Eu Fui Além de Todos os Meus Limites

Eu me entreguei sem pedir nada em troca. Só por você mesmo. Só para fechar os olhos e viver algo que julgava poder ser inesquecível. Estaria mentindo, porém, se não dissesse nada sobre a minha esperança. A que eu acabei cultivando falava no meu ouvido sobre a possibilidade de você realizar que eu era a certa, a que se doava, a que te queria e a que fazia todas as loucuras pra te ver feliz. Não apenas na cama.

Qualquer uma pode se dar desse jeito.

Eu te dei mais. E nunca te cobrei. Só eu sei os limites que ultrapassei pra isso. Talvez agora tudo que digo soe como cobrança, mas não é. É apenas a minha consciência acertando as contas com o meu próprio coração. Desculpa te envolver nesse processo, então. Se eu tentei ser de todas as formas a mulher ideal pra te abrir sorrisos sinceros e colorir a tua Vida, a responsabilidade é inteiramente minha.

Não estava nos meus planos me apaixonar, mas não sou dessas pessoas que sufoca o que sente e cria as chances de se ressentir no futuro. Eu até posso me machucar, mas eu vou até consigo suportar. Até aqui. Até essa linha tênue entre continuar insistindo com essa minha esperança boba ou aceitar de vez que a gente nunca terá nada e que preciso aceitar o tanto que você me dá.

O pouco que você dá.

Não quero, contudo, atirar na sua cara que o carinho é besteira. Não é. O que faz diferença pra mim é a intensidade. Eu já não consigo chamar teu nome no escuro e torcer pra que você acenda a luz e me encontre. E se você quer continuar brincando de cabra-cega, desculpa, mas não é isso que quero. Talvez seja apenas uma falta de sintonia.

Talvez seja eu estragando o que conseguimos levar de forma tão leve até agora. Talvez seja exatamente isso: eu querendo algo que me prenda, você desejando continuar a voar. Eu posso até ter tentado ser a Ideal, mas certamente não sou a mulher que você quer ter agora.

[ Gustavo Lacombe ]

Quer me ler mais?
Encontre meus livros aqui:
bit.do/Lacombe

Algo em Você Mudou Algo em Mim



Pode ter sido o teu sorriso. Tão branco, tão singelo, tão singular. De uma penetrabilidade na minha falta de sabedoria em o que fazer depois de vê-lo. Tenho certeza de que quem escreveu o verbete “emudecer” no dicionário certamente falava do que acontecia ao se deparar com teu sorriso. Tão lindo, hoje tão meu.

Pode ter sido o teu jeito de falar meu nome. O som de cada palavra saindo da sua boca. A sua voz que, às vezes, me paralisa, outras me inspira. Já ouvi meu nome sendo dito por muitas pessoas, mas nenhuma fez como você. Até quando eu levo bronca sua me pego sorrindo ao te escutar chamando meu nome por inteiro.

Pode ter sido seu abraço. Tão apertado querendo renegar conceitos imortais e fazer com que dois corpos ocupem o mesmo espaço. Liberando endorfina ao juntar teu calor com o meu e me fazer conhecer um bem tremendo só de sentir teu coração batendo em (des)compasso com o meu. Só de te ter pertinho assim, pode ter sido.

Pode ter sido, quem sabe, teu jeito comigo. Jeito de amiga, de passar gostoso a mão na cabeça na hora de um carinho e de puxar a orelha na hora de uma briga, mas sempre me mostrando o que levar de aprendizado. Jeito de menina, de pedir pra não ficar te olhando, de ficar sem graça quando te chamo de gostosa. Jeito de amante, de me puxar os cabelos, de me pedir beijo e de fazer amor comigo.

Pode ter sido a tua simples presença. As mudanças decorrentes do nosso encontro, as revoluções que fez na minha vida, o sentimento tão verdadeiro e profundo que me fez sentir. Tenho certeza de que foi algo em você, mas nunca saberei explicar o real motivo. Talvez seja até fácil distinguir o momento em que confirmei tudo, mas nunca saberei o que, de fato, me fez te amar.

