Lacombe Responde: Sexo Representa Intimidade?

A Mariana F. de Recife me mandou a seguinte pergunta:

“Lacombe, fico com um carinha da minha faculdade. A gente se pega, vai pra cama e tudo, mas fingimos que não nos conhecemos pelos corredores. Afinal, sexo representa algum grau de intimidade? Fiquei pensando nisso e queria a sua opinião como homem. Que a gente só quer isso, eu sei, mas essa coisa de nem olhar um pro outro, às vezes, me deixa incomodada, sabe?”

Mari, vou começar respondendo logo a sua pergunta para que a gente não perca muito tempo:

Não, sexo não representa intimidade. Pra mim, sexo pode ser apenas uma vontade, um tesão que bate e você quer saciar. Entende? Uma necessidade fisiológica para certas pessoas inclusive, mas fica longe de ser intimidade. Há quem não consiga entender e aceitar essa separação, mas parece justamente ser a realidade em que vocês estão vivendo agora.

Até porque, intimidade representa uma troca muito maior do que simplesmente tirar a roupa fazer umas sacanagens com o outro. Pra mim, intimidade se tem com quem você pode contar, desabafar e procurar em qualquer momento – seja ele bom ou ruim. Intimidade é convidar para ir na sua casa, conhecer seus pais, sair nas fotos de família e, claro, saber de perto como anda a sua Vida. É uma série de fatores que te fazem colocar aquela pessoa num outro patamar que as demais.

Vou entender se você me disser que também considera o sexo como uma forma íntima de se relacionar. Claro que é. Porém, ele passa a ter outra conotação quando vai para esse lado. Ele representa uma maneira de demonstrar carinho, afeto e até o mesmo tesão e vontade descritas anteriormente, mas num grau de envolvimento com o outro bem mais elevado.

Passa a ser bem mais que apenas tirar a roupa e acabar na cama. Conheço pessoas que só transam quando se sentem muito seguras com o parceiro e com os próprios sentimentos, porque consideram o sexo como algo para ser feito com amor. E, se pensarmos bem, essa é uma das melhores formas de se fazê-lo mesmo.

Existe alguém errado nessa história? Não. Cada um leva a sua verdade e enxerga o ato em si da maneira que lhe convém. Havendo respeito e consenso de ambas as partes, todo mundo sempre sai ganhando. Se houver algum sentimento bom a mais, melhor ainda. Se for apenas atração, tudo bem também. Se for só isso, como acontece com você e esse carinha, qual o problema? Vocês não devem nada para ninguém.

O que você deve pesar é se começar a se sentir mal pelo o que acontece. Aí, precisaria parar antes que alguém se machuque. Se for conveniente, tudo bem mais uma vez. Só não espere dele nada além disso nem se permita cobrar nada a mais. Sexo vocês tem, intimidade não.

[ Gustavo Lacombe ]

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Eu até Hoje me Arrependo de Algumas Coisas que Fiz

Ela olhou pra mim e disse alguma coisa que eu não gostei. Não me lembro bem o que foi, mas me recordo o segundo exato em que não aguentei e explodi. Gritei. Na cara dela pude ver a perplexidade de alguém que não esperava aquela reação. Ela, chateada e com razão, simplesmente virou as costas e saiu de perto de mim dizendo que não queria mais conversar.

E naquele segundo eu achei que tivesse jogado fora tudo que a gente tinha.

Talvez seja por isso que hoje eu tente medir e muito as consequências das coisas que eu faço. Não acredito que o perdão tenha o poder de simplesmente apagar as coisas. Nada apaga totalmente um erro, nem mesmo dois acertos posteriores. Você pode, sim, recomeçar e aceitar a nova chance, mas nunca vai conseguir tirar da história aquele episódio ruim. Ele vai sempre estar lá para te lembrar da besteira feita.

Ao meu ver, o mais importante é conseguir seguir. “Como seguir” é o ponto crucial. O arrependimento pode ser carregado para sempre (como até hoje carrego a vergonha por ter feito o que fiz com alguém que amava tanto), mas é a lição que vem junto disso tudo que torna aquele fato ainda mais relevante. Se não há um aprendizado depois, o erro se torna ainda maior.

