Entre a Chance e a Memória

Tente. Você nunca saberá o que pode acontecer.

É contraditório, como muita coisa na vida.

Cada sorriso que ela dava, era mais um erro. Cada vez que o coração batia forte, era mais uma penitência a ser paga. Era como se todo o desejo que ela tinha de se jogar fosse errado. Como se toda vez em que a boca secava e pedia o beijo fosse o exato momento em que ela deveria correr pra mais longe. Era aquele momento descrito nas observações de corpos com forças iguais.

Não poderiam se unir.

Então, suponhamos que o problema ainda seja ela. Que alguma parte solta da história no passado, e que ainda vive em presente, acaba cortando fora qualquer possibilidade de ser feliz no futuro. Peraí, inclusive no presente. Sim, porque, pensa comigo, se livrar de qualquer aresta que faz o coração esbarrar e abrir um corte é uma coisa boa. Poder cicatrizar com felicidade seria melhor ainda.

Só que ela não é ela. Nossa, tá ficando enrolado.

Deixemos assim, ela não pode se entregar por inteira agora – e detesta ser metade. Deixar fluir, hoje, é ter que abrir mão de alguma coisa. E, sem suposições, resolveu largar a chance de ser feliz num curto prazo. E deu inveja dela. Bateu uma coisa de que eu nunca conseguiria ser tão bom assim. Eu não sei se me colocaria tanto no lugar de outra pessoa que abriria mão de uma estrada promissora.

Aí, está, senhores!

Chegamos no ponto sensível. Enquanto esse meu devaneio pela madrugada vai virando um texto, é primordial que vocês entendam: as pessoas que passaram em nossas vidas, se nos deram sorrisos, são tão ou mais importantes do que aquelas que pretendem nos dar novos sorrisos. Há uma gratidão, um quê de muito obrigado pelas experiências e por terem formado a nossa história. E ela tem esse conceito muito forte dentro dela. Entre a chance e a memória, ela prefere estar bem resolvida com a segunda para, enfim, poder se dar à primeira.

Aceitação, é só isso que ela cobra. Não precisa do aval de ninguém, mas a colaboração é sempre bem vinda. Encararia o que aparecesse, mas com uma ajuda fica sempre mais fácil. Ah, se tudo fosse tão fácil. Ninguém disse que seria, certo? Colocar pontos finais é sempre mais difícil que pagar pra ver aonde vão dar as reticências. Mas tem que ser assim. São as suas condições. Quem a aceitaria se ela não fosse ela naquele momento? Fosse uma parte perdida? Não estivesse querendo e, principalmente, podendo viver?

É contraditório, mas aceitando, faz todo sentido.

(Gustavo Lacombe)

Vida Simples

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“No fundo é simples ser feliz, difícil é ser tão simples” – Leoni

Sou a favor das coisas facilitadas. Calma, este não será um manifesto sobre as maracutaias e arranjos desenvolvidos por pessoas a fim de conseguirem realizar seus objetivos sem esforço nenhum. Aliás, abomino a maioria dos esquemas existentes por aí que visam dar prioridade a algumas pessoas para passarem na frente de outras. Talvez, o único acordo que aceito é o do trabalho com o sonho; mãos à obra. Sobre a facilidade que me referi no início do texto, falo sobre o poder de decisão que temos entre dizer “sim” ou “não” para as coisas.

Palavras que podem virar verbos, mas não perdem o efeito de serem uma aceitação ou um veto.

Perdemos muito tempo remoendo (e achando) (e tentando adivinhar) o que o outro, o presidente ou o papa pensam ou opinariam sobre a próxima decisão que iremos tomar. Sério, pare com isso. Concordo que muitas questões não se resumem a escolher entre o certo e o errado. Algumas passam ao campo da subjetividade, das suposições, das divagações sobre o que acontecerá se acaso tal coisa acontecer. (Não sei se é certo escrever essa expressão) Vai por mim, se der vontade de fazer alguma coisa e ela não prejudicar ninguém, faça.

Os maiores arrependimentos vem, justamente, daquilo que não fizemos por hesitar demais.

É como pegar o telefone e ficar pensando se deve ligar ou não. Deu saudade? Liga. Não vale a pena? Foda-se, então. Larga essa merda e esquece a vontade. Seguindo o mesmo exemplo: escrever um e-mail, uma carta, um SMS, fazer um sinal de fumaça ou planejar ir lá pro raio que o parta só pra dizer que você não consegue parar de pensar em alguém. Fazemos coisas tão instintivamente que de vez em quando me assusto com o tanto de vida que desperdiçamos tentando prever como será se…

“Se”. Palavra miúda que faz um estrago absurdo na nossa cabeça.

