé uma relação inteira, mas quando se desfaz nunca mais é a mesma. Não sei se vale o preço te deixar voltar.”
“Você fala como se fosse o melhor namorado e era um bosta, vamos combinar…”
“Então, por que não terminou? Por que não decretou o fim antes de fazer o que fez?”
“Eu fui idiota”
“Valeu, Ex”
E ela chorou de novo. Pegou a bolsa e partiu. Não ia ficar ali argumentando sobre o que nem ao menos estava por um fio. “Acabou”, refletiu enquanto encostava a cabeça no travesseiro. A gente paga pelos erros, pelos deslizes e faz algo no presente achando que vai ser momentaneamente feliz. Besteira. Quando se confunde aquilo que mais se quer no presente com o que mais se quer pra Vida inteira, a receita é essa: arrependimento servido frio à mesa.
E o que restou foi uma mensagem que ela só leu no outro dia. Um textinho simples que aquilo tudo resumia:
“Só fico me perguntando por que você não tentou me alertar. Se eu era tão ruim, por que não me apontar? Sei que eu não era perfeito, não sou e nunca vou ser. Mas fica martelando essa história toda, fico vendo a cena toda, fico maluco em pensar em você com outro. Dá pra entender? Eu posso até aprender a viver sem você, mas não consigo dizer se conseguiria te olhar todo dia e em algum momento esquecer. Prefiro partir e sufocar no meu peito o Amor que ainda sinto e vou levar aqui dentro. Prefiro terminar – e podem até dizer que quem ama tem que perdoar. Eu te perdoo, mas não volto pra você. Obrigado por tudo vivido, mas simplesmente não dá.”
Fim.
[ Gustavo Lacombe ]
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Vamos Para de Falar Sobre o Fim

Uma amiga me encontra numa rua qualquer e pergunta como eu estou. “Estou ótima”, respondo. É verdade, mas ela não acredita. Diz que ainda é muito recente pra eu estar tão bem, mas eu dou de ombros. Tenho intimidade suficiente pra dizer que ela está com uma visão equivocada das coisas. Ela pega meu braço, diz que vai passar, e que eu não preciso me fazer de durona. “Chora comigo”, diz enquanto eu rio.

Juro que dá vontade de socar.

Ainda não consigo entender o motivo das pessoas insistirem no tema mesmo depois que você demonstra não estar interessado nele. É só um fim, um término, uma separação. Não foi o fim do Mundo, como bem colocou meu pai quando eu cheguei em casa contando a notícia. Ele até sorriu. Disse que já tinha visto nos meus olhos que não havia mais aquele sentimento de antes. “Sempre melhor separar, minha pequena” – sim, meu pai me chama de pequena até hoje.

O pior de tudo é que, logo depois de encontrar essa amiga na rua, eu dei de cara (adivinhem!) com o dito cujo. O primeiro pensamento me divertiu. Ex é pra sempre. E me imaginei velhinha falando pros meus netos sobre os meus amores e lembrando da cara de cada ex-namorado que tive. A dele até que demoraria a passar. Voltando à realidade, a vontade de socar foi transferida pro momento exato que ele me cumprimentou e abriu aquele sorriso lindo.

Caraca, o cara tava tão bem quanto eu.

E aí, nessa hora, eu tive mais um mini-flashback (tenho vários durante o dia, não repare) de uma prima contando sobre essa pesquisa que fizeram na Inglaterra sobre como as pessoas odeiam ver seus ex melhores do que a si mesmas. Eu estou nessa lista. Minha única reação foi dizer um “estou atrasada” e bater em retirada dali. A gente não tinha mais nada, não existia mais Amor, mas ainda assim ele é meu ex e a gente se viu poucas vezes depois do fim.

Ok, vamos para de falar sobre isso. Acho que o mais difícil, então, é saber se adequar à nova rotina. Todo mundo ainda me pergunta dele, ainda conversa sobre ele e eu preciso insistir com um “cara, acabou, vamos discutir Caetano, falar de novela ou até política; só não fala mais disso”. O que foi bom vai ficar com força, mas o meu presente é o que conta.

E dá licença que eu quero mais é viver.

[ Gustavo Lacombe ]

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Você Será a Eterna “Outra”

Peraí, eu acho que não entendi direito. Você ama alguém que diz amar outra pessoa que diz amá-la também e que não tem noção alguma do que acontece, sendo que ele tem noção exata da merda que faz e você sabe o tamanho da encrenca em que se meteu. É por aí? Ou eu perdi algum detalhe?
 
