Meu Melhor Presente

Esse ano foi tenso. E uso o “tenso” como um adjetivo negativo e positivo ao mesmo tempo. O viés negativo vem do tanto de notícia ruim que recebemos. Tragédias, dores, mortes e uma barbárie no meio dessa confusão que se instalou no país. Positivo porque, mesmo diante de tantas coisas ruins, acho que minha vida andou de uma forma bastante boa e eu cresci como pessoa. E, no meio disso tudo, ainda me veio você.

Agradeço por ter te encontrado. Sei que cheguei num período meio conturbado pra você, mas fomos nos acertando e curtindo a presença do outro. Fomos aprendendo as particularidades, as nuances e descobrindo o que se escondia na história de cada um. Você me contando vitórias, derrotas e traumas. Eu, do meu jeito, fui também me abrindo e dizendo dos meus medos, me deixando mergulhar nos seus olhos.

E eu ainda te olho.

Se deixar amar é uma das maiores lições que podemos receber. Nos acostumamos a exacerbar nossos defeitos e ter raiva do espelho. Raiva das nossas escolhas. Contigo eu percebi que o carinho por nós mesmos é fundamental. E até mesmo quando falei algo que te feriu, recebi teu colo dizendo que erramos mesmo e que aquilo também ia passar. Importante era o meu arrependimento genuíno.

Sobre colo, perdi a conta de quantas vezes procurei teu braço no meio da noite ou do dia só pra me ajeitar e descansar no teu carinho. Também não sei dizer o número de situações em que te vi sorrir ao meu lado depois de fazer amor – e os dois se olhavam com aquela certeza de que cada momento junto valia. E vale. E como uma piada interna que só a gente entende: ainda te olho. Fundo. Me enxergando na sua pupila dilatada.

Refletindo o Amor.

Meu melhor presente esse ano foi você, como um Natal fora de época ou um aniversário que entregou o presente um pouco mais tarde. Virou meu vício com cada beijo que me acende, as mãos que me instigam e a companhia que me completa. Meu porto, onde tenho o mais perfeito abraço. Meu melhor, procurado só pra te entregar em encontros que matam saudades, afinam nossa sintonia e repetem baixinho que eu poderia morar em você.

Te olhando pra sempre.

[ Gustavo Lacombe ]

Ela tem Mania de Acender Estrelas Quando Sorri

Ela reclama de alguma coisa – pra variar – e eu sorrio. Fico bobo olhando aquela cara nervosinha e ela me xinga. Isso eu ouço. Rio um pouco mais. E ela detesta quando está falando algo sério e fico assim. Digo que passo um tempo admirando a boca dela. Delícia de boca.

Sou apaixonado pelos detalhes.

Tipo quando ela fica vermelha na parte do colo ao colocar uma blusa de alcinha e pegar um pouco de sol. Ou, então, quando ela está em casa e senta de pernas cruzadas na cadeira enquanto come algo e me repreende dizendo que segurar o garfo na mão esquerda é que é o certo. Ou, ainda, quando fica fugindo da água quando a gente toma banho juntos e diz que só vai lavar a cabeça no dia seguinte. É isso.

Quer dizer, tem muito mais, eu sei, mas já dá pra ter uma noção. São essas coisinhas miúdas que compõe esse ser tão complexo que me encantam. Se você me perguntar se eu faço tudo certo com ela, vou ser obrigado a dizer que erro sim. Perfeição nunca foi o meu forte. Eu juro que tento.

Observo onde ela me chama atenção, onde falho e procuro não errar nas mesmas coisas – cometo apenas erros novos. Ela pergunta se nunca vou aprender a decifrar alguns sinais que me dá. E eu confesso que sou um mal aluno em alguns quesitos. Digo “certas coisas nunca conseguirei aprender. Pendurar a toalha depois do banho e deixar te amar, por exemplo”.

E ela sorri.

Não o sorriso que ela usa para as notícias boas, para uma surpresa ou quando encontra algum conhecido na rua. Ela tem vários tipo de sorriso, aliás. Mas usa, sim, um sorriso que ela guarda só pra me dar. Ela tem mania de acender estrelas quando sorri.

E, em mim, acende uma constelação inteira.

[ Gustavo Lacombe ]

 

O Sorriso com Milhões de Megatons

Megaton é uma unidade de medida que serve para descrever a quantidade de energia que é liberada durante uma explosão. A gente conhece o termo quando estuda história e vai falar sobre armas nucleares ou numa outra aula que vai tratar dos cálculos matemáticos da coisa.

Eu, eterno aprendiz dos mistérios da Vida, descobri que só é possível medir os sorrisos dela dessa forma. Só dela. Sorriso diferente, como o da musa inspiradora do escritor Hugo Rodrigues – capaz de atingir oito graus na escala Richter. O dela, sorriso mais lindo que já vi, que vem acompanhado da capacidade de destruição de qualquer concentração, plano ou itinerário previamente estabelecido.