Como se continuasse a ferir.

Não quero que você pense, então, que pedir desculpas não vale nada e que simplesmente errar e aprender é o suficiente. Pelo contrário. Acredito que quando se erra e se enxerga o deslize, desculpas sinceras são o ponto de partida para um possível remendo, para uma tentativa de cicatrização do mal que foi feito. A partir daí, tudo é reconstrução.

Eventualmente dá certo. Você se arrepende de verdade, tateia caminhos para que tudo fique bem e guarda o erro como experiência. Principalmente para não ser repetido. Eu até hoje me arrependo de algumas coisas que fiz, como o exemplo do grito, mas acredito que aprendi. O difícil é ter que lidar com o fato de errar com as pessoas que amamos para, então, sermos melhores.

É preciso pesar as consequências, não deixar que elas nos esmaguem depois.

[ Gustavo Lacombe ]

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Vamos Seguir Enquanto Houver Horizonte

Eu acho que a gente precisa para de olhar para o passado e aprender a mirar o futuro, tentar enxergar pra frente. É normal se perguntar para onde o relacionamento está indo e chegar a uma resposta não muito boa. Nem sempre nossas próprias avaliações serão dignas de orgulho.

De qualquer forma, imaginar que ficar longe de você seria melhor pra mim chegou a me dar um embrulho no estômago. Não passa pela minha cabeça isso. Então, que a gente melhore. Mesmo. Não adianta ficar junto e regredindo. Não há relacionamento que sobreviva a uma involução.

Tormentas acontecem. O mar fica revolto e assim podem ser os amores também, mas quero a bonança dos teus abraços, o carinho do doce balançar dos teus olhos nos meus enquanto se decidem se voltam a mirar minha boca ou não, nossas mãos espalmadas uma na outra e a segurança de ser Porto um para o outro.

Quero nossas noites de paixão em claro, não nossas madrugadas insones longe um do outro. Confesso: foi uma merda esse pouco tempo que a gente ficou afastado, mas foi o suficiente pra saber que é preciso mudar muita coisa. Funcionou de certa forma, né? Fica o pedido pra você mudar comigo.

Banca isso tudo comigo? Fica comigo? Olha pra frente, meu amor… Enquanto tiver horizonte, a gente segue. Combinado? Eu, você e o nosso amor.

O suficiente pra seguir feliz.

[ Gustavo Lacombe ]

Intimidade é Foda

Nada substitui a intimidade que um casal adquire.

Nada consegue transpor a barreira dos pudores, dos medos e das vergonhas de forma tão avassaladora quanto conhecer a pessoa com quem você vai pra cama. Por mais que em uma noite você consiga fazer tudo – até o que nunca imaginou antes, é com aquela que conhece cada palmo do teu corpo que o negócio rende de um jeito absolutamente diferente.

Quando se mistura, tesão, vontade, amor e química, a receita se torna ideal para explodir. A combustão acontece, muitas das vezes, sem nem ao menos encostar. Até, quem sabe, sem nem ao menos estarem se vendo. Quem nunca atiçou o outro com uma mensagenzinha? Quem nunca se pegou pensando um “hoje tem” bem safado e passou o resto do dia ansiando por aquele momento?

E nem estou entrando no mérito de ser namoro, noivado ou compromisso sério. O que mais existe por aí hoje são pessoas que se pegam eventualmente e, desse jeito, vão se aperfeiçoando na arte de dar prazer um ao outro. Até porque, somos seres complexos e difíceis de sermos desvendados às vezes. Aí, quando encontramos alguém que encaixe, é quase como gritar: bingo!

“Química boa é quando você escuta de longe a vontade de gemer.”

É quando você sabe que vai encontrar a pessoa e os botões da blusa parecem que já saltam para fora de suas casas. É quando a calcinha já fica molhada só de lembrar. É quando as mãos ficam impacientes querendo largar o que estiver nelas e agarrar os peitos, as coxas e o cabelo. Pode ser que se consiga isso logo de primeira, mas as sensações aqui descritas exigem prévio conhecimento do outro.

A intimidade é a porta de entrada para o que há de mais sujo e gostoso entre duas pessoas: sexo sem pudor.