Se você me disser que ela sabe desse rolo todo, vou brincar dizendo que é pra chamá-la pra um ménage, mas eu ainda tô me decidindo se fico chocado com a situação toda ou se dou na sua cara pra você tomar um pouco de juízo. Em ambos os casos eu apenas espero que você entenda a sinuca de bico em que está seu coração.

Você ainda tem um, certo?

Pode ser que eu esteja sendo um pouco duro contigo, eu sei. É que eu não consigo entender algumas coisas nessa história. Você se submete a ser a outra, me diz que isso já acontece há algum tempo, diz que ele teve outras namoradas durante esse período e ainda acredita que ele pode gostar de você. Não, ele não gosta.

Detesto ter que ser o cara que coloca os pés de alguém no chão, que corta os balõezinhos de felicidade ou dá esse choque de realidade, mas alguém que ser o filha da puta da parada. Alguém precisa fazer o trabalho sujo, entende? E eu prefiro tentar te fazer sacar isso tudo antes que a merda fique maior. Antes que alguém se machuque feio nessa história. Antes que você comece a criar esperanças de não ser mais a outra.

Você não tem, né? Só faltava essa.

Até porque, parece que está bem certo que você será a eterna “outra”. Ele não gosta de você, ele gosta da sua disponibilidade em atendê-lo quando ele precisa. Tá, ele pode gostar de você sim, mas nunca será o suficiente para te promover – se é que a gente pode falar assim. Eu mandaria você pular fora, só que você fala até que “ama”.

E quando se coloca o coração no meio, pode jogar fora qualquer conselho.
Qualquer tentativa de ajuda é inútil.

[ Gustavo Lacombe ]

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A Delícia da Traição, o Amargor da Descoberta

Era pra ser só mais uma escapulida.

Isabella chegou cedo na casa de Bernardo. Já tinha até a chave da porta. O porteiro já a conhecia e a chamava de Dona Bella. O apartamento, um dois quartos com vista pros fundos de um parque em Ipanema, não era luxuoso, mas era basicamente o suficiente. O suficiente para o IPTU ser um absurdo em tempos de Olimpíadas no Rio. Ela tomou um banho e deitou na cama – de calcinha preta e com uma camisa dele.

Nem dez minutos depois Bernardo chegou e já foi se atirando nos braços dela. O negócio entre eles sempre foi quente. Desde a primeira vez depois de um drink num bar do Flamengo e uma rápida troca de olhares. Isa não era daquelas que conseguia disfarçar o interesse. Bernardo também nunca foi dos mais quietos e santos. E o detalhe que mais instigava os dois estava bem perto do quarto no exato instante em que ela pulou pra cima dele.

O namorado de Isabella, Gabriel, tocou a campainha.

Bernardo foi atender a porta, mas acabou levando um empurrão logo que dobrou o corredor na sala. Entre xingamentos e ameaças, o namorado traído encontrou Isabella nua e fez questão de desfilar todo o seu repertório de palavrões e impropérios. Até que Gabriel voltou e os dois brigaram, ela se meteu no meio e acabou sendo empurrada contra a parede. Caiu sentada e ficou ali, chorando. Gabriel levou um soco e decidiu ir embora antes que levasse uma surra.

Não sem antes dizer um “não me procura mais, piranha!”.

A menina foi atrás. Se vestiu depressa e foi bater no apartamento do namorado (agora ex). Gritando perdão do corredor do prédio, transtornada com a besteira do que fez, quase botou a porta à baixo de tanto que a socou. Dona Roberta, vizinha de Gabriel, apareceu e disse que não ouviu ninguém chegar. Ela estava só perdendo tempo ali. Isabella decidiu esperar na portaria.

Era só uma escapulida. A desculpa era perfeita. Como será que ele descobriu?, ela pensava. O caso já durava uns bons meses e ela sempre tinha tomado cuidado. No começo achava errado, mas depois passou a gostar. Não soube a hora de parar, é bem verdade. Quando viu, não queria mais largar nenhum dos dois. Esteve errada desde sempre e não lembrava o porquê da traição, mas curtia os perigos e não achava que pudesse ser descoberta.

