Imagem

Só não esquece da bater a porta e não pedir pra voltar

E assim que ela dobrou a esquina já sabia que não voltaria. Não por aquele motivo, não por aquele porquê. Era a última conversa, a derradeira discussão que teriam. Já ficou meio possessa só de chegar e ele demorar pra abrir.
“Tava no banho, foi mal”, ele se desculpou.
“Eu disse que tava chegando”, ela argumentou.
O clima não era dos melhores. Aliás, já tinham se acostumado a ser dos piores. Ela sentou no sofá, pediu um copo d´água. Ele foi na cozinha, voltou com uma garrafa. Fala, pediu. Ela emudeceu. Tinha ensaiado tanto, mas agora a cabeça dava branco. Como terminar aquilo que já parecia ter tido seu fim?
“Melhor a gente acabar”
“Já estava acabado”
“Pra quê que eu vim, então?”
“Não sei, eu só atendi a ligação e disse que você poderia vir”
“Vou embora”
“Só não esquece da bater a porta e não pedir pra voltar”
“Eu não volto atrás”
“Quem tá falando de você? Quem foi que traiu aqui?”
Ficaram em silêncio. Ela quase chorou, mas se lembrou que morreria, mas não pediria a ele um lenço. Foda-se, pensou. A relação era abusiva, ele controlava as saídas, regulava as amigas, falava mal até das vizinhas. Me queria pra si, mas eu sou do Mundo. Acabou caindo na conversa de um outro cara. Jogo sujo.
Ele descobriu sem querer. Pegou uma mensagem dizendo “quando cê vem me ver?”. Pediu explicação e ela gaguejou. Disse que a carne era fraca e emendou com “eu te amo, meu amor”. Ama quem? Quem ama não faz o que você fez. Ela o segurou pelas costas, ele mandou um “você virou só mais uma ex”. Choraram. Ele quase bateu o carro no dia seguinte indo pro trabalho. Ela perdeu uma semana de aula, alugou as amigas e sentiu que não tinha volta.
“Queria pedir desculpas”
“Tudo bem, eu aceito”
“Eu ainda te amo”
“E o que você acha que ainda tem no meu peito? É claro que eu ainda gosto, mas não tô afim de continuar. Preciso de um tempo, pelo menos pra pensar. Confiança, pra mim, é o bem mais forte e frágil que existe. Mantém de pé uma relação inteira, mas quando se desfaz nunca mais é a mesma. Não sei se vale o preço te deixar voltar.”
“Você fala como se fosse o melhor namorado e era um bosta, vamos combinar…”
“Então, por que não terminou? Por que não decretou o fim antes de fazer o que fez?”
“Eu fui idiota”
“Valeu, Ex”
E ela chorou de novo. Pegou a bolsa e partiu. Não ia ficar ali argumentando sobre o que nem ao menos estava por um fio. “Acabou”, refletiu enquanto encostava a cabeça no travesseiro. A gente paga pelos erros, pelos deslizes e faz algo no presente achando que vai ser momentaneamente feliz. Besteira. Quando se confunde aquilo que mais se quer no presente com o que mais se quer pra Vida inteira, a receita é essa: arrependimento servido frio à mesa.
E o que restou foi uma mensagem que ela só leu no outro dia. Um textinho simples que aquilo tudo resumia:
“Só fico me perguntando por que você não tentou me alertar. Se eu era tão ruim, por que não me apontar? Sei que eu não era perfeito, não sou e nunca vou ser. Mas fica martelando essa história toda, fico vendo a cena toda, fico maluco em pensar em você com outro. Dá pra entender? Eu posso até aprender a viver sem você, mas não consigo dizer se conseguiria te olhar todo dia e em algum momento esquecer. Prefiro partir e sufocar no meu peito o Amor que ainda sinto e vou levar aqui dentro. Prefiro terminar – e podem até dizer que quem ama tem que perdoar. Eu te perdoo, mas não volto pra você. Obrigado por tudo vivido, mas simplesmente não dá.”
Fim.
[ Gustavo Lacombe ]
Para ler mais de mim, compre meus livros!
Aqui: bit.do/Lacombe
Imagem

Vamos Para de Falar Sobre o Fim

Uma amiga me encontra numa rua qualquer e pergunta como eu estou. “Estou ótima”, respondo. É verdade, mas ela não acredita. Diz que ainda é muito recente pra eu estar tão bem, mas eu dou de ombros. Tenho intimidade suficiente pra dizer que ela está com uma visão equivocada das coisas. Ela pega meu braço, diz que vai passar, e que eu não preciso me fazer de durona. “Chora comigo”, diz enquanto eu rio.

Juro que dá vontade de socar.

Ainda não consigo entender o motivo das pessoas insistirem no tema mesmo depois que você demonstra não estar interessado nele. É só um fim, um término, uma separação. Não foi o fim do Mundo, como bem colocou meu pai quando eu cheguei em casa contando a notícia. Ele até sorriu. Disse que já tinha visto nos meus olhos que não havia mais aquele sentimento de antes. “Sempre melhor separar, minha pequena” – sim, meu pai me chama de pequena até hoje.

O pior de tudo é que, logo depois de encontrar essa amiga na rua, eu dei de cara (adivinhem!) com o dito cujo. O primeiro pensamento me divertiu. Ex é pra sempre. E me imaginei velhinha falando pros meus netos sobre os meus amores e lembrando da cara de cada ex-namorado que tive. A dele até que demoraria a passar. Voltando à realidade, a vontade de socar foi transferida pro momento exato que ele me cumprimentou e abriu aquele sorriso lindo.

Caraca, o cara tava tão bem quanto eu.

E aí, nessa hora, eu tive mais um mini-flashback (tenho vários durante o dia, não repare) de uma prima contando sobre essa pesquisa que fizeram na Inglaterra sobre como as pessoas odeiam ver seus ex melhores do que a si mesmas. Eu estou nessa lista. Minha única reação foi dizer um “estou atrasada” e bater em retirada dali. A gente não tinha mais nada, não existia mais Amor, mas ainda assim ele é meu ex e a gente se viu poucas vezes depois do fim.

Ok, vamos para de falar sobre isso. Acho que o mais difícil, então, é saber se adequar à nova rotina. Todo mundo ainda me pergunta dele, ainda conversa sobre ele e eu preciso insistir com um “cara, acabou, vamos discutir Caetano, falar de novela ou até política; só não fala mais disso”. O que foi bom vai ficar com força, mas o meu presente é o que conta.

E dá licença que eu quero mais é viver.

[ Gustavo Lacombe ]

Imagem

Já Me Amaram Mais e Melhor que Você

Não se preocupe se eu estou bem. Estou. Otimamente bem, pra falar a verdade. Depois de você, outras pessoas me amaram mais e melhor. Tipo aquela música do Chico. E não te falo isso pra que você se ressinta ou imagine o que outros corpos andam fazendo com o meu ou vice-versa, mas é só pra responder à altura a tua pergunta. Pergunta essa que vem com um sorriso debochado de quem sabe que eu ando sabendo das merdas que você anda aprontando por aí.

Parabéns, então.

Me disseram da vez que viram teu carro saindo do motel com alguém que você dizia não ter nada. Quem viu? Não conto. Eu sei. E também fiquei sabendo que você arrotou por aí numa mesa de bar que não se importava que eu ficasse sabendo das suas libertinagens. E chegou aos meus ouvidos tanta coisa podre e pobre que, seriamente, senti até pena de nós dois. Pena porque, até um certo ponto, eu teria engolido meu orgulho e voltado. Pedido, não.

Só que aí os dias foram se acumulando, pessoas novas chegando e as permissões me sendo feitas. Ousei olhar outro corpo, beijar outra boca, dormir em outra cama e começar a praticar um dos esportes que mais gosto: gastar meu prazer. E toda aquela libido reprimida e raivosa que ficou encruada em mim foi escapulindo em arranhões, em festas, em momentos piores do que os que me contavam que você aprontava por aí.

