Já Me Esqueceu, né!?

Ela abre uma rede social e vê a foto do ex com a atual. Ri depois de se comparar com ela e pensa “me trocou por isso!?”, mas logo para. O sorriso no rosto do casal incomoda e ela manda “JÁ ME ESQUECEU, NÉ!”. Rola um sentimento de posse ruim nessa hora. O amor vivido não foi esquecido, mas o que se sente é um misto de ódio em ver que ele seguiu e prazer em saber que ela é mais bonita. Mas o sorriso continua ali. Não, nada diz que eles são namorados, há quanto tempo se conhecem, mas ela já presumiu aquilo tudo. Acha até que já viu aquele rosto em alguma foto com ele antes, mas não consegue se lembrar. Arquiteta universos inteiros só com a sua paranoia e cria mundos completos só com as besteiras que sua imaginação é capaz de contar. Pensou em ligar. Pra ele. Acabou conversando com uma amiga que mandou: lembra daquele suplemento que você comprou que vinha dizendo “para melhores resultados tenha uma dieta balanceada”? Então, a própria embalagem já dizia que nessa vida não existe milagre. A perna não vai engrossar sozinha, a barriga não vai chapar sem dieta e, acredite, teu coração não vai esquecê-lo de um dia pro outro. Ela riu da analogia. “Que horrível”, falou, mas viu que era verdade. Quando terminou o relacionamento, cortou o cabelo, voltou a correr e decidiu se cuidar mais. Tinha dado certo. Sentia mais gente olhando, mas o sentimento ainda resistia. Talvez aquela foto tenha servido pra alguma coisa. Pra motivar a se abrir, a viver coisas novas. Perguntou qual era a boa e foi embora pra casa da amiga levando uma mala de roupas. Sim, uma mala pra uma noite. E, naquele dia, bloqueou o ex, como quem precisa de uma camisa de força para não esticar a mão ao que vicia. Bloqueou, sim, e não viu, meia hora depois, que ele tinha editado a legenda e escrito:

parabéns pela formatura, prima!

[ Gustavo Lacombe ]

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Amiga, Sua Trouxa

Amiga, você quer que eu fale o que mais? Vai adiantar alguma coisa eu jogar na sua cara que você é trouxa e saber que você continua fazendo as mesmas coisas? Mais fácil te deixar quebrar a cara mesmo e amanhã só oferecer meu ombro. Até porque, eu posso cansar de te xingar e tentar te mostrar que é mais uma burrada acreditar nesse cara, mas eu nunca vou te abandonar quando você precisar de mim. Então, vai. Deixa ele passar aí pra te pegar, sai com ele, encara aqueles olhos que já sabem direitinho como te enganar. Só faz ele pagar a conta, tá? Do motel também. E se em algum momento você sentir que essa é só mais tentativa frustrada, não hesite em sair correndo. Fala que teu gato tá passando mal, teu cachorro foi atacado por um rato gigante na rua, que tua tia-avó faz aniversário amanhã e você combinou com todas as suas primas de fazer uma surpresa pra ela. Vai gritando pela rua que você tá surtada e dá logo um show pra ele nunca mais aparecer. Porém, se sentir que pode ser dessa vez (pela quinquagésima vez…) se deixe levar. Escuta teu coração e vai. Me acostumei a ouvir histórias de quem não teve coragem de apostar, mas a certeza da tentativa ainda é melhor que a resposta em branco da dúvida. E decepção não mata, aprendi. Pelo contrário, ela ajuda demais a viver e nos empurrar pra frente – mesmo que na força bruta. Fico muda e prometo não mandar uma mensagem sequer essa noite, só não leve a mal tudo que disse. Eu só quero que você fique bem. Mesmo se tiver de ser com esse cara bosta. Se ele conseguir te fazer feliz, pra mim já tá valendo.

[ Gustavo Lacombe ]

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Amizades Sinceras, Brigas Também

Eu gosto daquelas amizades em que as pessoas brigam, mas não se desgrudam. Daquelas em que algumas verdades são jogadas na cara, mas as desculpas também são tão sinceras quanto. Aquelas que todos ao redor se perguntam como que os envolvidos conseguirão ficar longe um do outro no caso de alguma separação, ou daquelas em que essas mesmas pessoas dizem “só vocês podem se aturar”.

Claro que, como qualquer outra, esse laço também pode sofrer com as imprevisibilidades do Tempo e da Vida. Não é sempre que conseguimos manter por perto aqueles que nos enchem o peito de alegria. E, com a distância física e o atropelar da rotina, nos pegamos pensando em quem não deveria ter saído nunca de perto, mas que infelizmente a estrada separou. O reencontro, quando presente, mostra que o elo ainda é forte.

Passam-se os anos, não se passa a amizade.

Acredito, sim, que devemos lutar o quanto podemos para sermos vistos e necessários àqueles que gostamos e queremos cuidar. Entretanto, sendo as urgências do agora mais fortes, que consigamos sempre manter um lugar especial para quem faz nosso coração vibrar. Uma amizade, eu sei, é dos amores mais bonitos que existem. Da recíproca ao ombro sempre pronto, todo o sentimento está ali.

E ainda que a sinceridade de um dos lados venha a machucar, sabe-se que é apenas um jeito de dizer “eu sei que você melhorar”. A amizade não tem dedos. Não tem inveja. Não tem pudor. Não tem hora. Não tem vaidade. Tem carinho, ainda que permeado por eventuais porradas. Tem cumplicidade, mesmo trazendo à reboque todas as verdades.

Tem Amor, definição mais que perfeita. Precisa.

[ Gustavo Lacombe ]

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O Melhor Abraço, a Maior Armadilha

Todo abraço esconde em si um lar e uma armadilha.

Depende, claro, de qual é a intenção da pessoa que o dá. Sendo inocente, pode se configurar em abrigo, carinho e se transformar em lar. Usado para outros fins, funciona quase como areia movediça, teia de aranha, cola de sapateiro, superbonder, açúcar pra criança ou qualquer outra analogia que possa representar o que gruda, não solta, causa vício ou se quer fazer de sempre necessário. Uma ambiguidade capaz de confundir corações, dar nós em mentes, atiçar vontades, definir a linha tênue entre tudo o que se quer e tudo que se pode ter.

Talvez seja esse o motivo que nos faz olhar diferente para aquela pessoa que reúne o melhor dos dois mundos num só. Quando a gente encontra quem sabe nos envolver, passar os braços em “X” por nossas costas e guardar no gesto toda a carga de ternura e provocação, pensamos tirar a sorte grande. Bingo, diz o coração baixinho enquanto se ajeita mais uma vez no peito do outro. Jackpot, diria aquele outro que se acostumou a tratar o Amor como um jogo de azar, onde na maioria das vezes o jogador sempre perde.

É, sempre existe o risco.

Como dito, existem abraços capazes de confundir qualquer pessoa. Quantas vezes você não ouviu o papo de um amigo que se apaixonou e aproveitava esses momentos para tirar uma casquinha? Ou, quando a paixão é platônica, tinha naquele instante em que os corpos se aproximavam o limite entre se jogar e se esconder. Difícil. Ainda assim, é possível fazer transbordar todo o afeto por alguém no meio de um abraço. Quantas vezes você não precisou de um desses pra segurar a barra de um dia ruim?

Diria, então, para você tomar cuidado. Quando os recebe e quando os dá. Há um grande perigo, sim, ao tentar fazer de uma pessoa sua casa. E, ao contrário, pense bem antes de querer se fazer de armadilha. Despertar algo puro no outro para fazer disso um teatro é ridículo. Entretanto, tendo a certeza de que vale o risco, deixe-se prender, provocar e devolva tudo na mesma intensidade. Enrole-se, embosque-se, prenda-se, abrace.

E deixe o corpo ir.

[ Gustavo Lacombe ]

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Não troque seus Amigos Pelos Seus Amores

Eu nunca travei uma saída de uma namorada com as amigas.

Nunca fui mesquinho ou possessivo ao ponto de dizer que não a queria andando com alguma amiga. Acreditava que, antes de tudo, ela tinha a Vida dela. Me conhecer tinha sido um (belo) detalhe no caminho, mas muitas outras coisas já existiam. As amizades, principalmente. Pessoas que ela recorria e contava do dia, dos sonhos, das batalhas e, por que não?, do que acontecia dentro do namoro. Pessoas que com quem ela poderia conversar sobre outras coisas de uma maneira mais natural do que comigo.

Acho que é fundamental, então, incentivar quem está do nosso lado a manter as amizades. Vou defender até a morte o futebol de quarta-feira, contanto (e confiando) que ele seja um mero futebol com churrasco mesmo. Vou criticar o cara que questiona o porquê da mulher sair na sexta para tomar um chope com as “meninas”. É mais que necessário saber dividir a Vida conjugal das atividades que só podem ser feitas com outros.

É importante frisar, obviamente, que existe o outro lado da moeda.

Quando se consegue integrar o parceiro a sua roda de amigos, tudo fica melhor. Quando se tem até mesmo outros casais para sair, viajar e curtir algo juntos, também. O que prego aqui é a necessidade de não querer o outro só para si. O Amor de casal não pode privar ninguém dos outros tipos de amores que são encontrados por aí. E a amizade é um dos mais importantes deles.

Defendo que não se deve trocar os amigos pelos amores até mesmo porque o namoro pode acabar, o laço fraterno não. Longe de querer rogar praga para cima dos namoros por aí, mas é preciso ser um pouco realista e perceber que existe muito mais chance de levar um amigo para a Vida inteira do que um relacionamento.

Se você consegue integrar e interagir com ambos, ótimo! Certeza que, em certos momentos, sua atenção estará voltada mais para uma coisa que para a outra, mas conseguir ter essa relação saudável em todos os âmbitos da Vida é bom para qualquer um. Desafiador, claro, tendo em vista que o tempo às vezes é curto e se precisa decidir com o que e com quem iremos aproveitá-lo, mas sabendo dosar e conversar tudo é mais tranquilo.

No peito há espaço pra todos os amores: pros amigos e pra quem ardores.

[ Gustavo Lacombe ]

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Eu Escolhi Sumir

Sumi, sim!

Sumi no primeiro instante em que me dei conta de que era apenas um divertimento. Não é que não fosse divertido. Não é que eu não posso admitir que também gostava muito da situação, mas chegou uma hora que eu cansei. Enjoei depois de te dar todas as pistas e provas sobre o meu envolvimento e te ver se esquivar com tudo. Eu fui embora na hora em que percebi que de jogadora, passei a ser o jogo.

Ainda tive que ouvir você recitar Caetano. Tive de aturar os versos “então, tá combinado, é quase nada / é tudo somente sexo e amizade”. Aturei aquele dia por conta de todo o tesão que estava sentindo e que queria colocar pra fora, mas logo depois de amassar os lençóis, você pegou sua roupa e foi embora. Eu me senti uma puta, sabia? Aliás, uma puta pelo menos saberia que o esquema era aquele. Foi o que faltava pra eu me dar conta.

Não quero te culpar ou te julgar. Na sua cabeça, você estava certo. E, claramente, não posso dizer que estava errado. O problema foi você não ter enxergado além do pinto. Foi não ter entendido que ao seu lado existia alguém disposto a ser bem mais que um encenação. Quer dizer, isso foi um problema pra mim. Eu que acabei me deixando levar por tudo que era bom sem conseguir me dar conta de que era apenas uma curtição.

Até que eu sumi.

Sabia que poderia demorar até você perceber que algo tinha mudado. Com tanta gente pra dar atenção, por que se preocupar com apenas uma que sumiu, né? Mas o bom pastor sempre vai atrás da ovelha que se desgarra do rebanho. E olha você aqui agora. Mandando mensagem de “sumida” logo de manhã pra ver minha reação e testar meu humor.

Eu tô bem.
E vou continuar sumida.

“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, pode ser adquirido aqui: http://www.bit.ly/AmorParaRaros

Meu Melhor Amigo é o Meu Amor

Feliz daquele que encontra no Amor, além de um amante, um amigo.

Porque muito além do sentimento nascido do desejo de ter e ser do outro, há o elo de amizade que mantém a sintonia ainda mais perfeita entre os dois. Ser parceiro da pessoa que está ao seu lado te apoiando em seus projetos e sonhos é tão importante quanto ser seu parceiro na cama.

Talvez não exista de verdade um relacionamento sem falhas. Sendo todos nós humanos, estamos suscetíveis aos deslizes. Porém, sem sombra de dúvida, é o comprometimento mútuo pelo sorriso no rosto um do outro que fazem alguns desses relacionamentos quase-perfeitos.

Uma vez me perguntaram o motivo de eu sempre querer evitar brigas e tentar resolver os impasses com ela assim que eles surgiam. Brincava respondendo que tinha demorado mais de 20 anos da minha vida querendo encontrar que me fizesse feliz daquele jeito. Não ia deixar que um desentendimento nos afetasse.

Não penso, obviamente, que seja necessário relevar algumas coisas e se manter calado em outras. Acredito que ser esse amigo para quem amamos é, também, apontar as falhas e indicar caminhos mais seguros. Ou, quem sabe, até mesmo algum outro ousado, mas que faça chegar mais perto ainda de um objetivo.

Entenda: ter o papel de parceiro não é para só passar a mão na cabeça do outro.

É preciso sinceridade, compreensão, carinho. Construir algo tão significativo e que passe a ser sinônimo de Abrigo, fazendo dos braços do outro um lar, é trabalhoso. Por mais que tudo se encaminhe naturalmente para isso, nenhum Amor (com “a” maiúsculo) se faz do dia pra noite.

Felizes são aqueles que tem paciência para o fazer.

[ Gustavo Lacombe ]