Foi. Gabriel achou uma mensagem primeiro. Nada de demais, tudo bem. Depois, viu o mesmo nome curtindo uma foto, comentando outra e, em seguida, aquilo tudo sendo apagado. Relevou. Mas quando Isa passou a não procurá-lo e a negar fogo quando os dois estavam juntos, soube que tinha algo errado. Ela, que sempre foi fogosa e tarada nele, de repente ficou fria. Pensou que poderia ser uma fase, mas os meses seguidos de desconfiança o fizeram duvidar de tudo.

Até das desculpas dos exames e médicos e encontros com amigas.

E aí, às 10 e meia da noite, chegando com um bafo de cerveja e dando de cara com a ex discutindo com o amante na portaria do seu prédio, Gabriel teve a certeza de que não fora ele quem tinha perdido – ele tinha se livrado de um problema. Passou perto de Bernardo e disse:

– Eu posso até ficar com saudade dela, mas obrigado por livrar de uma pessoa sem caráter.

E subiu. E chorou. E virou mais umas seis doses de vodka que tinha em casa antes de apagar no sofá. Isa passaria uns 40 minutos no corredor chorando e se lamentando. Bernardo partiu assim que se tocou do tamanho do problema que tinha criado. Dona Roberta foi dormir, certa de que no dia seguinte ele iria bater na porta da casa dela pedindo pelo café de sempre, mas dessa vez para rebater a pior das ressacas.

– Eu te falei, Gabriel. Essa menina só tinha cara de boazinha.
– Eu sei que você falou, Dona Beta… ai…

Depois desse dia, Gabriel nunca mais ousou misturar as coisas. Ser corno não era o problema. As pessoas esqueceriam e outra pessoa chegaria. A saudade não era o problema. Ele sabia que tinha se livrado de alguém ruim pra ele. Agora, misturar Amor e álcool, sim, era foda. Combinação que causa a pior das ressacas.

[ Gustavo Lacombe ]

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Posso ser o maior Sem Noção do Mundo, mas sei que é Você quem dá graça a ele

Eu não devo ter noção nenhuma mesmo.

Olho pro lado e enxergo tudo que eu tenho e me vem uma sensação de vazio. Falta você, já sei. Sou grato demais por ter uma família, um teto, comida e amigos, mas esse buraco que me faz tropeçar toda vez que resolvo caminhar por entre meus sonhos e medos me faz repensar tudo o que construí. Até porque chega uma hora que não adianta ter tudo se o alguém que dá graça a isso tudo não está por perto.

E esse alguém, pra mim, é você.

Talvez eu não tenha noção nenhuma mesmo. Depois de cometer todas as burradas e desperdiçar todas as chances, volto aqui com a cara de cachorro que caiu da mudança e peço mais uma oportunidade. Você já cansou de dizer que o preço é muito alto e que “pagar pra ver” é uma opção que não existe. Porém, depois de tanto tempo, deu pra ver com muita clareza que é o teu sorriso que eu acabo sempre procurando nessas noitadas sem sentido. E nunca acho.

Procuro sempre por algo seu nos outros e, obviamente, dou de cara apenas com a minha falta de noção em não perceber que nunca te encontrarei assim. Querendo te encontrar em outro lugar que não dentro de mim, me pego com receio de tomar qualquer atitude porque sei que já é tarde. O ditado “nunca é tarde demais” fica martelando na cabeça, mas não me ajuda a fazer algo.

Fracassado, você deve perceber.

Queria a possibilidade de te sequestrar uma noite, viver uma vida, beijar de novo a sua boca, te falar do tanto de saudade que sinto em te abraçar e sentir sua respiração perto de mim, poder ser ouvido pros teus problemas e pros teus sonhos, imaginar uma estrada junto, fazer tudo aquilo que poderia e deveria ter sido feito há um tempo. Eu sou um “sem noção”, eu sei.

Sem noção do ridículo, do absurdo e da piada que pode ser estar aqui te escrevendo isso tudo, mas cá estou eu falando tudo que alguns amigos dizem que eu não deveria e que, com certeza, a razão mandaria eu guardar pra mim e engolir à seco. E eu lá saberia fazer isso tudo?

Claramente, não.

Talvez seja por isso que eu ainda sonho em te ter do meu lado, com um bom livro numa praia ou dentro do carro viajando pra um lugarzinho frio, na cozinha fazendo pão de queijo ou na fila da pipoca do cinema, entre cadernos do teu curso te ajudando a estudar ou cantando uma música com a letra errada. Por só ver graça na Vida contigo ao meu lado é que eu perdi a noção de tudo e tô aqui te dizendo o quanto eu ainda te amo.