[ Gustavo Lacombe ]

#ahlacombe #DepoisdaMeiaNoite

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui: http://www.bitly.com/LivroLacombe

A frase entre aspas é da querida da Fernanda Estellita (@fernandaestellitaoficial). Primeiro texto de muitos que vamos fazer juntos. Uma frase FODA dela num texto meu! Obrigado, Fê!

Dos Motivos que Me Fazem te Amar

Tenho um costume meio sádico de, toda vez em que brigo com ela, pegar as nossas conversas antigas e relê-las. Fico reparando como a gente alongava as vogais nos “bom dia”, como as palavras “saudade” e “olá” já pareciam ser mandadas com tanto carinho. Mesmo sendo tudo digital, qualquer um que lesse poderia sentir o tanto de sentimento que havia naqueles bits. E mesmo parecendo um tanto maluco, eu sempre fazia isso pra relembrar os motivos que me fizeram amar essa mulher.

Sempre descubro que me sobram motivos pra isso.

É verdade que a gente, às vezes, briga por nada. Mas qual é o casal que não faz isso? Qual casal que leva a sua relação de forma tão chata que não tem uma briguinha causada por ciúme? Me diz quem é que nunca se desentendeu e fez beicinho? Somos normais até demais. Eu, inclusive, já a chamei algumas vezes de maluca. Ela, do outro lado, em outras ocasiões também já me deu umas patadas bem dadas. E assim a gente vai se entendendo com esse amor.

Só que da última vez que brigamos, eu segui o mesmo proceder com uma única diferença: mandei pra ela uma conversa que tivemos logo depois do nosso primeiro encontro. A intenção, claro, era das melhores. O resultado é que não foi o esperado. Primeiro, ela me chamou de chantagista emocional. Segundo, pediu pra eu fosse dormir e pensasse direitinho no que tinha acabado de fazer. E, terceiro, disse com todas as palavras “não quero mais falar com você”. 

O que eu fiz de tão grave?, pensei assustado.

Obviamente puto da vida, fui deitar. Aliás, eu estou contando isso tudo aqui, mas não faço ideia do motivo causador da briga. Acho que era alguma coisa relacionada ao fato dela querer viajar pra um lugar, eu não ter dado muita bola pra isso e, por fim, ela dizer que era sempre assim mesmo e não dava ouvidos pra ela. Se eu estava errado não interessava. Na cabeça dela, eu estava. E isso bastava.

Quando estava quase pegando no sono, decidi voltar àquelas conversas antigas. Achei um outro trechinho e mandei. E desliguei o celular. Fui dormir. Acordei meia hora depois com alguém esmurrando a porta do apartamento e interfonando e ligando pro telefone daqui de casa. Abri a porta e ela pulou no meu pescoço. Caímos os dois, ela por cima de mim, e levei logo um tapa no braço enquanto ela gritava “eu te amo, seu idiota”. E a gente se beijou e fez amor ali mesmo, no meio da sala.

O que dizia a conversa que eu tinha enviado? Era algo simples até demais.

“Vai chegar um dia em que brigaremos por nada e tudo será motivo pra pensarmos em desistir. Pode até ser que, agora, inebriados pelo gosto bom do início, pensemos que isso é impossível. Mas, acredite, acontecerá. Esqueceremos as risadas, os momentos bons e o que construímos. Instalaremos um problema e, eu sei, faremos uma tempestade num copo d’água. Então, será nessa hora, que não poderemos nos esquecer do principal: o Amor que nos uniu.”

E que, pelo visto, nos une até hoje.

[ Gustavo Lacombe ]

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Amar é Ter Certeza

 

Se isso não é o Amor, o que mais pode ser?
 


Amar é ter a certeza de que nenhuma outra pessoa servirá. 


É o prático desejo de estar junto, sem rodeios. É a certeza do ciúme, da briga por excesso de paixão, de fazer as pazes fazendo mais amor. Amor é a certeza de que quer a outra pessoa bem, mesmo que não seja com você. É a certeza de buscar uma utopia, mas ir se virando com a realidade. Amor é tudo aquilo que se condensa em carinhos pelas pontas dos dedos inquietas por ter o ser amado tão perto. 


