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Amizades Sinceras, Brigas Também

Eu gosto daquelas amizades em que as pessoas brigam, mas não se desgrudam. Daquelas em que algumas verdades são jogadas na cara, mas as desculpas também são tão sinceras quanto. Aquelas que todos ao redor se perguntam como que os envolvidos conseguirão ficar longe um do outro no caso de alguma separação, ou daquelas em que essas mesmas pessoas dizem “só vocês podem se aturar”.

Claro que, como qualquer outra, esse laço também pode sofrer com as imprevisibilidades do Tempo e da Vida. Não é sempre que conseguimos manter por perto aqueles que nos enchem o peito de alegria. E, com a distância física e o atropelar da rotina, nos pegamos pensando em quem não deveria ter saído nunca de perto, mas que infelizmente a estrada separou. O reencontro, quando presente, mostra que o elo ainda é forte.

Passam-se os anos, não se passa a amizade.

Acredito, sim, que devemos lutar o quanto podemos para sermos vistos e necessários àqueles que gostamos e queremos cuidar. Entretanto, sendo as urgências do agora mais fortes, que consigamos sempre manter um lugar especial para quem faz nosso coração vibrar. Uma amizade, eu sei, é dos amores mais bonitos que existem. Da recíproca ao ombro sempre pronto, todo o sentimento está ali.

E ainda que a sinceridade de um dos lados venha a machucar, sabe-se que é apenas um jeito de dizer “eu sei que você melhorar”. A amizade não tem dedos. Não tem inveja. Não tem pudor. Não tem hora. Não tem vaidade. Tem carinho, ainda que permeado por eventuais porradas. Tem cumplicidade, mesmo trazendo à reboque todas as verdades.

Tem Amor, definição mais que perfeita. Precisa.

[ Gustavo Lacombe ]

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Dos Motivos que Me Fazem te Amar

Tenho um costume meio sádico de, toda vez em que brigo com ela, pegar as nossas conversas antigas e relê-las. Fico reparando como a gente alongava as vogais nos “bom dia”, como as palavras “saudade” e “olá” já pareciam ser mandadas com tanto carinho. Mesmo sendo tudo digital, qualquer um que lesse poderia sentir o tanto de sentimento que havia naqueles bits. E mesmo parecendo um tanto maluco, eu sempre fazia isso pra relembrar os motivos que me fizeram amar essa mulher.

Sempre descubro que me sobram motivos pra isso.

É verdade que a gente, às vezes, briga por nada. Mas qual é o casal que não faz isso? Qual casal que leva a sua relação de forma tão chata que não tem uma briguinha causada por ciúme? Me diz quem é que nunca se desentendeu e fez beicinho? Somos normais até demais. Eu, inclusive, já a chamei algumas vezes de maluca. Ela, do outro lado, em outras ocasiões também já me deu umas patadas bem dadas. E assim a gente vai se entendendo com esse amor.

Só que da última vez que brigamos, eu segui o mesmo proceder com uma única diferença: mandei pra ela uma conversa que tivemos logo depois do nosso primeiro encontro. A intenção, claro, era das melhores. O resultado é que não foi o esperado. Primeiro, ela me chamou de chantagista emocional. Segundo, pediu pra eu fosse dormir e pensasse direitinho no que tinha acabado de fazer. E, terceiro, disse com todas as palavras “não quero mais falar com você”. 

O que eu fiz de tão grave?, pensei assustado.

Obviamente puto da vida, fui deitar. Aliás, eu estou contando isso tudo aqui, mas não faço ideia do motivo causador da briga. Acho que era alguma coisa relacionada ao fato dela querer viajar pra um lugar, eu não ter dado muita bola pra isso e, por fim, ela dizer que era sempre assim mesmo e não dava ouvidos pra ela. Se eu estava errado não interessava. Na cabeça dela, eu estava. E isso bastava.

Quando estava quase pegando no sono, decidi voltar àquelas conversas antigas. Achei um outro trechinho e mandei. E desliguei o celular. Fui dormir. Acordei meia hora depois com alguém esmurrando a porta do apartamento e interfonando e ligando pro telefone daqui de casa. Abri a porta e ela pulou no meu pescoço. Caímos os dois, ela por cima de mim, e levei logo um tapa no braço enquanto ela gritava “eu te amo, seu idiota”. E a gente se beijou e fez amor ali mesmo, no meio da sala.

O que dizia a conversa que eu tinha enviado? Era algo simples até demais.

“Vai chegar um dia em que brigaremos por nada e tudo será motivo pra pensarmos em desistir. Pode até ser que, agora, inebriados pelo gosto bom do início, pensemos que isso é impossível. Mas, acredite, acontecerá. Esqueceremos as risadas, os momentos bons e o que construímos. Instalaremos um problema e, eu sei, faremos uma tempestade num copo d’água. Então, será nessa hora, que não poderemos nos esquecer do principal: o Amor que nos uniu.”

E que, pelo visto, nos une até hoje.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:

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Esquizofrenia #18

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Todo casal briga.

Não adianta dizer que você vive um relacionamento dos sonhos porque, cedo ou tarde, vai surgir alguma coisa que quebrará a rotina de sorrisos e dentes soltos e beijos apaixonados. E eu não estou rogando praga para o namoro de ninguém, mas com a gente não foi diferente. Ainda não aprendi a decifrar os “uhum”, os “tá” e os “hm”, mas acho que muitos deles querem dizer “não acredito em você”, “e…?” e o bom e velho “foda-se”.

Nossas DR’s tem direito a monólogo e a presença de cada um deles. Sempre:

– Você não liga pra mim, pros meus projetos. Você é egoísta. Já reparou o quanto você só pensa em si mesmo?

“Respondo, não respondo?”
“Fica quieto, cara”
“Ela fez uma pergunta!”
“É retórica, idiota!”

– E nem falar nada você vai, né? Vai ficar me olhando, como sempre faz. Vai ensaiar um drama, um choro e, depois, eu sei que vou acabar te abraçando. Eu sou uma besta mesmo.

“A gente concorda ou discorda?”
“Hahahaha, você quer apanhar? É só abrir a boca”
“Continuo quieto?”
“Por favor”

– Sabe, eu te dou carinho, atenção e zelo. Eu só quero poder estar contigo e não me estressar. Quero que você seja algo de bom, não mais um problema na minha vida. Não entrei nesse barco pra descobrir que ele já estava furado desde o início. Você realmente não vai falar nada?

“E agora?”
“Fala, fala…”

– Amor… Olha, eu sei que eu erro, mas não é por querer. É o meu jeito e eu venho descobrindo aos poucos o que preciso mudar. Você me ajuda a enxergar o que preciso melhorar… – Hm… – E… é que não é fácil. Eu sempre fui assim. – Tá, mas… – Mas o quê? – Mas vai ser assim pra sempre? Se for, me avisa logo, ok?

“Putz, hoje ela tá atacada.”
“Se eu soubesse que ela ficaria assim às vezes…”
“Mulher, cara… mulher…”

– Eu vou, quero e preciso mudar. Ao menos tentar.
– Tentar? Não é assim que se fala.
– Eu vou. Agora…
– Ih, lá vem.
– Você já reparou que você me esquece? Esse carinho todo é quando a gente tá perto. Agora, longe, você quase não me manda um “bom dia”, nem mesmo uma ligação. Você só fala “também”. Sabe o que isso quer dizer? Que eu sempre estou tomando as iniciativas. Você sempre espera. Não tem um agrado, um carinho. Talvez eu realmente não tenha um “ai” pra falar da gente junto, mas na distância você quase caga pra mim com esse seu jeito frio. Eu gosto de ser lembrado, sabia? Saber que a outra pessoa tá pensando em mim..
– Uhum…
– O que significa esse “uhum”?
– Que até que enfim você parou pra analisar alguma coisa na gente e viu um defeito em mim. Porque até agora a gente só falou dos SEUS defeitos!

“Até quando ela erra, ela tá certa?”
“Mulher, cara… mulher…”

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