Dois solteiros aproveitando a Vida, não?

Acho engraçado você aparecer agora. Agora que eu encontrei uma pessoa conhecida tua, que me viu na rua com outro alguém do lado, e que não hesitou em correr pra te passar a ficha completa de todo ocorrido. E, se quiser saber, naquela noite eu também vivi tudo que eu poderia viver. Não faz essa cara de assustado porque nós dois sabemos que você tem aproveitado também.

Estou muito bem. E a principal mudança ocorrida em mim foi ter parado de me importar com o que você pudesse ficar sabendo. Quando teu respeito já não me considerava mais nada, liguei meu “tô nem aí” também. Tenho sido muito feliz desde então. Me importo comigo e com quem se importa comigo. Com quem me desconsidera, não.

Nem termina a próxima frase.
Guarda essa “saudade” pra outro alguém.

[ Gustavo Lacombe ]

Para comprar meus livros, acesse:
bit.do/Lacombe

Imagem

Conveniência não é Amor

Ela se deitou nos braços dele e ligou a televisão. Cansados da noite anterior depois de um aniversário de uma amiga do casal numa boate, decidiram aproveitar o domingo em casa. Preguiçoso como todo término de fim de semana, as horas pareciam se arrastar. Não havia nada a ser feito, nenhum trabalho que tinha sido levado para casa, nenhum convite pendente de amigos. Nem mesmo a vontade de fazerem algo a dois existia.

Naquele momento, cada um queria exatamente aquilo: nada.

Até aqui, eu sei, o problema não é o ócio ou a falta de desejo em realizarem algo juntos. Esses são estados que vão e voltam e fazem parte do comportamento de todo ser humano. E, sem dúvida alguma, todo casal vive seus dias de tédio. Esses relacionamentos que tem coisas novas, interessantes e dignas de filmes todos os dias só existem – adivinhem – nos filmes. Ah, e nas novelas.

O que mais chamou a atenção dela no final das contas foi a preguiça em sugerir qualquer programa. Satisfeita apenas por estar ali, mas sem aquele sentimento de completude que existe em namoro no começo, entendem? Sem saber definir se estava feliz ou triste, apenas satisfeita. O comercial de uma cervejaria com uma mulher bonita na praia fez o namorado dizer “queria tá na praia”.

Ela riu e pensou “pelo menos você quer alguma coisa”.

Que foi?, perguntou ele do sorriso. Nada, ela respondeu. Nunca é nada, retrucou. Ela deu um beijo na bochecha dele e pediu pra não começar. E se ajeitou de novo. E percebeu que aquela braço era só mais um braço. Não era especial. Não era porque era dele. Não era porque era ele. E ele, no mesmo movimento, apenas sentiu um corpo se ajeitando. Gostou do quentinho da proximidade, mas não se entusiasmou. Para os dois, era conveniente estar ali.

A preguiça, começaram a reparar, tinha se espalhado pela casa. Nas contas que venciam e demoravam a ser pagas, nos quadros que se acumulavam no chão esperando para serem pendurados, na louça que ficou pra lavar do almoço. Nos dois, que sabiam que era mais fácil ir levando do que encarar os problemas e resolvê-los. Tinham medo da solidão.

Os dois.

O instante em que os olhares se cruzaram foi o de maior tensão que tiveram em tempos. Nem mesmo quando rolava aquele clima antes do sexo tinha essa tensão toda. Ele já nem lembrava como era uma encarada daquelas e ela não recordava que ele poderia sustentar tão intensamente um olhar por tanto tempo. Souberam, ali, que ou eles conversavam ou aquilo tudo construído desabaria.

Mudaram o canal. Amanhã, quem sabe. Nenhum deles abriu a boca. Empurrou com a barriga. Não por culpa dele ou dela, mas de ambos. Não porque eles não se amavam mais, mas precisavam de uma conversa porque tudo tinha virado uma grande conveniência. Afinal, o que os amigos pensariam, a família acharia ou o chefe falaria? Afinal, aonde iriam parar depois de uma briga?

