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Não Transforme um Encontro num “Para Sempre”

Tenho uma amiga que reclama que nunca encontra ninguém legal, que todos os caras são cafajestes, que nenhuma relação tem durado e continua a sua longa lista de queixas. Cita, inclusive, que a culpa é dessa quantidade de mulher decotada em festa que estão sempre em maior quantidade que homens e torna a busca por um Amor algo mais complicado do que conseguir manter uma pequena empresa nesse país. Mais fácil sentar num boteco e cuidar do fígado, porque do coração tá complicado. O grande problema, entretanto, que vejo é que ela está sempre querendo fazer do próximo crush o novo “felizes para sempre”. Não que ela sonhe com um cavaleiro e seu lindo alazão branco, mas é que ela coloca tanta expectativa naquele momento que deixa o rapaz tenso. Já chega com ciúmes, já chega com cobrança, já chega colocando uma carga tão negativa que o boy simplesmente pensa “eu não quero mais conversa com essa maluca”. Esse papel de “namorada” desde o primeiro beijo afasta muitos caras. E, digo mais, o contrário também é perfeitamente possível. Vocês vão concordar comigo que um cara que já chega querendo cercear o direito de qualquer garota de postar foto, de sair com as amigas e parece que já age com “atitude de dono” desde o primeiro encontro é de dar aquele famoso “bode” em qualquer uma. A gente pega birra. Nojo. Quem hoje tá solteiro e se propõe a conhecer alguém quer tudo menos um monte de mãos já dizendo para onde se deve olhar, onde ir, com quem andar, o que fazer. E eu digo isso tudo a ela. Falo que é preciso aproveitar os instantes com o carinha, ver se ele é legal, curtir o papo. Se quiser que role algo mais, que role. Permita-se viver sem a pressão de que no dia seguinte precisa rolar aquele “bom dia, dormiu bem?”. Se ele não mandar mensagem, tudo bem. Se te esquecer, a fila anda. Só não dá é pra transformar o próximo “quer fazer alguma coisa?” em “quer ficar pra sempre comigo?”. Está mais que provado que as coisas vão dando certo aos poucos. Como diz o Carpinejar “a carência é o pior dos cupidos”.

[ Gustavo Lacombe ]

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Carência

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Ah, Carência… por que você gosta tanto de mim assim?

Deve ser alguma coisa a ver com os meus critérios, eu sei. Qualquer cara que chegava perto de mim eu falava “é bonitinho, mas…” e arruma um defeito pra ele ir embora. Mas você, bem, você é meu ponto fraco. Você me instiga, me faz subir pelas paredes e, quando eu vejo, estou cometendo mais uma loucura por sua causa. Ou aquela noite eu deveria ter ido parar na cama do meu ex?

Pra variar a culpa é toda sua.

E não adianta as “dêérres” que a gente tem. Eu te explico que preciso ser firme, tentar sair, encontrar alguém legal, mas você aparece e me coloca assistindo “O Diário de Bridget Jones” ou lendo “A Culpa é das Estrelas” e logo eu abraço o travesseiro e choro e rio e grito e fico quietinha… Não, isso não é a TPM. O problema é quando junta uma coisa na outra.

Aprendi a me virar sozinha, claro. Só que eu não puxo meus próprios cabelos, eu não dou tapas em mim mesma e nem fico falando obscenidades ou outras coisas no meu próprio ouvido. Eu queria alguém, mas alguém que ficasse. Ou um amigo confiável para uma amizade colorida sadia. Mas nem isso! Fico à mercê das noites sem sentido em camas vazias e lençóis frios.

Quero algo intenso que vibre no peito e me dê calafrios antes dos encontros. Quente. De morno já basta os namoros das minhas amigas. Só peço, num humilde por favor, que pare de me levar a fazer burradas. Há quem precise ficar esquecido no passado e você não me deixa fazer isso do jeito certo.

Até quando, cara Carência?

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:
http://www.bitly.com/LivroLacombe

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

Sempre um Pouco mais de Atenção

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Todos queremos atenção, mas às vezes não sabemos dosar a cobrança. Como quando uma mensagem chega no celular. Você demora para responder? Depende de quem mandou a mensagem, você responderia. Sim, se a outra pessoa não é tão importante assim, a demora não parece algo ruim. Se o assunto não é relevante, pode esperar.

Agora, se é aquele carinha ou algo urgente, a resposta vem mais rápida que um pit-stop de 2,3s da Red Bull na Fórmula Um. Vomita mais palavras que um dicionário inteiro. Depois de enviar, vive a dor de esperar, criando a expectativa de quando a resposta virá. Sente-se jogado no limbo – após longos e torturantes dois minutos. Está junto com as outras pessoas para as quais usou o mesmo critério antes.

Sofrimento. Naquela de ficar encarando a tela, manda outra mensagem. E outra. E cobra atenção. E, quando vê, está parecendo uma criança implorando colo da mãe. A pessoa responde. Diz que estava fazendo outra coisa (mas que outra coisa era mais importante agora do que dar atenção pra mim?) e pede desculpas meio sem graça.

Pede porque acha melhor desculpar-se do que deixar o outro com a cara amarrada. É daqueles que evita o choque, a confusão. Pratica a política de boa vizinhança e não cede a chantagens emocionais. Agora, não há quem aguente cobranças intensivas e extensivas. E, se critica, acaba ouvindo aquela famosa frase em tom de lamento “você não liga pra mim”.

Hey! Dá pra entender que o mundo não gira ao seu redor? Que todo mundo tem compromissos? A vida nos manda eleger prioridades? Não é que você possa ser jogado para escanteio, mas se o caso não é de vida ou morte, pode-se responder depois. Demorar uns minutos não mata ninguém.

Cair no esquecimento é outra história.

Daí em diante, assimila quem quer, continua sofrendo quem é besta. Mais importante do que reparar como nós mesmos agimos nessas situações, é entender como as pessoas com as quais nos relacionamos agem. Atenção tem que ser recíproca.

(Gustavo Lacombe)