Não é preciso ter pressa para se realizar sonhos. Não é preciso passar por cima de ninguém para alcançar objetivos. Não é preciso dificultar as coisas para dar vazão aos sentimentos. E não é preciso fazer uma lista enorme do que “não é preciso”. Às vezes, as escolhas que se colocam à nossa frente nos cobram que sejamos simples apenas. É uma questão de dar prosseguimento com aquela vontade – seja do tipo que for. Já existem coisas demais acontecendo ao nosso redor sem que possamos interferir nelas. Simplifique a vida.

Abraça rindo o que for de “sim” e joga fora sem pensar o que for de “não”.

(Gustavo Lacombe)

O Amor é mágico

O Amor é mágico

Queria que a minha vida tivesse a mágica dos contos de fada, dos livros, das séries da televisão. Ou das histórias que podemos inventar com a nossa imaginação. Não seria nada mal fazer coisas desaparecerem, levitarem ou ter um superpoder. Talvez eu não tenha vocação para ser herói, mas com certeza não me juntaria aos vilões. Queria que, num delírio de criança crescida, pudesse viajar no tempo, mas não ousaria mexer seria no que foi feito.

Somos prisioneiros de nossas escolhas.

Encaro isso de uma forma boa. As estradas que seguimos são nossas opções tomadas. E mesmo não sendo todas tão bem acertadas, nunca é tarde para se traçar uma nova. Entenda apenas que não se encontrará nada no lugar se, um dia, quiser voltar aonde já se esteve. Como li certa vez de um filósofo, o encontro de alguém com um rio nunca é o mesmo, mesmo você ainda sendo você e o rio ainda sendo o mesmo rio.

Não há nada que me faça crer que esse poder de decisão, sim, é a mágica da vida. Eu posso querer, num surto infantil, desejar fazer truques como os que me contavam quando era menor. Só que a mágica acontece nos nossos dias e nem percebemos. Quem nunca se espantou com uma atitude tão imprevisível quanto um coelho saindo da cartola? Quem nunca se admirou com um sorriso substituindo um choro tão impossível quanto algo que desaparece sob um pano?

Me diz: quem nunca pediu perdão tentando consertar o passado?

Por mais que a fantasia pareça interessante e mexa muito mais com a nossa imaginação, são as coisas que se podem realizar aqui e nesse plano, partindo do nosso livre arbítrio, que são os verdadeiros milagres. Eles, às vezes, acontecem a conta-gotas. É quando um pai trabalha um dia inteiro pela comida do filho. É quando se dá mais um passo ínfimo rumo ao sonho. É a esperança de que até as fases ruins passam, nos fazendo valorizar as boas quando chegam.

Desejaria poderes, mas sei que não há poder maior do que amar. E como disse um tio de um super-herói desses por aí, “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”. É preciso saber o que fazer com ele, mesmo se deixando levar algumas vezes. Amar é como o número que acontece, de repente, diante de nossos olhos incrédulos. O Amor transforma, muda, faz coisas grandiosas. Assim como nos contos, pode ser usado para bem e para o mal, mas a sabemos que o bem sempre vence no final.

Abracadabra. O amor, sim, é a raiz dos pequenos milagres cotidianos. Nos faz tomar as decisões e seguir nossos próprios caminhos. Não há dinheiro que o compre ou elementos que o fabriquem. É algo que nasce conosco. Torna coisas, atitudes e pessoas melhores. Tudo que é feito com ele tem a capacidade de voltar para nós em forma de mais amor. Se multiplica como só a imaginação consegue prever.

O Amor é a mágica que cada um de nós carrega dentro de si.

(Gustavo Lacombe)

Opção

As coisas não são tão simples quanto um dizer de meia dúzia de palavras e uma breve conclusão de que histórias chegam ao fim de repente. Apesar da gente complicar sempre algumas situações por puro medo de perder alguém, quando se envolve o coração e um sentimento não existe receita de bolo ou alguma fórmula mágica que leve ao desapego ou ao consertar de caminhos. Se a facilidade de dizer um “não te amo mais” por telefone for somada às recaídas no cara-a-cara, chegamos a óbvia conclusão de que, como dito, seguir pode ser bem mais complicado do que parece. É preciso bater o pé. É necessário querer andar por outra estrada sem olhar pra trás, ainda que a saudade aperte e tente virar o pescoço. Algumas coisas na vida, por mais difíceis e ruins que pareçam na hora, podem ser as melhores e mais importantes para uma nova jornada. Às vezes, não é que se deixe um amor pelo caminho, mas opta-se por não levá-lo adiante. Nada que envolva sentimento é simples.

(Gustavo Lacombe)