Ele, definitivamente, queria estar na praia. Sozinho. Ela também.

[ Gustavo Lacombe ]

Para ler mais textos, leve meus livros pra casa.
Acesse bit.do/Lacombe e compre!

Imagem

Ela Não é Mais Sua, Ela é Dela

Senta aqui, cara. Vamos conversar.

Sei que esse papo pode te machucar, mas é pro seu bem. Te encontrei aquele dia com cara de quem estava acabado e só fui saber depois do ocorrido. E, sim, você estava e ainda está com o mesmo semblante. O mesmo rosto grave e preocupado de quem não sabe o que fazer agora. Eu, como seu amigo, só posso te dizer pra seguir. Ela não é mais sua.

E digo esse “sua” porque várias vezes a ouvi dizer isso. Lembro de como ela te olhava fundo no meio da galera e não se sentia envergonhada ao falar essas coisas. Aliás, acredito que nem todas as pessoas sejam corajosas o suficiente para demonstrarem seus sentimentos, mas as que o fazem certamente estão mais perto de viver a plenitude do que sentem.

E vocês viveram tudo que podiam.

Sei que fica a sensação de que a estrada ainda era longa, mas se foi algo que os dois decidiram, deixe que cada um siga sua estrada. Ela agora é toda dela. Você, também, é todo seu. Se um dia tiver que dar certo de novo, dará, mas não adianta você interromper tudo aquilo que foi planejado e não continuar sua batalha pelos seus sonhos. Nem ela iria querer isso.

Não sinta inveja ou raiva do sorriso dela. Dói para os dois, mas ninguém é obrigado a conservar um luto. Ou, então, reflita por quantas vezes você esteve mal e teve que sorrir na hora de uma foto. Talvez aconteça o mesmo do lado de lá. Mire-se no exemplo: ela está tentando ficar na paz dela, do jeito dela. E você deveria tentar fazer o mesmo.

Vocês já não podem se ajudar.

Não coloque toda a culpa do fim nos seus ombros. Ela é tão dela quanto você agora é seu. Cada um vai buscar o que é melhor pra si. Não se trata de ser egoísta, mas de tentar enxergar qual a melhor saída para se curar disso tudo. E, tenha certeza, a Vida só melhora quando a gente decide que quer melhorar. Ficar parado não vai adiantar.

Devolva-se como ela se devolveu.

[Gustavo Lacombe]

Para comprar meus livros, acesse:

bit.do/Lacombe

Imagem

Sei Que Não Fui o Melhor, Mas Ainda Te Amo

Eu errei. Muito. Seria idiota da minha parte chegar aqui e te encarar com a cara mais cínica do Mundo e dizer fui perfeito. Longe disso. Te levei ao céu algumas vezes, mas te deixei no inferno noutras. Fui bem mais teu mal que tua cura. Esforçando para ser o melhor; sendo o pior. O cara certo. Certo para você querer longe. É só olhar os sorrisos e ter certeza de que houve muito Amor. É só lembrar os dias tristes e ter certeza dos deslizes.

Um ponto negativo para cada positivo.

Analisando friamente, eu não voltaria pra mim se eu fosse você. Eu nunca mais iria querer olhar na minha cara, mas sei que você não faria isso. Não por faltar coragem. Não porque você ainda me ama loucamente. Nem por conta de um extremo ou outro, mas porque, do jeito que você me olha, ainda enxerga uma chance pra nós dois.

Falando com o coração, então, é inevitável ainda me manter de pé na sua porta e insistir em nós dois. Sei que existe um pedacinho de tudo isso que vivemos de bom e uma disposição em substituir o que foi ruim por novas memórias. Boas memórias. Um futuro por escrever que vai compensar todo o mal que você passou.

Um mal que eu te fiz.

Eu sei que o meu passado não me ajuda. Depõe contra. Não adianta eu apelar para o que eu ainda sinto porque nessa história toda a maior prejudicada foi você. E agora que você diz não me querer mais, sei o quanto deve ser doloroso me ver aqui. Reavivo histórias, reativo sentimentos, reabro feridas.

Mesmo assim, diante de todo esse cenário e com tanto a jogar contra mim, eu persisto. Minhas promessas não valem de nada, mas acredito que só poderemos saber se tentarmos. Existe, sim, toda disposição do Mundo em te fazer feliz como você sempre mereceu. E merece. Existe ainda um Amor tão grande que só me deixa essa única opção: te pedir perdão.

Sei que não fui o melhor, mas ainda te amo.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, pode ser encontrado aqui: http://bit.ly/AmorParaRaros

Imagem

A inocência de acreditar no “Pra Sempre”

Aconteceu muito de repente. Pra mim, pelo menos. Não esperava que ele viesse com tão poucas palavras, mas tanto a dizer. Não esperava que o olhar mudo conseguisse traduzir, ao final daquela frase, o que eu supus que nunca chegaria. Doce inocência de quem ama acreditar que o “pra sempre” pode acontecer. Justo comigo. Justo com a gente.

Injusto demais, desculpa dizer.

A decisão era algo concreto no rosto, nos gestos e na Vida dele. Me comunicou com profundo pesar, mas como um apresentador de telejornal que na notícia seguinte fala dos gols da rodada. “Vou ter que partir”, falou. Simples e direto. Preciso, cirúrgico. De uma polidez que achei até fria. De uma valentia em ser indiferente ao sofrimento que me causava e que ele sentia, mas que não parecia demonstrar.

Caralho, até ontem nós éramos juras. Até ontem meu corpo pressionava o seu e você me dizia que eu era a mulher. Que eu tinha o beijo mais gostoso, que a boca era a mais macia, que nunca tinha feito amor como fazia comigo. Que porra é essa de chegar dizendo que vai ser melhor assim. Melhor pra quem? Melhora pra quem, porra!?

Fica calma, não. Fico não.

Talvez amanhã eu rasgue nossos retratos. E não quero essa cara de que eu posso fazer o que quiser. Nem essa outra de que eu tenho razão. Não queria ter razão, queria ter amor. O seu amor. Você tem ideia do quanto ainda é importante pra mim? E agora, só porque você vai ser transferido e mudar de cidade, julga que é melhor pra nós dois chegarmos ao fim.

Tem alguma coisa aí. Ou você já não me amava mais há algum tempo ou tem alguém por trás desse término. Eu sei. Não é possível que você abra mão de nós dois assim, como quem descarta uma latinha de refrigerante depois de beber. Ou quem joga fora um doce pela metade porque enjoou de comer.

Se é isso mesmo que você quer, vai.

Aprendi que não se deve segurar quem não quer ficar. Não vou gastar minhas forças tentando te explicar o que pra você já está mais do que claro. Se você não me quer e não há o que eu possa fazer, tenho certeza de que vou sofrer o bastante pra me reencontrar. E vai passar. É foda pensar que vai, mas eu sei que passará.

Pode ir.

[ Gustavo Lacombe ]

Meu segundo livro:
http://bit.ly/AmorParaRaros

Imagem

Eu vou te amar pra sempre.

