Mulher das Estrelas

Pode ser que eu tenha te pedido num dia desses em que olhava pras estrelas e, me sentindo sozinho, imaginei alguém pra me completar. Pensei, inclusive, que estava sendo bobo ao imaginar alguém que suprisse necessidades, preenchesse lacunas, espantasse saudades, vivesse loucuras. Eu chego a rir quando me lembro que deixei até os céus me darem alguém de quem eu gostasse mais.

Eu só queria um sorriso pra poder viver em paz.

E foi aí, Mulher das Estrelas, que a gente topou num desses dias em que todos os encontros parecem casuais demais para serem chamados de Destino. Na verdade, entendi, o acaso e os mal traçados caminhos da Vida são apenas pré-histórias que podemos seguir ou não. Dobrar uma esquina, ou não. Acender um cigarro, ou não. Atravessar o sinal, ou não.

Vamos escolhendo o que fazemos, sem nos darmos conta de que tudo que vivemos faz parte do plano de ver duas linhas se cruzando e dois sorrisos se abrindo. Nesse dia, bem antes da escuridão do céu se abater sobre nossas cabeças e as estrelas aparecerem como testemunhas de nós, deixei que a naturalidade não se apossasse de mim.

Você bem recorda como estava nervoso. Não sei se senti algo diferente, mas fui embora já traçando meios de te fazer pousar em minhas mãos. Desculpa a sinceridade, mas antes era apenas um desejo. Mal sabia eu que, enfim, desabrocharia num beijo todo o querer de te fazer ficar pra um café, pra uma conversa, pra uma música, por uma noite, por um fim de semana, por um certo tempo.

Pra uma Vida.

Pode ser, resgatando meus pensamentos mais longínquos, que um dia eu tenha te pedido à Lua. Que eu tenha fechado meus olhos e desejado com força que me aparecesse alguém como você. O que sei de verdade, Mulher das Estrelas, é que você chegou e mudou tudo aqui.

Me fez sorrir, me faz feliz.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor é Para Os Raros”, meu segundo livro, pode ser reservado aqui nesse link:
http://www.bit.ly/oAmorÉParaOsRaros

Se tiver Alguém aí Pra me Ouvir

Não é que eu me sinta idiota olhando pro céu e pedindo alguma coisa, mas é estranho que a gente só faça isso quando sente o coração apertado. Se tiver alguém aí pra me ouvir, que leve tudo que eu disser pro coração dela.

Queria que entrasse uma brisa pela janela do quarto dela, tocasse o seu rosto – como um beijo – e mostrasse que ainda existe o carinho aqui. Depois de conseguir chamar a atenção dela, que a brisa a envolvesse e a desse um abraço. Sinto saudade daquele abraço. Sinto falta das mãos dela. Se agora, olhando pro alto, algum ouvido aí estiver atento, que possa ouvir esse meu lamento. Quem chora hoje sou eu, mas sei que fui eu quem fiz mal a ela.

Durante muito tempo eu fui um babaca. Um grande babaca. Tá, perdoa o meu vocabulário. Não quero ofender, mas é que algumas coisas só são bem traduzidas com um palavrão. E eu fui tanta coisa… Se essa brisa que entrou pela janela e a deu um beijo e um abraço pudesse soprar algo no coração dela, que embalasse um pedido de desculpas. Sinceros. Envolvido no mais profundo arrependimento. E remorso.

Eu aprendi, você sabe, que arrependimento não mata, mas que, quando a ficha vai pra quem magoa, é ruim também.

Ainda bem que eu não fui muito magoado na Vida. Bem, você deve saber. Eu acho que sabe. Mas acabei magoando muito. Ela, então… Consigo lembrar de cada choro, de cada erro. Por que eu insisti? Ah… Difícil. A gente, às vezes, não pensa. A gente só aprende quando perde. Talvez essa seja a grande verdade do Universo. Vou ter a Vida inteira pra me arrepender disso.

Vou contar aos meus filhos e netos sobre como perdi um Amor – o dela – que era pra ser daqueles de “pra sempre”, mesmo que a esta altura eles já saibam que o “pra sempre” é uma grande utopia. Você sabe, se é que tem alguém aí me ouvindo, que minhas mãos estão, de certa forma, atadas. Ela pediu pra eu sumir. E eu respeito isso. Quero que ela seja feliz. Nunca quis o mal dela. E, se essa brisa pudesse – além do beijo, do abraço e das desculpas – deixar um recado.

Que dissesse que eu ainda a amo.

Mesmo que ela não acredite. Mesmo que ela sorria e diga baixinho que é mentira. Mesmo que ela volte algum desdém a isso. Mesmo que nunca mais eu tenha outra chance. Eu a amo, você sabe – se é que tem alguém aí pra me ouvir.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser adquirido aqui: http://www.bitly.com/LivroLacombe