Amável é a segurança daqueles que escolhem alguém para tecer seus sonhos e bordar uma rede de confiança. Amor é contagioso, e por mais que as pessoas ao redor critiquem o casal que não se desgruda, ou admitem que todos tem essa fase ou querem estar nessa fase. O amor é a certeza de que os olhos do outro, por mais que não estejam nos seus, conseguem te enxergar toda vez que se fecham. 


Amar é ligado diretamente ao empirismo, só o conhece quem o aceita, o abraça e se joga, vivendo tudo que é possível dele. Amar é a certeza de que o sorriso do outro é tão fundamental quanto o seu, e isso, às vezes, exige sacrifícios aos quais não estamos preparados. É o abrir mão de coisas, de momentos e, por mais paradoxal que pareça, até mesmo do próprio amor. 


Amar é, de certo, uma doença. A única cura possível é a própria propagação do vírus para outros corações. Amor provoca uma confusão, mas que se desenrola na certeza de saber, ao menos, que a felicidade é o que importa. Amar é ter certeza, independente de qual ela seja e do bem que deseja. 


E que Deus nos proteja de  amar em vão.

[ Gustavo Lacombe ]



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Exatos

 

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Eu me pergunto se aquela era nossa hora exata. Se era o momento certo dos olhos se cruzarem. Se era onde deveríamos ter nos encontrado. Se, por um acaso, não teria sido melhor ter esperado outros tempos, anos, vidas. Quis que fosse assim. Queria a vida que nos deparássemos um com o outro nessa situação. Era ali, era o agora pra gente, e foi onde tudo deveria, sim, ter começado.

As experiências que a gente trazia na bagagem eram o de menos, mas pesavam ao mesmo tempo. Quando se pensa em construir algo pra frente – um future – tendemos a achar que o passado não importa. Claro que importa, tem que importar! Foi essa minha história que me trouxe aqui. Foi nessa esteira de emoções e sensações que vivi meus primeiros tudo. E cada relacionamento novo é a chance de viver o primeiro que durará até o fim dos dias.

Dizem que o que mede do momento não é a sua duração, mas sua intensidade. Quero, portanto, deixar marcado aqui, mesmo parecendo pouco tempo (perto de tudo que queremos gastar juntos), que cada segundo valeu. Cada dia que pude dividir alguma alegria contigo valeu. Cada oportunidade de ver seu sorriso, sentir o teu gosto ou simplesmente te olhar. Cada coisa valeu.

Que bom poder te mostrar que o amor é entrega, é reciprocidade, é se sentir bem, é tratar bem quem a gente gosta, é união, é um compromisso leve que a gente leva da melhor forma pra nós. Sempre pensando nos dois como unidade. Somos um. Já não há jeito de falar de mim sem me pegar lembrando do bem que fez ao meu mundo. Sem contar a transformação que causou.

Hoje, os que torcem por nós sabem e querem que possa ser permanente esse bem que a gente se faz. Ontem, eu nem imaginava que poderia ser tão feliz assim. Amanhã, tudo que eu realizar quero dividir com você ou construir com você. Era ali, naquele momento, naquela troca de olhares, com aquelas histórias pela metade e um interesse surgindo. Éramos dois. Somos um.

(Gustavo Lacombe)

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Esquizofrenia #18

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Todo casal briga.

Não adianta dizer que você vive um relacionamento dos sonhos porque, cedo ou tarde, vai surgir alguma coisa que quebrará a rotina de sorrisos e dentes soltos e beijos apaixonados. E eu não estou rogando praga para o namoro de ninguém, mas com a gente não foi diferente. Ainda não aprendi a decifrar os “uhum”, os “tá” e os “hm”, mas acho que muitos deles querem dizer “não acredito em você”, “e…?” e o bom e velho “foda-se”.

Nossas DR’s tem direito a monólogo e a presença de cada um deles. Sempre:

– Você não liga pra mim, pros meus projetos. Você é egoísta. Já reparou o quanto você só pensa em si mesmo?

“Respondo, não respondo?”
“Fica quieto, cara”
“Ela fez uma pergunta!”
“É retórica, idiota!”