Muda completamente o que se pensa do Mundo, as certezas que se carrega e deixa uma pergunta no ar enquanto detona toda a sua beleza em mim: onde é que ela estava esse tempo todo? Não sei, mas foi apenas depois da explosão que fez-se surgir uma paz em mim que até aquele momento não havia conhecido. Paz que sempre me enche o peito quando relembro nós juntos. A paz de querer apenas os olhos, os braços, o som da risada e o jeitinho de falar que ela tem.

E junto dos megatons de energia que provocam arrepios espetaculares no meu corpo, veio a calma de ver sumindo os meus medos, os meus receios, as mágoas passadas, os casos mal amados, o tempo que pareceu desperdiçado. O sorriso dela, de força incontrolável, derrubou muros que isolavam minha coragem de viver algo novo; construiu as pontes necessárias pra um outro caminho.

Engraçado, mas foi nessa coisa de explodir tudo de ruim que ainda insistia em cultivar em mim que ela fez brotar algo ainda mais forte. Algo que a cada sorriso eu fico imensamente feliz de carregar em mim.

[Gustavo Lacombe ]

#ahlacombe

Ela Não é Mais Sua, Ela é Dela

Senta aqui, cara. Vamos conversar.

Sei que esse papo pode te machucar, mas é pro seu bem. Te encontrei aquele dia com cara de quem estava acabado e só fui saber depois do ocorrido. E, sim, você estava e ainda está com o mesmo semblante. O mesmo rosto grave e preocupado de quem não sabe o que fazer agora. Eu, como seu amigo, só posso te dizer pra seguir. Ela não é mais sua.

E digo esse “sua” porque várias vezes a ouvi dizer isso. Lembro de como ela te olhava fundo no meio da galera e não se sentia envergonhada ao falar essas coisas. Aliás, acredito que nem todas as pessoas sejam corajosas o suficiente para demonstrarem seus sentimentos, mas as que o fazem certamente estão mais perto de viver a plenitude do que sentem.

E vocês viveram tudo que podiam.

Sei que fica a sensação de que a estrada ainda era longa, mas se foi algo que os dois decidiram, deixe que cada um siga sua estrada. Ela agora é toda dela. Você, também, é todo seu. Se um dia tiver que dar certo de novo, dará, mas não adianta você interromper tudo aquilo que foi planejado e não continuar sua batalha pelos seus sonhos. Nem ela iria querer isso.

Não sinta inveja ou raiva do sorriso dela. Dói para os dois, mas ninguém é obrigado a conservar um luto. Ou, então, reflita por quantas vezes você esteve mal e teve que sorrir na hora de uma foto. Talvez aconteça o mesmo do lado de lá. Mire-se no exemplo: ela está tentando ficar na paz dela, do jeito dela. E você deveria tentar fazer o mesmo.

Vocês já não podem se ajudar.

Não coloque toda a culpa do fim nos seus ombros. Ela é tão dela quanto você agora é seu. Cada um vai buscar o que é melhor pra si. Não se trata de ser egoísta, mas de tentar enxergar qual a melhor saída para se curar disso tudo. E, tenha certeza, a Vida só melhora quando a gente decide que quer melhorar. Ficar parado não vai adiantar.

Devolva-se como ela se devolveu.

[Gustavo Lacombe]

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bit.do/Lacombe

A Vida é Uma Sequência de Aleatoriedades

De repente, um raio caiu sobre um prédio em Chapecó e transformado as churrasqueiras das varandas em lareiras ternamente acessas para esperar – desde Março – por Papai Noel e seus duendes mágicos. Nessa mesma hora, quando a eletricidade percorreu o primeiro centímetro do pára-raio que não parou nada com aquela chuva, uma simpática senhora tropeçou numa pedra portuguesa solta do calçadão do Centro Histórico de Porto Alegre, encontrando o chão com a face direita do rosto, mas indo de encontro a uma nota de cem reais que tinha caído de algum bolso distraído – tornou a dor da senhora um pouco mais branda, ainda que o ralado do joelho tenha ardido durante dias. No segundo sincronizado em que o primeiro milímetro quadrado de pele da senhora encostou o chão, um cachorro abocanhou um carteiro que fazia sua ronda na Pituba, em Salvador, e que sempre se precavia, mas estava com a cabeça nas nuvens por ter recebido poucas horas antes um abono no seu salário. A mordida gerou uma cicatriz que até hoje gera risadas entre amigos. No milésimo perfeito, como um bater de claquete de diretor de cinema, em que a boca do cachorro encontrou a mão do menino carteiro, dois para-choques se beijaram na Avenida João XXIII em Teresina, ao passo que os dois motoristas saíram bufando de seus respectivos veículos e dispostos a pôr a culpa um no outro, mas deram de cara com um caso mal resolvido e decidiram fingir que não se conheciam. O prejuízo já tinha sido grande demais na Vida. E, para completar nossa sequência de fatos aleatórios e que, se me perguntarem vou poder dizer, não tinham nada a ver um com o outro, no instante em que os motoristas sentiram o impacto da batida e começaram a se xingar mentalmente, eu dei de cara com ela atravessando o sinal perto da minha rua aqui em Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Naquela hora, como se um raio tivesse trespassado meu peito e me feito enriquecer afetivamente pelo modo como as batidas do meu peito se alvoroçaram e pareciam correr alucinadamente de algum perigo iminente, eu senti que era algo muito diferente nascendo em mim. Mais que uma atração, o avesso da dor, o revés daquele que se julga feliz sozinho. Algo que se torna infinito na angústia de querer saber se pode, então, ser recíproco. Não haveria como descrever de outro modo: era Amor.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, pode ser encontrado aqui: http://bit.ly/AmorParaRaros

