Eu Serei Pra Sempre o Teu Melhor

– Deixe seu recado após o bip.
 
BIP.
 
– Você vai lembrar de mim. Vai lembrar quando aquele cara chegar tirando a sua roupa de uma forma estabanada, quebrando o fecho do sutiã e pedindo desculpas. Ou não. Jogando a blusa na puta que pariu e tendo dificuldades de achar depois. Aliás, a calcinha que você perdeu no meu quarto, eu achei. E joguei fora. Não quero guardar nada como uma mortalha do que passou.
 
Passou porque nós dois não soubemos fazer mais do que deveríamos ter feito. Brigávamos pelos motivos mais idiotas e uma hora a cama não deu mais jeito. Não há sexo que segure tantas merdas ditas, tantos erros espalhados pelo caminho e dois estúpidos que não souberam parar antes de perderem o que tinham. Dói dizer e admitir, mas é a verdade.
 
E você vai lembrar de mim. Vai lembrar de quem fazia as piadas mais sem graça e te fazia se sentir bem com um abraço na hora de dormir que, em cinco minutos, virava uma fogueira debaixo dos lençóis. Você se virava de costas e as minhas mãos chegavam no meio das suas pernas. As suas, por sua vez, sabiam exatamente o caminho até o meu short. A gente sempre ficava com cara de sono, mas e daí?
 
A gente transava feliz e passava o dia seguinte tão na boa quanto.
 
Até isso vai te fazer lembrar. Vai te fazer fechar a cara e pensar “puta que pariu, eu dei pra outro ontem e tô pensando nele hoje”. Não haverá nada de errado com isso. É apenas um truque da memória que dirá e jogará na cara que será impossível me esquecer. Pelo menos até a próxima saída. O próximo porre. O próximo amor de uma noite. Durante muito tempo em sua vida, como já canta o Rei, eu vou ficar na tua vida.
 
Isso é um misto de profecia com maldição. É um meio-termo entre a vontade de fazer diferente com a raiva de ter pedido. É a mágoa que não se converte em felicidade por ter vivido com a frustração de ainda sentir tanto. É a soma de uma garrafa de vodka com um balde de energético. É o fundo do poço te ligando, mandando mensagem e morrendo de vontade de foder de novo contigo.
 
Mas, não, você deve tá com outro. Eu poderia falar coisas, insinuar outras, mas vou ser mais babaca do que já estou sendo. Sei que você vai lembrar. Quando alguém te tocar como eu te tocava. Eu vou ser a comparação máxima. Eu vou ser o parâmetro. E mesmo que alguém seja melhor, em alguma coisa eu serei insuperável: teu passado todo sou eu.
 
Ok, passado. Porque nós dois não soubemos ser presente.
 
Vai acabar a bateria e, antes disso, deixa eu dizer que te amo. Que ainda te quero. Foda-se. Gosto mesmo. Cansei de me fazer de durão. Eu sinto falta. Da foda e da forma com que a gente sabia, sim, ser feliz. Antes de tudo desandar. Antes da separação ser o único caminho. Se não desse mais pé, eu diria.
 
Eu ainda –
 
Fim das suas mensagens. Para ligar para o número que deixou o recado, pressionar 5. Para apagar, disque 0.
 
[ Gustavo Lacombe ]
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Pergunte pro Seu Coração

Não importa muito o que os outros te dirão sobre o Amor. O que importante, de verdade, é o que o teu coração diz. O que importa não é o que as pessoas ao teu redor aconselham ou te mandam fazer. A verdadeira diretriz é dada pela junção do que sente a sua emoção e a coragem da sua consciência em acatar ou não aquela decisão. Sei que não é fácil ter que colocar um pingo de razão nessas questões, mas te garanto que a saída nunca será ouvir aqueles que estão de fora.

Eles não sentem como você.

Sempre temos um amigo, claro, ao qual recorrer se preciso. Se você necessita de um ombro ele estará apto e pronto para te confortar e ouvir qualquer que seja o seu lamento. A amizade é isso. Um amigo de verdade te apertará a ferida, te afagará quando preciso e se mostrará disposto a te mostrar um caminho. Porém, ele sabe que apenas você pode decidir qual trajetória a tua história seguirá. São seus pés, não os dele.

Antes de esbravejar que não ama, antes de dizer que prefere esquecer, antes de declarar a si que o melhor a fazer é apagar tudo que foi vivido. Antes disso tudo, reflita se o teu mundo sem aquela pessoa continuaria o mesmo. Se melhoraria, se pioraria. Você bancaria a decisão do fim? Você conseguiria suportar a volta? Entenda onde eu quero chegar: ninguém está na tua pele. As tuas escolhas pesam nos teus ombros e você é quem deve saber o peso que eles aguentam.

Pergunte pro teu Coração se ele aguenta.

