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Pra Ser Sincero

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dê o play e leia: Engenheiros do Hawaii – Pra Ser Sincero ( http://www.youtube.com/watch?v=rT_YdefBTPU )

Era a mão dela na minha e ao mesmo tempo era uma desconhecida tão amiga que já nem sabia o que era certo e errado. Crime perfeito era pouco, éramos loucos, dois doidos que queriam não deixar vestígios, mas levavam sorrisos como provas de que tinha acontecido. estava na testa a culpa. Estava no corpo a dúvida de que caminho seguir.

Estava feito o estrago.

Virávamos outra coisa depois. Eu, pra ser sincero, não esperava muito mais do que educação. Um aceno, um aperto de mão ou, no máximo, um beijo no rosto. Beijo que pegava fogo. Que fazia uma fogueira acender em mim, mas me jogava um balde d’água fria ao lembrar que não poderia externar nada. E, às vezes, ela fazia só pra me provocar.

Chegávamos a ficar um tempo sem se ver, cada um tocando a sua vida, seus projetos e seus sonhos. Parecíamos esquecer que éramos tão importantes um pro outro. Se não na frente de todos, no psicológico que apenas nós dois sustentávamos e nos fortalecíamos. A gente se afastava, mas era só cruzar os olhos pra tudo voltar. Podia ser numa foto, alguém parecido ou, simplesmente, no escuro da saudade ao fechar os olhos.

Pra ser sincero, era, sim, o crime perfeito.

Eram os mesmos defeitos e desejos que se igualavam e completavam de um jeito que ao passar da porta sumiam. Talvez a gente um dia pare pra pensar na explicação daquilo tudo ou até do porquê de não termos ficados juntos. Um dia, quem sabe. Enquanto isso, era só aquilo, vai ser só isso. Aperto de mão, apenas bons amigos.

(Gustavo Lacombe)

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Carta de um Amante

Carta Amante

Pequena,

joga tudo pro alto. Acorda amanhã e faz uma mala, uma mochila. Ou, melhor, nem dorme essa noite. Espera a vizinhança se aquietar e sai de fininho. Deixa a porta encostada pra não fazer barulho com a chave nem com o trinco. Vem com seus pés de veludo até a esquina. Te espero. Carro ligado, motor funcionando e o ronco vai se confundir com o que deixou no quarto sozinho. Larga tudo.

Te peço isso num impulso louco apaixonado, mas com a frieza de quem pensou até não poder mais. Pesei muita coisa também. A sua, minha, nossa alegria. Coloquei do outro lado a tristeza que ele sentirá se acordar e encontrar o lado esquerdo vazio. Eu já sei faz tempo o lado que você gosta de dormir. Juro que me pus no lugar dele e não resisti ao fazer este pedido. Lutei muito contra o egoísmo de querer ter você só pra mim.

Mas não é desse jeito que funciona?

Eu sei que você não quer mais essa sua vida. Vive falando que agora o teu destino é comigo e que quer construir algo nosso. Deixa a janela entreaberta, faz uma corda fugitiva com lençóis amarrados. Escapada hollywoodiana em plena madrugada carioca. Rapel da janela do teu quarto pra escalada dos meus braços. E não esquece de deixar um bilhete pra ele.  Joga tudo pro alto. Larga o que eu chamo aqui de “tudo”, mas você vive me repetindo que é nada. Que não há mais nada.

Se essa carta chegou até você é porque existe quem acredite e apóie essa nossa loucura. Esse nosso amor. Nascido do olhar, confirmado nos beijos. Talvez levando apenas a culpa de você já estar com alguém. Entretanto, há tempo para concretizar nós dois, Pequena. Quando se ama nunca é tarde. Vem, te peço, e me mostra que tudo aquilo que fala pra mim é verdade.

Essa não é nossa última chance, mas é a chance. Pra quê prolongar?
Joga pro alto o que você não quer mais e agarra a gente de vez.

(Gustavo Lacombe)