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Você Será a Eterna “Outra”

Peraí, eu acho que não entendi direito. Você ama alguém que diz amar outra pessoa que diz amá-la também e que não tem noção alguma do que acontece, sendo que ele tem noção exata da merda que faz e você sabe o tamanho da encrenca em que se meteu. É por aí? Ou eu perdi algum detalhe?
 
Se você me disser que ela sabe desse rolo todo, vou brincar dizendo que é pra chamá-la pra um ménage, mas eu ainda tô me decidindo se fico chocado com a situação toda ou se dou na sua cara pra você tomar um pouco de juízo. Em ambos os casos eu apenas espero que você entenda a sinuca de bico em que está seu coração.

Você ainda tem um, certo?

Pode ser que eu esteja sendo um pouco duro contigo, eu sei. É que eu não consigo entender algumas coisas nessa história. Você se submete a ser a outra, me diz que isso já acontece há algum tempo, diz que ele teve outras namoradas durante esse período e ainda acredita que ele pode gostar de você. Não, ele não gosta.

Detesto ter que ser o cara que coloca os pés de alguém no chão, que corta os balõezinhos de felicidade ou dá esse choque de realidade, mas alguém que ser o filha da puta da parada. Alguém precisa fazer o trabalho sujo, entende? E eu prefiro tentar te fazer sacar isso tudo antes que a merda fique maior. Antes que alguém se machuque feio nessa história. Antes que você comece a criar esperanças de não ser mais a outra.

Você não tem, né? Só faltava essa.

Até porque, parece que está bem certo que você será a eterna “outra”. Ele não gosta de você, ele gosta da sua disponibilidade em atendê-lo quando ele precisa. Tá, ele pode gostar de você sim, mas nunca será o suficiente para te promover – se é que a gente pode falar assim. Eu mandaria você pular fora, só que você fala até que “ama”.

E quando se coloca o coração no meio, pode jogar fora qualquer conselho.
Qualquer tentativa de ajuda é inútil.

[ Gustavo Lacombe ]

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Ou Ela ou Eu

A gente se encontra numa dessas noites perdidas pela cidade e meu coração palpita. Pularia em teus braços, te beijaria a boca e sorriria bem mais do que o aperto que a saudade me fez esses últimos dias, mas você só aperta a minha mão e me cumprimenta friamente. Não fosse a mulher que você traz à tiracolo, poderíamos continuar nosso Amor proibido.

Sinto vontade de te perguntar “ou Ela ou Eu?”.

Baixo os meus olhos. Escondo minha dor num copo e me afogo na minha própria mentira que venho criando sobre nós dois. Fico olhando de longe o que vocês fazem. Fico seguindo os movimentos. Minha mente arma seus piores truques e torna-se inevitável não acabar pensando nas noites que vocês passam juntos, nas coisas que vocês fazem juntos, nas juras que você fala pra ela, mas repete comigo.

No amor que vocês fazem.

Morro de medo, você sabe, de fazer essa pergunta maldita. Morro de medo porque eu sei que sou a “outra”. E agora já encaro o fato sem pudor algum. Você encontra em mim algo que não vê mais nela, só que isso não é suficiente. Nunca serei promovida a “oficial”. Uma amiga vive me dizendo que estou apenas me enganando e perdendo meu Tempo, gastando minha Vida. Entre mim e ela, você certamente ficaria no conforto do lar. E me abandonaria.

Então, fico naquela insuportável sinuca de bico. Não te digo tudo que sinto porque tenho medo de ficar sem você. Deveria mesmo era ir lá e escancarar o que a gente tem. Ao mesmo tempo, sei que continuar te tendo pela metade vai seguir cravando cada vez mais fundo uma faca no meu coração. Sangrando, não consigo desviar os meus olhos de vocês. E eu sei que você já reparou a situação que a gente criou.

De longe, percebo, você está me encarando. Puto.

Penso em arrumar outro alguém ali mesmo naquela festa. Pretendentes não param de se encostar, mas dispenso todos. Te causa ciúmes cada aproximação. Depois me sinto uma idiota. Uma ridícula. Já basta o meu papel, não preciso passar recibo. Tem gente que não entende quando eu digo que o Amor, às vezes, nos cobra um preço alto demais. Só que cada um sabe o quanto pode bancar.

Vou embora antes de vocês. Meu coração apertado é apenas o 3×4 de um sentimento gigante. Soa como castigo. E eu vou dormir com a cabeça zonza, morrendo de vontade de fazer a tal pergunta. Repito baixinho pro meu travesseiro: ou ela ou eu. Ensaio. Ensaio aquilo que não vou perguntar. Por fim adormeço.

E, como um pesadelo, sonho contigo.

[ Gustavo Lacombe ]