Sem noção nenhuma também do tamanho que o sentimento ocupa em mim.

[ Gustavo Lacombe ]

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Quando Eu te Beijo Sorrindo

Eu sempre fui avesso a essas coisas de Amor. Sentimentalidades, sabe? Sou daqueles tipos discretos, mas que acabam sendo confundidos com duros ou que não tem tino pra coisa, mas acho que é uma grande besteira. Algumas pessoas gostam de sair falando e se declarando, eu apenas guardo o que tenho para dizer e fazer para a pessoa que precisa me ouvir e receber os meus gestos.

Nesse caso, você.

Desde que você chegou, é um fato, eu venho percebendo como eu mudei. Não só eu. Meus amigos já colocaram até apelido pro casal e parecem que querem nos casar até mesmo antes do pedido oficial de namoro. Se é namoro, rolo, confusão ou só um romance no início, eu não sei. Não quero ter certezas, mas apenas continuar com a alegria de saber que as coisas que vem de repente também são bem-vindas.

Esse riso é novo, essa alegria é nova, esse querer estar perto é novo. Tem acontecido tudo novo. E eu quero te mostrar, a cada dia, o quanto gosto de ter por perto, de receber os seus carinhos e a felicidade de não querermos correr com nada. Dos beijos lentos ao afago no cabelo quase que involuntário, tudo vem se tornando cada vez mais natural.

Como abrir os olhos, lembrar de você e sorrir.

Sorriso esse que aparece ao parar na porta do teu prédio e ver saindo pelo portão. Sorriso esse que insiste em ficar no rosto, deixando marcas de expressão nas bochechas e me fazendo ficar com cara de bobo – facilmente denunciada quando estou no meio das pessoas. Sorriso esse que dá as caras até mesmo sozinho, lendo uma mensagem no celular ou olhando uma foto de nós dois.

Eu, que não me acho tão romântico assim, venho pensando nessas pequenas coisas de casal, nessas surpresas em cada encontro e o que fazer de diferente pra te surpreender. Eu, que quando te beijo sorrindo sinto o sangue voltar a lugares que pareciam esquecidos, só tenho a agradecer por tudo isso de lindo que você me devolveu.

Pra quem era tão avesso a tudo isso, descobri que era só questão de achar quem me visse com os olhos certos.

[ Gustavo Lacombe ]

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A dor de Amor a gente cura com outro Amor?

Eu fico imaginando com quem você usa aquela saia que eu te dei. Uma de listras que você tinha que quebrar a cabeça pra saber com qual blusa vestir e que eu ficava cobrando pra usar comigo. Ou, pior, aquela lingerie preta. Lingerie que tantas vezes já virou a minha cabeça. E eu sei que usa porque você me disse, numa outra conversa, que ela ainda cabia. “Ainda fica sensacional”, disse imitando as caras e bocas que eu fazia ao te ver vestindo ela.

Só ela.

Me pego imaginando as pessoas que te encontram por aí, pra quem você se dá e os domingos sozinha em que fica em casa. Claro que isso tudo é problema seu. Não quero me atrever a regular nada. Nunca pude e nem posso agora. Me encaixo, incrivelmente, nas lembranças misturadas ao presente e pareço começar a pintar uma miragem. Eu e você juntos. Só que em sonho.

Queria, sim, poder sair desse turbilhão de sensações, mas acho até natural quando cultivamos um carinho tão grande por alguém. Eu fico imaginando coisas e sei o quanto eu deveria cuidar de mim. Voar pra longe. Há quem tente me ajudar, tirar essa confusão de mim. Há quem diga que não vale a pena, mas eu sempre rebato dizendo que as maluquices são minhas e os devaneios não vão sumir num passe de mágica.

Get over it, uma outra amiga me diz – aproveitando minha fragilidade para me dar um selinho. Não, cara. Não é isso que eu quero. Não é pra trocar, não é pra substituir, não pra me distrair. Não funciona assim. Os erros vão continuar ecoando na minha cabeça junto com aquele último encontro. Se fosse apenas questão de colocar outra pessoa no lugar não existiria todo esse drama.

Eu sempre duvidei do “curar dor de Amor com outro Amor”.

Espero, de coração, que você esteja feliz. Ainda não consigo te encontrar sorrindo por aí, mas desejo que (longe de mim) você esteja bem. E eu vou me cuidar mais. Porque quando a gente enfim consegue entender que não faz mais parte da Vida do outro, a única coisa que resta a fazer é cuidar de si. E eu vou cuidar de mim.

[ Gustavo Lacombe ]

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Quando Eu Decidi Te Pedir Pra Ficar

Eu decidi te pedir em namoro quando eu senti mais medo de te perder pra outro do que a vontade de conhecer uma nova pessoa. Quando todo perfume que cruzava comigo pela rua me fazia lembrar do teu por mais diferente que fosse, só porque era o seu o que eu queria sentir. Quando todas as músicas começaram a parecer querer descrever cenas, momentos e lances de nós dois em detalhes, refrães e afins. Quando eu passei a sentir um certo cansaço em explicar que estávamos apenas nos conhecendo e me peguei sorrindo com a ideia de ter ao meu lado como par. Quando já não conseguia associar mais coisas básicas a um programa solitário e, então, praia, cinema, parque e açaí só seriam completos com você. Quando eu passei a achar que seu nome tinha alguns sinônimos como “carinho”, “sorriso” e “sonho”. Quando uma pontinha de ciúme – algo que eu quase nunca sinto – me beliscou num domingo qualquer em que decidimos falar sobre coisas do passado e eu já queria colecionar histórias contigo. Quando passei a fazer mais meio saco de pão de queijo porque sabia que você iria lá pra casa assistir série comigo e adorava comê-los concentrada na televisão. Quando minha mãe começou a perguntar pela “norinha” dela. Quando eu passei a imaginar que toda foto de casal de mãos dadas na internet poderia ser a gente. Quando meu irmão me disse “game over”. Quando você me olhou bem fundo e a única coisa que eu soube dizer foi “eu preciso de você”. Quando você respondeu “e eu preciso de você mais ainda”. E o mais engraçado disso tudo é que quando eu decidi te pedir em namoro foi no exato instante em que eu mais tive o maior receio de não conseguir te fazer feliz porque sabia que ser feliz era o mínimo que você merecia. Mesmo assim, morrendo de medo e quase não acreditando que depois de tanto tempo estava prestes a me jogar de novo, fiz o pedido.

Sim, enfim.

[ Gustavo Lacombe ]

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Ela Não é Mais Sua, Ela é Dela

Senta aqui, cara. Vamos conversar.

Sei que esse papo pode te machucar, mas é pro seu bem. Te encontrei aquele dia com cara de quem estava acabado e só fui saber depois do ocorrido. E, sim, você estava e ainda está com o mesmo semblante. O mesmo rosto grave e preocupado de quem não sabe o que fazer agora. Eu, como seu amigo, só posso te dizer pra seguir. Ela não é mais sua.

E digo esse “sua” porque várias vezes a ouvi dizer isso. Lembro de como ela te olhava fundo no meio da galera e não se sentia envergonhada ao falar essas coisas. Aliás, acredito que nem todas as pessoas sejam corajosas o suficiente para demonstrarem seus sentimentos, mas as que o fazem certamente estão mais perto de viver a plenitude do que sentem.

E vocês viveram tudo que podiam.

Sei que fica a sensação de que a estrada ainda era longa, mas se foi algo que os dois decidiram, deixe que cada um siga sua estrada. Ela agora é toda dela. Você, também, é todo seu. Se um dia tiver que dar certo de novo, dará, mas não adianta você interromper tudo aquilo que foi planejado e não continuar sua batalha pelos seus sonhos. Nem ela iria querer isso.

Não sinta inveja ou raiva do sorriso dela. Dói para os dois, mas ninguém é obrigado a conservar um luto. Ou, então, reflita por quantas vezes você esteve mal e teve que sorrir na hora de uma foto. Talvez aconteça o mesmo do lado de lá. Mire-se no exemplo: ela está tentando ficar na paz dela, do jeito dela. E você deveria tentar fazer o mesmo.

Vocês já não podem se ajudar.

Não coloque toda a culpa do fim nos seus ombros. Ela é tão dela quanto você agora é seu. Cada um vai buscar o que é melhor pra si. Não se trata de ser egoísta, mas de tentar enxergar qual a melhor saída para se curar disso tudo. E, tenha certeza, a Vida só melhora quando a gente decide que quer melhorar. Ficar parado não vai adiantar.

Devolva-se como ela se devolveu.

[Gustavo Lacombe]

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