Eu vou te amar pra sempre. Talvez você não entenda isso agora, mas quando nós dois formos velhinhos e você olhar aquele nosso retrato junto. Vai se lembrar do cara que tentava te fazer sorrir, mas que acabou te fazendo chorar também. Vai recordar alguns erros meus e tentar lembrar porque não demos certo. Talvez, ali, vai sorrir ao imaginar que num Universo paralelo nós poderíamos estar juntos.
Longe demais um do outro agora.
Sabe lá se você ainda vai ter alguma notícia minha. Provavelmente, não. Serei um memória apenas. Memória daquelas que você vai esperar suas netas crescerem para contar a elas todas as loucuras que cometemos enquanto estivemos juntos. Inclusive a vez que você achou que tivesse grávida, mas era só um alarme falso.
Sei que estarei em outros momentos também. Talvez quando você ouvir chamando o meu nome, mas que obviamente é de outra pessoa. Ou, então, quando estiver numa daquelas lojas de suco e ver no cardápio o meu favorito. Os meus favoritos. Lembrar que eu amava tomar açaí e que mal dividia com as pessoas. Vai lembrar. E, pode apostar, eu ainda vou estar te amando nesse dia.
Porque o amor não se vai dessa maneira que muitos pensam. Ele não some, não pede as contas e se muda. Não deixa uma carta e desaparece. Ele se torna inquilino eterno de nós. E você vai saber, não sei de que jeito, mas saberá, que eu ainda estarei com esse sentimento no meu peito ao recordar o que fomos.
Se éramos algo tão bom, você se perguntará, por que então tivemos que viver aquele desfecho? Talvez você chore. De novo. Talvez você recorde os meus erros e queira me bater de novo por ter jogado fora tudo isso que criamos. O que era lindo e se acabou. O que marcou nós dois de um jeito que vai ser pra sempre.
Eterno em nossos corações.
Espero, sinceramente, que você se alegre depois disso. Porque se eu já não consigo conviver com a certeza de que seremos apenas uma lembrança, quanto mais em saber que mesmo daqui há muito tempo você ainda se entristecerá comigo. Ria, por favor. Lembre das vezes que contei uma piada ruim. De quando te esperei com uma flor na mão. De quando fizemos amor. De quantos planos a gente fez.
E um permaneceu: sentir eternamente esse amor.
Eu sei que vou te amar pra sempre.
[ Gustavo Lacombe ]
“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, pode ser reservado aqui: http://www.bit.ly/oAmorÉParaOsRaros
Imagem

Lista: Motivos Para Não te Querer Mais

Eu não te quero mais por uma série de fatores. Poderia começar dizendo que você é um imbecil, mas acho que você precisa e merece uma explicação mais palpável do que a minha simples irritação. Não é você que diz que eu fico bonita nervosinha. Então, aproveita agora que eu tô puta de ter que vir aqui de novo falar desse assunto contigo e guarda bem a minha cara.

É a última vez que eu quero te ver.

Primeiro motivo: eu não te amo mais. Preciso começar por esse para deixar bem claro que, em mim, não há nenhum resquício do sentimento. Mesmo. Não adianta você procurar minhas amigas, minhas colegas de trabalho, o pessoal antigo do colégio, minha família, nem apelar pro Papa. Ninguém terá ouvido algo diferente vindo de mim.

Segundo: eu te dei todas as chances do Mundo. Eu esperei por meses, eu ensaiei o “sim” na frente do espelho por tantas vezes, eu cogitei cometer loucuras, eu pensei em fazer sacrifícios em nome do que a gente ainda poderia construir. Eu me abri, eu baixei a guarda, eu me fiz folha branca para escrever uma história nova. Em cada uma dessas vezes, você conseguiu me decepcionar.

A gente cansa de ser trouxa.

Terceiro: não consigo mais enxergar a gente junto num futuro. Nem próximo, nem distante. Nem paralelo, nem utópico. Nem de ficção científica, nem de um filme água-com-açúcar. Nem como pai dos meus filhos, nem como alguém para envelhecer ao lado. Nem como patriarca de uma família, nem como sendo um casal que decidiu não ter filhos. Só como o ex do passado. Junto só nas fotos que sobraram.

Quarto: a fila anda. Não foi você quem disse que eu precisava me apaixonar? Quem uma vez disse que era melhor sair do meu caminho, que estava atrapalhando e fez aquela cena toda de pedir tempo? Não foi você quem disse que eu era uma mulher sensacional e que, por isso, merece alguém a altura? Pois é. Agora eu acho isso tudo mesmo. Mereço alguém que queira me assumir de verdade.

Não que arrume desculpas para estar longe de mim.

Quinto: eu sei que você já tem outra. Eu sei que você já tem conversa com mais quatro. Sei que você já foi pra cama com mais seis. