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Não tente impedir, o Mundo continuará girando.

Não adianta você querer impedir o Mundo de girar. Por mais desejo que você tenha de parar o tempo ou de não conhecer o que se esconde logo à frente, ele nunca irá parar. E, eu sei, talvez demore até que consigamos aceitar que certas coisas não são para acontecer, certos sonhos seguirão sendo sonhos, e que certas pessoas apenas passarão por nós. Nada é, apenas está. Está de passagem, está de acordo, está pronto. Não está na hora, não está sendo, não está definido. Entender o caráter transitório da Vida é primordial para não se machucar tanto à tôa. Estamos sempre criando expectativas, renovando as esperanças e nunca direi que isso é errado. Atento apenas para o fato de que nem sempre as coisas saem como queremos. Longe de assumir um caráter conformista, sou apenas mais um que tenta dizer o quanto é doloroso insistir no que não quer ficar, no que não é pra ser. Torço do fundo do meu coração que a sua força seja exemplo e que toda a sua determinação seja retribuída com realizações. Entretanto, te peço olhos bem abertos e intuição apurada para o movimento natural que o Mundo tem de não deixar nada no seu lugar por tanto tempo assim. Digo sempre que é preciso abraçar o que disser “sim” para nós e vier para somar, e acenar o maior “não” para o que apenas perturba nosso juízo e nada nos acrescenta. Nessas tantas voltas que testemunhamos, ficamos com aquilo que nos afrouxa o riso, alivia o espírito e enobrece o coração. E o resto que fique pelo caminho, esquecido nos giros que o Mundo deu.

[ Gustavo Lacombe ]

Meus livros, “O Amor é Para os Raros” e “Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, podem ser encontrados aqui:
bit.do/Lacombe

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Escada do Tempo

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Nossa escada já está um tanto desgastada pelo tempo. Olhei pra ela hoje com um misto de nostalgia e paixão, e meu primeiro movimento foi logo em sua direção. Sentei, pude ver nossos nomes gravados no quarto degrau – junto com o coração que fiz com a chave da sua casa. Era uma manhã como aquela em que nos conhecemos.

Estranho estar ali de novo. As árvores talvez fossem as mesmas, mas o entorno, a vista, muita coisa já tinha se modificado. Dali podíamos ver algumas outras casas mais baixas, a rua principal da cidade e podíamos sentir uma brisa tocar nossos rostos meio que agradecendo por pararmos um pouco com a agitação e descansar naquela escada.

Lembra como ela parecia grande no começo? Nossa! A venci hoje com um mínimo de esforço e ri. Nós éramos tão jovens, mas crescemos tanto um com o outro. Não se via aqueles prédios, eu lembro. Não se tinha aquela barulheira dos carros passando, os sons no último volume. Ainda dava para ouvir um violão ao longe. E eu que tantas vezes levei o meu para aquele degrau e te cantei minhas músicas – as suas preferidas.

Uma nota e eu já podia ver seu sorriso se abrindo do meu lado.

Ah! Dois degraus acima eu vi os nomes de meu irmão e sua antiga namorada. Divertido encontrar pedaços do passado pela cidade. Pude ver outras dezenas de nomes, todos enfeitados com corações, flechas e “para sempres”. Como éramos bobos. E apaixonados. Bobos apaixonados. Éramos felizes! Fui ao restaurante onde jantamos com seus pais e quase pude sentir o nervosismo daquele dia. Fui a outros lugares também.

Sabe, meu amor, não tem sido fácil desde que você se foi. Mas se existe uma coisa que me faz continuar a querer viver sempre mais, essa coisa é a lembrança da sua vontade de viver. A alegria com que você agradecia por mais um dia. Poder acordar e ver a família que construímos. E eu estou aqui até hoje por sua causa, pela sua força. Mas, olha, com certeza a gente ainda vai se ver de novo.

Enquanto não chego aí, deixa eu olhar mais pra essa escada que já teve tanto da gente ali. E eu vou me virando com essa saudade por aqui.

Sempre seu,

Amor.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

Obs.: Preparem-se. Em Abril tem lançamento. 😉