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Vamos Para de Falar Sobre o Fim

Uma amiga me encontra numa rua qualquer e pergunta como eu estou. “Estou ótima”, respondo. É verdade, mas ela não acredita. Diz que ainda é muito recente pra eu estar tão bem, mas eu dou de ombros. Tenho intimidade suficiente pra dizer que ela está com uma visão equivocada das coisas. Ela pega meu braço, diz que vai passar, e que eu não preciso me fazer de durona. “Chora comigo”, diz enquanto eu rio.

Juro que dá vontade de socar.

Ainda não consigo entender o motivo das pessoas insistirem no tema mesmo depois que você demonstra não estar interessado nele. É só um fim, um término, uma separação. Não foi o fim do Mundo, como bem colocou meu pai quando eu cheguei em casa contando a notícia. Ele até sorriu. Disse que já tinha visto nos meus olhos que não havia mais aquele sentimento de antes. “Sempre melhor separar, minha pequena” – sim, meu pai me chama de pequena até hoje.

O pior de tudo é que, logo depois de encontrar essa amiga na rua, eu dei de cara (adivinhem!) com o dito cujo. O primeiro pensamento me divertiu. Ex é pra sempre. E me imaginei velhinha falando pros meus netos sobre os meus amores e lembrando da cara de cada ex-namorado que tive. A dele até que demoraria a passar. Voltando à realidade, a vontade de socar foi transferida pro momento exato que ele me cumprimentou e abriu aquele sorriso lindo.

Caraca, o cara tava tão bem quanto eu.

E aí, nessa hora, eu tive mais um mini-flashback (tenho vários durante o dia, não repare) de uma prima contando sobre essa pesquisa que fizeram na Inglaterra sobre como as pessoas odeiam ver seus ex melhores do que a si mesmas. Eu estou nessa lista. Minha única reação foi dizer um “estou atrasada” e bater em retirada dali. A gente não tinha mais nada, não existia mais Amor, mas ainda assim ele é meu ex e a gente se viu poucas vezes depois do fim.

Ok, vamos para de falar sobre isso. Acho que o mais difícil, então, é saber se adequar à nova rotina. Todo mundo ainda me pergunta dele, ainda conversa sobre ele e eu preciso insistir com um “cara, acabou, vamos discutir Caetano, falar de novela ou até política; só não fala mais disso”. O que foi bom vai ficar com força, mas o meu presente é o que conta.

E dá licença que eu quero mais é viver.

[ Gustavo Lacombe ]

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Não Tenha uma Tristeza de Estimação

Tanta coisa boa pra cultivar no peito e você vai logo criar uma Tristeza? Vai deixar que um dia tão lindo fique nublado dentro de você só por conta dessa negatividade? Você vira um pára-raio de coisas ruins, entende? Acho que eu não preciso repetir que pensamentos ruins atraem apenas o mesmo. E pra quê? Só para promover a autopiedade e ficar mostrando para os outros “olha como eu sou infeliz, olha como eu merecia ser feliz e não sou”. É isso? É só pra isso? Parece que você leva toda essa frustração e desânimo numa coleira só para exibir. Só pra provar para si mesmo que a Sorte que os outros dão nunca se encostou em você. É normal fecharmos os olhos para o que acontece de bom quando apenas queremos enxergar o que machuca. A Vida tem esses dois lados, sim. Todos nós temos direito a dias horríveis, daqueles que era preferível não ter nem saído da cama, mas porque cegar pra beleza do Mundo? Não espere que todos venham aqui para tentar tirar da sua cabeça essas besteiras. Pelo contrário, o povo corre disso – principalmente quando se percebe que você mesmo cavou o buraco e não quer sair. A Vida não é só feita de maravilhas, mas se você quiser ficar aí sofrendo por esporte e acariciando uma Tristeza de estimação: boa sorte. Se quiser ajuda pra ver tudo isso numa nova perspectiva: põe um sorriso no rosto e vambora.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, já está à venda e pode ser encontrado aqui:
http://bit.ly/AmorParaRaros