Olhos de Menina-Mulher Capturados numa Foto Qualquer

Eu adoro essa sua foto. Sei que ela é muito parecida com milhares de outras, mas acho que você colocá-la no perfil de várias redes me ajudou a olhar mais atentamente pra ela. Não foi somente o seu sorriso meio de lado e sem graça que me fez gostar tanto dela. Acho que nem mesmo foi por conta do decote que valoriza demais uma das partes mais lindas que você tem.
Digamos, pra resumir, que foi pelo conjunto da obra.
Tenho a nítida sensação de que você tirou essa foto pensando em mim. E, se não foi, não estrague a minha ilusão. É só um devaneio maluco aqui parar para explicar o que eu sinto ao encarar teus olhar no retrato, mas é uma loucura vinda de coração. Do coração. De algum lugar dentro de mim que já tinha esquecido que existia e você me fez lembrar.
Aliás, preciso admitir que é um misto a origem das sensações ao te ver ali revelada. Eu penso no tanto que ainda quero descobrir desse brilho que sai naturalmente de você, quero tanto ainda poder ter o privilégio de tirar a tua roupa, quero tanto dessa coisa gostosa que é dividir as pequenas coisas contigo.
Um banho por exemplo.
Ainda assim, uma das coisas que acho que mais gosto nela é como não consigo colocar apenas uma legenda. Teus olhos de menina-mulher capturados numa foto qualquer; sedutores e ao mesmo tempo cheios de desdém: das coisas mais poderosas que você tem. E se eu pudesse eleger o que em você mais faz o meu coração vibrar, diria que é essa capacidade de apenas me olhar e saber exatamente o que quero.
Talvez isso seja fruto da previsibilidade de todo homem. Talvez seja da percepção de toda mulher. Talvez seja uma sintonia só nossa mesmo, coisa do sentimento que passa um do outro. Talvez seja uma loucura minha e, na verdade, eu que sempre entrego de bandeja tudo que sinto e que sou pra você. Talvez seja tudo isso junto.
Só sei, meu bem, que essa foto resume bem o que você é: alguém que faz até a câmera saber a sorte que tem de poder te guardar num clique do obturador.
[ Gustavo Lacombe ]
“O Amor É Para Os Raros”, meu segundo livro, pode ser reservado aqui: http://bit.ly/AmorParaRaros

Ela é Feliz Assim

Ela joga metade do cabelo no rosto, faz uma careta e tira uma selfie. Posa com as amigas no meio de uma festa com um drink na mão e sorri. Ela é feliz assim. Rodeada de pessoas que gostam dela e que também a fazem bem. Não entende como é que as pessoas se escoram em indiretas e tramam picuinhas umas contra as outras. Ela é daquela que prega o bem.

Talvez ela acredite mais em karma do que muitas pessoas por aí. Aliás, ela tem certeza de que tudo que vai volta, então não adianta espalhar coisas ruins por aí. O vento depois joga tudo na cara. É um desperdício gastar a Vida com o mal. No fundo, só mesmo os valores relacionados com o Amor valem à pena.

O resto é acúmulo de espaço.

Já teve seus amores. Provou da dor de se entregar e dar de cara na parede, mas também já sentiu de verdade o que é gostar de alguém. Entendeu que nem tudo sai do jeito como se espera, mas é melhor ter alguém ao lado com mais afinidades do que diferenças – mesmo que as arestas possam ser aparadas e a convivência algo bom. Às vezes, se adaptar é impossível.

Já pensou em desistir de sonhos, mas assim como o sorriso que ela cultiva nas fotos que posta na internet, sabe que só adianta seguir se houver alguma chama acesa no coração. E ela vai trilhando o caminho sem querer saber se o sorriso dela incomoda alguém. Blindou sua felicidade com a certeza de que sempre prezará pelo o que for bom.

Aqui a maldade não se cria.

Quem quiser se encostar que se prepare para encontrar disposição e a intensidade de alguém que ama viver. Ela aprendeu a ser dela, a se amar, a se enxergar no espelho e gostar do que vê. Ela não precisa da aprovação de ninguém para ser o que quiser. Ela é, ao lado da mãe, a mulher da sua vida. É feliz assim. E não tá nem aí se alguém disser que ela está errada.

[ Gustavo Lacombe ]

A saudade apenas ratifica o Tamanho do Sentimento

Às vezes me bate uma saudade da gente.

Me pego tocando os lábios lembrando do gosto do teu beijo e fecho os olhos. Estou na tua frente. Se o pensamento tem força, certamente nessa hora você me sente por perto. Mentalizo fortemente o teu abraço e chego a me arrepiar: vivo a ilusão do truque. A cabeça prega uma peça e eu digo pra mim mesmo que não quero passar por essa situação de novo. Logo rio.

Logo percebo que não adianta se estamos separados por uma cidade inteira, um estado enorme ou um país gigante. A Saudade se apossa do meu peito mal você bate a porta do carro. Sua falta me assalta assim que o telefone desliga e o meu “eu te amo” fica ecoando pelo barulho intermitente do fim da ligação. A saudade é inevitável quando a gente tem alguém mais do que perto, dentro do coração.

E como um réu que se entrega, não consigo evitar a confidência de que penso em você daquele jeito. A roupa caindo leve, o sutiã se abrindo e um sorriso escapando pelo canto da tua boca. É inevitável me pegar desejando teu corpo, passeando com minha língua por cada encontro do teu corpo, cada esquina, cada vale, cada curva.

O mais engraçado dessa miragem rotineira é que todas as recordações me inundam tão rápido que um piscar consegue dar conta de todos os cenários. Mantenho os olhos fechados só pra me alongar em você na memória. Chego a salivar ansiando te ter aqui perto. Chego a transformar qualquer barulho ao meu redor no som doce que tua voz propaga em mim.

Lendo assim, meu bem, sei que você pode estar rindo de mim e comentando baixinho que isso tudo é loucura. Pode ser também. Todo ser apaixonado tem um parafuso a menos. Toda pessoa tocada pelo Amor realiza a proeza de disparar uma metralhadora de clichês e imaginar o ser amado em seus braços sob todas as formas possíveis.

Não duvido que o primeiro cientista a inventar o teletransporte o fará com a clara intenção de trazer pra perto a mulher que ama. Esqueça qualquer outro fundamento, o Amor é que faz essas invenções terem propósito. E, nesse dia, serei o primeiro da fila para te trazer pra junto de mim.

Se a distância será sempre algo que irá se meter entre nós dois, é a certeza de que a gente se escolheu que sempre causará a volta. Te amar me dá força para seguir em frente.

A saudade apenas ratifica o tamanho do sentimento.

[ Gustavo Lacombe ]

Ela Tem Todas as Cores

Ela apareceu com aqueles olhos pintados como um quadro de Van Gogh. Impressionante foi o efeito de cores que ela causou em mim. Uma sensação avermelhada e quente de um desejo crescente, misturada a um verde clarinho de paz e querer ficar quietinho nela. Um paradoxo arroxeado de quem acaba de levar uma porrada daquela figura linda apresentada aos olhos de uma maneira totalmente nova. Ela era uma noite azulada de primavera. Era a brancura do sorriso que se misturada ao pretume da roupa. E, vejam só, toda a paleta de cores dela começava no olhar brilhante – daqueles que te faz repensar a sua trajetória sem a presença deles e o porquê da demora no encontro. Eu era um espectador passivo do festival que ela era. Toda admiração já está a um passo do paraíso. A vontade de entrelaçar as mãos, descobrir o gosto e começar a fundir todos os meus sentidos aos dela. De olhos fechados, a explosão colorida se transformava num doce som da voz. Ao avançar dos corpos, o apressado farfalhar de línguas e bocas que se procuravam em nossos tons de pele combinados. Era a mistura clássica da combustão entre duas pessoas que se pegam querendo agradar a outra e dar um prazer recíproco. Chega uma hora em que tudo é uma grande confusão de cores. O espectador da paisagem viva se funde a ela e passa a fazer parte de toda a fantasiada. Já sem saber se era ela transposta para a minha realidade ou eu sugado para a cena dela, o relógio pareceu nos despertar do transe. E na dureza do amarronzado adeus, lá me fui com a alma amarela feito um Sol de Verão. Ela tem essa mania, já percebi, de se vestir de força da Natureza. E o que não é a mulher se não uma força indestrutível da Mãe Natureza. Um furacão a me borrar inteiro de batom, alegria e desejo.

[ Gustavo Lacombe ]