Significado

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É quando você ouve um nome.

E que nem ao menos se refere aquela pessoa, mas você se recorda. Fica aéreo de repente e parece mesmo se desligar do que há em volta. É pego desprevenido. O mundo real se fecha em cortina. Lembranças tomam a cena e retornam a cabeça. Sentimentos reafloram e em questão de milésimos de segundo uma saudade – que parecia adormecida – volta a latejar com força. Cada centímetro do corpo sente uma pontada e se preenche dela.

Há quem deixe os olhos se encherem de lágrimas e, se perguntados “o que houve”, disfarçam com um “nada, tá tudo bem”. Há os que disfarcem e logo armazenem todo o circo criado na mente. Há té quem se arrependa de ter deixado a falta chegar a esse ponto e procure algum vestígio da pessoa, provavelmente no celular, e tente logo resolver aquilo.

Precipitado ou não, é ao menos decidido.

O tempo, tão relativo e único que cada um tem o seu, pode até ser curto entre o presente o último encontro. Entretanto, sabe-se lá o tamanho do sentimento que existe. Ainda assim, mesmo que se contem dias, semanas, meses e anos, tudo isso pode ser pouco perto do quanto se queria estar junto naquele exato instante.

É aí, num momento relativamente bobo em que não se tinha intenção, que você se dá conta, reafirma e perde qualquer dúvida sobre algo que o peito já tinha certeza: aquela pessoa é e sempre foi especial.

Roupa Suja

Ele costumava me abraçar depois que a gente fazia amor. Tudo bem que nem sempre gozávamos juntos, mas ver a cara dele de prazer comigo era suficiente pra mim. Até que um dia – e é sempre assim “de repente” – ele virou a cara e saiu da cama. Acendeu um cigarro, foi ao banheiro e, quando voltou, pediu que eu me arrumasse, que estava tarde e que me levaria em casa.

Oi?

A casa era dele, a cama dela, a mobília dele, tudo dele. Algumas almofadas eu dei de presente, tinha até uma gaveta pra guardar as minhas coisas, mas nada de demais. Ali eu era apenas uma reles convidada, mas com tempo suficiente de relacionamento pra me sentir à vontade. Até calcinha no chuveiro eu já esquecia. Erro grave meu, eu sei, mas acontecia vez ou outra. Só que nunca tinha sido tratada daquele jeito. Por ninguém.

Talvez seja assim que se iniciem as decepções, nas atitudes impensadas que quebram a rotina para o mal.

Nem discuti. Peguei minhas roupas, passei a mão na bolsa e fui embora. Enquanto ele ficava me puxando e tentando explicar que precisava acordar cedo, eu me vestia, ligava pro táxi e ia andando. Saí da casa, fui pro portão do condomínio e, mesmo sabendo que ele queria esclarecer os motivos, me senti uma puta.

Uma puta que é mandada embora assim que a farra acaba.

Claro que eu aceitei as desculpas. Ele passou uns dois dias ligando e deixando recados. Apareceu no meu trabalho, mandou flores e entendeu o que tinha feito. Era o mínimo. Percebi que essas coisas acontecem. Mal entendidos que corroem, mas, mesmo assim, disse tudo o que senti e como me senti naquela noite.

É muito mais fácil colocar as cartas na mesa e não engolir sapos. Roupa suja de problema é pra ser lavada antes de acumular, ou depois os dois sofrem juntos por terem se omitido. E eu já era grandinha demais pra não dizer as coisas.

(Gustavo Lacombe)