Pode ter sido um detalhe, e amo cada parte sua. Pode ter sido o todo, e te amo por inteira. Pode ter sido algo que nem ao menos eu tenha percebido, e você sabe que às vezes eu sou distraído. Pode ter sido alguma das coisas que eu falei, mas é difícil ter sido uma só.

Podia ter sido qualquer outra coisa. Certamente é você.

[ Gustavo Lacombe ]

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

@glacombetextos

Cafuné

tumblr_mcm0p1xCaq1rtb4i7o1_500

Vem.

Tranca a porta. Deita aqui. Faz carinho devagar na minha perna. Sobe mais um pouco. Lento. E para na minha cintura. Me encara. Aterrissa seus olhos castanhos em mim. Dá um beijo na barriga, brinca com meu umbigo e vem com a boca encontrar a minha. Aproveita meu colo e me faz de colchão. Rola pro seu lado da cama.

Abre os braços, me faz aconchegar no meio deles. Me faz um dengo, enrola os dedos no meu cabelo. Vê minha cara de boba e feliz? Reclama que eu tô muito tempo de olho fechado. Diz que me quer acordada, mas, ao mesmo tempo, pede pra eu sonhar contigo. Diz que vai sonhar comigo. Me beija de novo. Aqui. Ali. No pescoço. Me agarra, me arranha. Começa a me provocar.

Ah, se eu perder o sono você vai gostar.

Faz mais. Mais cafuné. Passa a perna na minha. Solta seu peso no meu. Sussurra baixinho que ganhou o dia só de estar aqui assim. Me chama com aquele apelido que eu gosto. Ou, então, só de amor. Diz que vai ser bom acordar do meu lado. Só nós dois. Fecha a cortina. Escurece o quarto. Despertador vai tocar.

Hora de ser feliz.

[ Gustavo Lacombe ]

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

Tira o Olho do que é Meu!

tumblr_mau2y9cat81rgj6rwo1_500

Segundo Proust, o grande amor só se sente no ciúme. Pode ser uma verdade para alguns, meia para outros ou, então, mais uma besteira dita por esses escritores que querem definir o sentimento. Enfim, não importa o que você ache de Proust, mas não se pode negar que ele está certo em alguns aspectos. Se é quase impossível estabelecermos conceitos divinos que não sejam logo rebatidos com alguns bons argumentos, que sejamos capazes de, pelo menos, defendermos nossas convicções. Assim, digo o seguinte:

Ciúme é uma merda, mas é bom. E o contrário também.

Talvez o amor em Proust seja aquele de homem para mulher, mas o ciúme (em si) é muito maior do que essa relação. Para não nos limitarmos: é muito maior do que a relação de um casal. Pode envolver irmãos, primos, amigos, etc. Ele nasce pela vontade de ter alguém só para si, sem querer dividir com mais ninguém. Causa aquelas reações involuntárias de demonstração de territorialidade, como aproximações repentinas do objeto, ou combustíveis para futuras discussões, embebidas de acusações sobre como o ser enciumado foi deixado de lado.

O bom do ciúme é que, de certa forma, ele atesta o sentimento. Quem nunca se pegou com um “ciuminho bobo” e, enfim, entendeu que gostava? Ratifica, mas conforme a intensidade, varia entre ser sutil ou possessivo. Uma coisa é tê-lo para com alguém que claramente quer “roubar” o que é “seu”. Lógico que as duas palavras estarão sempre entre aspas – e por motivos óbvios. Outra é não entender que uma pessoa precisa se relacionar com outras e que você não é a razão do viver dela. Amigos, parentes, ex-namorados, colegas de trabalho, conhecidos… Importando-se com cada um desses que chega perto, qualquer um pira em dois tempos.

Não vou falar de ciúme do passado, ok? Não ficar com alguém por ter ciúme do passado é doença.

Compreensível até certo ponto, pode ruir a estrutura inteira de uma relação por sua causa. Como um veneno para quem o sente, não se encontra lenitivo capaz de cura se usado em excesso. É preciso dosá-lo. Ainda há quem reclame da falta, mas, definitivamente, ciúme é uma linha tênue em que muitos confundem amor e carinho com posse.

Mesmo se fazendo uma concessão do coração, ninguém é dono de ninguém.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos