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O Amor é Inocente

O Amor não é culpado ao entrar num coração. Ele sempre vê naquela porta uma passagem natural e não se importa em arrombá-la. Usar chave-mestra. Ou simplesmente pegar a maçaneta, girá-la e pronto. E da natureza do Amor invadir, trespassar, se fazer presente e não ligar pro seu momento. Uma vez instalado, bota os pés no sofá, arruma o seu canto e não vê como problema se o resto está uma bagunça. Ele só quer se ajeitar. E abre a geladeira, deixa a toalha em cima da mesa, não lava a louça. Só quando quer. Só quando se incomoda. É típico do Amor viver entre o caos e a ordem. E continua sendo inocente. Continua porque, por mais antigo que seja, ele é só uma criança travessa que se esqueceu dos dilemas que traz e apenas quer te ver sorrir. É aquele menino que numa loja de louças escolhe a mais bonita pra te presentear e, no caminho do caixa, derruba o mostruário inteiro. É o sorriso de quem sabe que será perdoado pelo deslize porque suas intenções ainda são puras e efeitos colaterais são inevitáveis algumas vezes. Decidir, então, abraçar este Amor, compreender seus motivos e deixá-lo ficar é uma das decisões mais difíceis que podemos tomar. Tem gente que o expulsa. Tem quem faça ele se mudar. Coloque num quartinho de fundos. Tem quem o ignore e o deixe isolado pra ver se ele se toca e vai embora. E, acredite, tem quem conviva com dois desses Amores dentro do peito – e eu nunca me senti confortável pra dizer que isso era impossível. Declarar tudo isso é, sim, uma das coisas mais raras da vida por mais que a Vida esteja repleta de “Eu te amo” por aí. Exige uma fé, um salto de cabeça, uma coragem. Exige você ter certeza do que quer e aceitar o que vier do outro lado, que nem sempre é recíproca. Exige amar e não querer nada em troca uma vez que o próprio Amor já é suficiente. O que vier é lucro. E se ele não vier de volta? Amor não mata a gente. Se não correspondido, apenas nos mostra o dom mais divino: o de ainda ser capaz de amar.

#ahlacombe
@lacombegus

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Pra Não Me Afogar No Que Não Disse

Hey, moça…
Não vai embora, não. Deixa eu te explicar tudo isso que tenho guardado e que agora, por fim, tomei coragem de dizer. Sabe, eu guardo essas coisas porque criei um certo medo da resposta. Não consigo enxergar alguma vantagem no ditado “você já tem o não”. É claro que não funciona assim. Eu te tenho na minha vida e não quero te perder.
Não quero te afastar, entende?
Não quero ter que conviver com a sua falta. Durante muito tempo eu prefiri ter você aqui do meu lado como uma simples amizade do que me declarar. Nossa, e agora parece que eu já me declarei, né? Coração burro. Desculpa, não sei como você está entendendo tudo isso, mas até eu mesmo me perdi.
Me perdi a cada olhar seu na minha direção, a cada abraço e a cada beijo no rosto que queimava minha bochecha e parecia ser apenas um lembrete de que a gente nunca daria certo. Era essa a minha visão. Meu sentimento, por mais bonito que seja, sempre martelou nesse sentido. “Não diga nada, rapaz. Vai ser melhor”.
Melhor pra quem?, pergunto-me.
Eu sei que o Amor genuíno quer ver o amado feliz, independente de quem o faça assim, mas é difícil. Se esse é o verdadeiro Amor, tenho certeza de que muita gente não os experimentou. A maioria das pessoas acaba sentindo algo egoísta. Cria uma posse. E eu acho isso, de certo modo, até mesmo normal.
Você já parou pra pensar que é preciso desapegar do fato de que VOCÊ QUER fazer aquela pessoa feliz? É preciso mudar o ângulo em que se enxerga as coisas. Você quer VÊ-LA feliz, não importando com quem. É duro. A pessoa amada nos braços de um outro qualquer. Eu te quero feliz, mas sei que posso realizar bem essa tarefa. Te amar plenamente seria um privilégio.
Moça, sei que parece uma grande loucura chegar te dizendo todas essas coisas e jogar pra você a responsabilidade de responder se aceita ou não, mas é que eu já estava me afogando. Minha “causa mortis” certamente seria um engasgo com o não dito. Então, digo: eu te amo.
Já não posso mais esconder isso de mim.
[ Gustavo Lacombe ]

Não tem outra forma de dizer isso

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Você é o amor da minha vida. Não, não sou mais um cara falando da boca pra fora pra terceira pessoa no ano. Não, não estou desesperado, carente, sozinho, nem nada parecido com isso. Não, não sou uma exceção à regra. Sou apenas alguém que chegou a conclusão que não preciso mais procurar, não preciso mais bater à porta de amor de nenhum, não preciso mais perder tempo em noitadas sem sentido.

Você é o amor da minha vida. Sim, estou falando isso agora, depois de ter errado muito, ter pedido tempo, ter feito você sofrer, ter feito você chorar, me perdoar e não prometo parar. Quem vai saber o futuro? Mas, daqui pra frente, eu vou tentar fazer com que suas lágrimas sejam apenas de alegria. E sim, estou falando isso hoje, quando muitos apontarão pra mim e dirão que sou muito novo. E daí? Quero ter tempo suficiente para te aproveitar ao máximo.

Você é o amor da minha vida. Existe momento certo para tomar essa decisão? Sentir isso no peito? Se dar conta de que falta um pedaço no meu mundo? Me declarar? Vou correr todos os riscos, ir até onde for preciso e não sei como será minha vida sozinho. Não sei porque, hoje, só consigo enxergar meu futuro contigo. Um futuro leve, risonho e cheio de sonhos – que vamos realizar um por um.

Você é o amor da minha vida. Não tem outra forma de dizer isso. Fosse um clichê, uma analogia, um trocadilho, uma metáfora, uma moral da história, ou qualquer outro recurso gramático ou literário. É você, sempre foi e será. Te conhecer foi um acaso, nosso amor foi sorte e nós dois juntos é destino. Ou qualquer ordem que faça sentido. O que importa é a verdade embutida no sorriso: você é o amor da minha vida.

(Gustavo Lacombe)