Eu Queria Ter Forças Pra Ficar

Eu queria muito ter forças pra ficar. Queria conseguir te olhar nos olhos e dizer que ainda aceito tudo isso que você me dá. Ou o tanto que você oferece. Só que algo aqui dentro mudou. Eu te amo e não vai mudar em nada seguir sem te ver nos meus dias. Não vou conseguir te apagar da minha rotina e muito menos vou ter força para afastar as lembranças. O que eu não posso mais é continuar tentando me espremer pra caber no teu afeto.

Quero amar sem medida.

Sei que não existe certo ou errado. Adianta eu chegar aqui e jogar um monte de coisas na tua cara? Te magoar? Eu não me tornar seu inimigo. Pelo contrário, vou manter o desejo de ser bem mais que uma “amizade”, e não saberia te desejar algum mal. Posso até torcer para que você seja feliz de longe, com o sorriso que adoro sem cortar meu coração por ser para outra pessoa, mas nunca esperaria te ver mal por aí.

Talvez exista, sim, uma vontade de que você sinta saudade e que a minha falta te corte de vez em quando. Que o teto te pegue mirando pra ele e se perguntando quando que alguma notícia minha aparecerá na sua timeline. Que o consolo só venha com uma bebida e, também, que você não seja idiota suficiente para achar que esquecer está atrelado a se perder por outros corpos e transar sem sentimento algum.

Por puro prazer culpado.

Se um dia, quem sabe, nos encontrarmos e tudo fluir para um querer recíproco e compatível, podemos tentar. Sei que aí dentro vai ficar um pedaço de mim e de todas as coisas boas que ficaram. A porta pela qual você não quis entrar não irá se fechar com raiva ou força, mas não posso prometer que continue aberta. De resto, apenas hoje aceito que meus convites não serão atendidos. Eu queria poder ficar esperando, mas não dá.

Meu coração é grande demais para se espremer em alguém.

[ Gustavo Lacombe ]

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A Lenta

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A dor cicatriza lenta. Ou pode ser que nem cicatrize. Que fique. Exposta pelo sentimento que por vezes volta. A dor, ainda que superada e não mais lembrada, lateja quando chega o período da invernada. E nada apaga. Nem sabão, nem outra experiência, nem perda de memória. Nada. Sabe-se que ela lá esteve, lá fez estrago e que de lá arrancou pedaço. Grite se quiser, suporte o quanto der, mas não ignore-a. Há quem tire lições, tire proveito. Há quem saiba entender direito que o doer é normal e todos estamos suscetíveis a isso. Resta saber quem será a dor excepcional ao ponto de conseguir perdoá-la, quere-la e, quem sabe, ainda amá-la. Vagarosa em seu passo sem pressa nenhuma, engana aquele que ao álcool se entrega. Se fosse assim tão fácil… Quem dera! Depois de instalada, exige tempo ao tempo. Mas quem sabe ao certo quanto levará o mesmo? Fica-se sentindo o pré-sentimento de ter certeza que ela nunca passará. Só que passa. Inevitavelmente passa – tomara -, ainda que não se apague. Dor que é dor apenas se resguarda para doer na hora certa. Pra ela. Pra gente, é sempre na hora errada. De todo tipo de dor, a pior é aquela que esmaga, aperta e aflige o coração. Essa, então! Faz do homem peão, da mulher escravidão e vice-versa sem medo. Faz o que quiser. E, por mais repetitivo que pareça, cicatriza lenta.

Ou pode ser que nem cicatrize.

(Gustavo Lacombe)

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