Acredito que todas as respostas estejam em nós, mas que fechamos os olhos para a sua clareza. Se o questionamento é voltado para nós e apenas nós mesmos poderemos respondê-lo, ninguém será capaz de adivinhar, de supor ou achar o que será dito. É preciso a reflexão. Talvez seja até paradoxal colocar lado a lado uma questão sentimental e a análise do caso. O poeta já diz que basta colocar Amor no meio para se perder qualquer traço de Razão. Nem sempre.

Eu poderia te dizer “some” ou “fica”, mas estaria colocando o peso da minha história nessa opinião. Poderia usar outras histórias de exemplo, mas colocaria a minha visão em cada uma delas. “Sumir ou ficar?” é uma pergunta que apenas você mesmo poderá responder. Se vai dar certo ou valer a pena, infelizmente não podemos predizer. Ninguém sabe o futuro. O único pedido que te faço nesse dilema todo é que você não faça nada que não possa bancar.

Um arrependimento pode durar uma Vida toda.

[ Gustavo Lacombe ]

Tô Fazendo Amor Com Outra Pessoa

Ela vai tirando a roupa no automático. Lembra de como era mais gostoso com o outro, mas segue o ritmo imposto por quem agora ocupa sua cama. Fecha os olhos e sabe que se engana. Sabe que por mais perfeito que possa parecer o cara que desliza as mãos na sua pele, são os defeitos daquele outro cara que faltam. Não se trata de sexo, mas de Vida.

Ele não te dá o mesmo que você tinha.

Aí, quando acaba, ela mal consegue dormir. Vai pro banheiro, saca o celular e faz menção de chamar o ex. Desliga antes que chame. Borra o pensamento antes que ele se transforme algo mais concreto. Se sente horrível, claro. Ela acabou de fazer amor com um, mas a cabeça vai longe.

O banho não serve para nada. Olha pelo vidro do box e consegue ver as costas do namorado. Senta no chão. É inevitável fazer comparações agora. Todas elas. Das dimensões do corpo aos detalhes do jeito. De como um fazia sorrir e de como o outro se preocupa com todas as necessidades dela.

Compara, inclusive, com a preferência da mãe.

Volta pra cama e rola pra um lado e pro outro. O cara, percebendo a inquietude dela, pergunta se está tudo bem e recebe um “claro, meu bem” como resposta. Não está. É claro que não está. Existe um coisa que toda essa dedicação e a possível perfeição não conseguem fazer. Nada disso faz a saudade passar.

Uma amiga já a tinha aconselhado. Já tinha dito que não adiantaria continuar se enganando e dizendo pra todo mundo que está feliz e que o novo é dez vezes melhor que o antigo. O Amor não é um objeto para se tornar obsoleto e ser substituído. Por fim, ela chora.

Sabendo que não há o que fazer, dorme. Amanhã, quem sabe, ela liga pro número que já decorou, faz a loucura de voltar pra vida que um dia negou, joga fora aquilo que todas as outras amigas invejam que tem. Quem sabe ela não cria coragem de jogar pro alto a segurança e ir atrás do que realmente a faz feliz.

[ Gustavo Lacombe ]

Durona, “pero no mucho”

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Em qual direção você está indo?

Sou durona. Minhas amigas volta e meia me perguntam se eu não sofro (nem que seja um pouquinho) por ser assim. Eu jogo o cabelo e digo “claro que não, amiga. Nasci assim, cresci assim, sou bem melhor assim”. Faço aquele beijo maroto no ombro e largo:

– Foda-se o que passou, eu olho é pra frente – e sorrio.

É um pouco de pose também, claro. Não assumirei o papel de representante hipocrisia aqui. Dizer que não me arrependo de algumas coisas seria mentira. Me arrependo de várias. Sério. Nossa… Se pudesse voltar no tempo, faria um monte de coisas diferentes. Mas digo isso só agora também. É bem mais fácil chegar a essa conclusão depois de ver o tamanho das merdas e ter que lidar com todas as consequências.

Quando fecho os olhos e tento relembrar o que sentia naquele exato momento, me dou conta de que cheguei onde exatamente quis. Bom, não exatamente, mas fui nas direções que quis tomar. Aí, quando me bate uma nostalgia, fico olhando pras estrelas à noite e relembro um amor. Não qualquer amor, mas aquele que qualquer pessoa tem e que sabe que poderia ter mudado a vida inteiramente.

Sempre tem.

E é engraçado como a gente passa a reparar mais nas estrelas e na imensidão do céu quando tem esses momentos sozinhos. Nos damos conta do tamanho de tudo e, pelo menos eu, fico me perguntando se realmente não existe uma força maior que vai além do nosso entendimento. Algo mais forte que Destino ou Acaso. Algo mais forte que isso tudo que conhecemos.

Voando alto, lá pra longe, me pergunto onde será que aquela pessoa está? Que caminhos seguiu? Por que teve que ser desse jeito? E ai de mim se alguém me pega aqui nesse estado. Não é pra todo mundo que eu mostro como realmente sou. Sou durona, “pero no mucho”. Só até a página dois.

Só até bater a saudade.

[ Gustavo Lacombe ]

@glacombetextos