– E nem falar nada você vai, né? Vai ficar me olhando, como sempre faz. Vai ensaiar um drama, um choro e, depois, eu sei que vou acabar te abraçando. Eu sou uma besta mesmo.

“A gente concorda ou discorda?”
“Hahahaha, você quer apanhar? É só abrir a boca”
“Continuo quieto?”
“Por favor”

– Sabe, eu te dou carinho, atenção e zelo. Eu só quero poder estar contigo e não me estressar. Quero que você seja algo de bom, não mais um problema na minha vida. Não entrei nesse barco pra descobrir que ele já estava furado desde o início. Você realmente não vai falar nada?

“E agora?”
“Fala, fala…”

– Amor… Olha, eu sei que eu erro, mas não é por querer. É o meu jeito e eu venho descobrindo aos poucos o que preciso mudar. Você me ajuda a enxergar o que preciso melhorar… – Hm… – E… é que não é fácil. Eu sempre fui assim. – Tá, mas… – Mas o quê? – Mas vai ser assim pra sempre? Se for, me avisa logo, ok?

“Putz, hoje ela tá atacada.”
“Se eu soubesse que ela ficaria assim às vezes…”
“Mulher, cara… mulher…”

– Eu vou, quero e preciso mudar. Ao menos tentar.
– Tentar? Não é assim que se fala.
– Eu vou. Agora…
– Ih, lá vem.
– Você já reparou que você me esquece? Esse carinho todo é quando a gente tá perto. Agora, longe, você quase não me manda um “bom dia”, nem mesmo uma ligação. Você só fala “também”. Sabe o que isso quer dizer? Que eu sempre estou tomando as iniciativas. Você sempre espera. Não tem um agrado, um carinho. Talvez eu realmente não tenha um “ai” pra falar da gente junto, mas na distância você quase caga pra mim com esse seu jeito frio. Eu gosto de ser lembrado, sabia? Saber que a outra pessoa tá pensando em mim..
– Uhum…
– O que significa esse “uhum”?
– Que até que enfim você parou pra analisar alguma coisa na gente e viu um defeito em mim. Porque até agora a gente só falou dos SEUS defeitos!

“Até quando ela erra, ela tá certa?”
“Mulher, cara… mulher…”

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Roupa Suja

Ele costumava me abraçar depois que a gente fazia amor. Tudo bem que nem sempre gozávamos juntos, mas ver a cara dele de prazer comigo era suficiente pra mim. Até que um dia – e é sempre assim “de repente” – ele virou a cara e saiu da cama. Acendeu um cigarro, foi ao banheiro e, quando voltou, pediu que eu me arrumasse, que estava tarde e que me levaria em casa.

Oi?

A casa era dele, a cama dela, a mobília dele, tudo dele. Algumas almofadas eu dei de presente, tinha até uma gaveta pra guardar as minhas coisas, mas nada de demais. Ali eu era apenas uma reles convidada, mas com tempo suficiente de relacionamento pra me sentir à vontade. Até calcinha no chuveiro eu já esquecia. Erro grave meu, eu sei, mas acontecia vez ou outra. Só que nunca tinha sido tratada daquele jeito. Por ninguém.

Talvez seja assim que se iniciem as decepções, nas atitudes impensadas que quebram a rotina para o mal.

Nem discuti. Peguei minhas roupas, passei a mão na bolsa e fui embora. Enquanto ele ficava me puxando e tentando explicar que precisava acordar cedo, eu me vestia, ligava pro táxi e ia andando. Saí da casa, fui pro portão do condomínio e, mesmo sabendo que ele queria esclarecer os motivos, me senti uma puta.

Uma puta que é mandada embora assim que a farra acaba.

Claro que eu aceitei as desculpas. Ele passou uns dois dias ligando e deixando recados. Apareceu no meu trabalho, mandou flores e entendeu o que tinha feito. Era o mínimo. Percebi que essas coisas acontecem. Mal entendidos que corroem, mas, mesmo assim, disse tudo o que senti e como me senti naquela noite.

É muito mais fácil colocar as cartas na mesa e não engolir sapos. Roupa suja de problema é pra ser lavada antes de acumular, ou depois os dois sofrem juntos por terem se omitido. E eu já era grandinha demais pra não dizer as coisas.

(Gustavo Lacombe)