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Para Que a Felicidade Seja Rotina

Que a gente entenda que a para a felicidade ser rotina é preciso buscar os sonhos. É preciso ir além do “não” tão comum aos que estão iniciando e bem mais além do que as barreiras que nós mesmos nos impomos no dia a dia. Para que a felicidade fique é preciso fazer do coração e da alma um templo de coisas boas, onde a inveja e a maldade ficam da porta pra fora. É preciso aceitar o tempo de tudo e entender que nem sempre a prece mais fervorosa será a mais rapidamente atendida, mas sem dúvida alguma será ouvida em algum momento. Não adianta batalhar pelo hoje e se esquecer do amanhã. Vida é construção. Felicidade não são tijolos amontoados, mas a casa de pé na árdua tarefa de erguer parede por parede e contemplar o trabalho bem feito ao fim de cada jornada exaustiva. A felicidade é simples. Não quer um triplex luxuoso. Se você separar um quartinho para as coisas que te fazem bem e ali exercitar seu bom humor e colocar o seu melhor, ela fica. Se você espalhar o que faz ali com mais amor ainda, nossa!, ela se agarra e deseja seu bem com força. Ela, inclusive, pode ser encontrada nos outros. Naquele olhar que te chega, no sorriso que se abre, na conquista que você vibra. Pelo outro, com o outro, junto com o outro. É como aquele costume de checar as notícias do time e fazer o exercício sobre táticas e possibilidades para a próxima partida. É o hábito dos cremes de antes de dormir e o carinho que se tem consigo mesmo. A felicidade está aí, no que a gente, certas vezes, não enxerga como algo feliz, mas que certamente nos faz viver melhor. É claro que ela pode dar uma volta e se esquecer da gente. Para saber da Felicidade é preciso conhecer a Tristeza, sua irmã gêmea. Para exaltar os melhores dias é preciso ter consciência do que é a normalidade – que pra muitas pessoas está longe de ser a nossa. É preciso olhar ao redor e enxergar tudo que se tem e agradecer; pela força, pelos amigos, pela família, pela fé, pelas lições, pelas conquistas, pelos sonhos, pelo Amor que se carrega.

Felicidade é a Gratidão para com a Vida.

[ Gustavo Lacombe ]

http://bit.ly/AmorParaRaros

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O Segredo é Pôr Amor

A receita é antiga. Quantas vezes você ouviu alguém dizendo que se você fizesse aquilo que amava não teria que trabalhar nenhum dia da sua Vida? Milhões. Na inversão das palavras, amar aquilo com que se trabalha sempre pareceu ser classificado em segundo plano. Na linha lógica da cabeça dessa gente, o Amor servia como algo para tirar o peso das coisas, não se tornar um escravo cego das relações trabalhistas que podem se estabelecer.

É um exagero, claro, mas é por aí.

Primeiro porque uma das grandes verdades é que nem todo mundo sabe qual a sua razão de estar nesse Mundo. Estou dizendo laboralmente. Pensa que não tem uma vocação, não tem uma aptidão, e fica se encostando em alguma faculdade meia boca para ter um diploma e estudar pra concurso. Não que concurso não possa ser uma vocação, mas tem gente que se apoia nisso pra poder ter uma Vida tranquila, fazer alguma coisa que dê um bom salário e não se preocupar mais na Vida.

Por outro lado, tem aquela galera que escolhe a paixão. Decide viver de algo que é bem mais difícil de conseguir um retorno imediato e são esses que sofrem pressão da família e da sociedade para “serem alguém”. Lembro que um familiar sempre me perguntava o que eu seria e eu respondia “escritor”. Ele perguntava de novo “não, mas eu tô falando de trabalho mesmo, o que você quer fazer?”. Ilustradores e músicos sabem bem o que é isso também.

E, olha só, os dois tipos de pessoa descritos não são exemplos de amor pelo trabalho. O primeiro quer uma estabilidade, o segundo faz do seu Amor pela arte o seu trabalho. A diferença entre eles é clara, mas a relação do segundo com a atividade em si é bem diferente do cara levantar todo dia e pensar que tem que ir trabalhar, mas ele gosta. Eu sei, parece complicado.

Então, coloquemos assim:

O segredo de ser feliz é uma combinação entre ter tesão de levantar da cama para trabalhar, seja lá com o que for, com o quanto que, ao final do dia, aquela atividade te preenche o peito de satisfação.Não importa se você trabalha de casa, num escritório, na rua, ou onde seja. Encostar a cabeça no travesseiro e saber que se está no rumo certo do seu coração é o que conta de verdade.

No meio disso tudo haverá, sem dúvida, a questão de obter ou não reconhecimento, ganhar ou não dinheiro, status, fama, mas também terá a alma sendo alimentada, a vida sendo construída e o seu papel no Mundo sendo definido. Isso quando não surge aquela louca vontade de jogar tudo pro alto e fazer qualquer outra coisa.

E, claro, haverá o Amor.

Não existe melhor motivador para durar uma Vida inteira do que o Amor. E não tenha dúvidas de que mesmo escolhendo fazer algo para o qual os outros viram a cara, a ralação e a dedicação terão de ser tão ou mais intensas que aquela de um cargo mais tradicional. Nessas horas, o que te sustenta é a certeza de que você quer e nasceu para aquilo. O que te faz não desistir é saber que sua Vida ficaria sem propósito. E aí, você vai lá e coloca tudo que tem.

Põe seu tempo, sua Vida e seu Amor.
E confia que vai dar certo.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor É Para Os Raros”, meu segundo livro, pode ser encontrado aqui: http://bit.ly/AmorParaRaros

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Viva a Vida

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Jogue suas reclamações viciosas na parede e não se importe com a bagunça feita. Tudo exposto, do que precisa ser evitado ao melhorado, do ignorado ao subestimado, do revisto ao que precisa ser feito. Está tudo ali, bem na sua cara. Mas pra quê enxergar os defeitos se seguir caminhando resmungando é muito mais gostoso? É mais cômodo, mais interessante. Né? Pelo menos é o que faz parecer.

Nem tudo vai sair como o planejado. Se esse for um pensamento, pode desistir. Nada fica no lugar certinho. Quer mudar algo? Não pense apenas. Aja. Comece por aquilo que te perturba menos, mas que já faria alguma diferença se mudasse. Saia do conforto dos pensamentos negativos de que nada dá certo. Se você continuar pensando assim, nada dará mesmo.

Aprenda a tirar sorrisos das piores situações passadas. Elas já passaram mesmo. E, o que vier de mal, não deixe que ele se propague dentro de você. É difícil enxergar que se pode mudar, mas é uma questão de atitude. Tudo depende do peso que você aceita carregar. Tudo vai de acordo com os desejos aliados às vibrações que você manda pro mundo.

Ele dá voltas, esqueceu?

Seja a mudança necessária para reduzir a sua própria bagunça, ou pelo menos para se achar melhor dentro dela. Não olhe para o outro com inveja, aprenda a tirar exemplos. Seja a mudança da qual você tanto fala que pretende viver. Seja você, mesmo que para esse novo você um pedaço seu precise ficar pelo caminho. Não tenha medo de ir a um lugar diferente.

Tudo muda conforme se vive. E só não vive quem já está morto. Para uma próxima vez que venha a jogar suas reclamações na parede, espero que elas tenham menos cor e sejam menores ainda. Ninguém se transforma da noite para o dia. Tenha paciência consigo, mas não perca tempo. Não reclame e esmoreça. Reaja e ande.

Viva a vida.

[ Gustavo Lacombe ]

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos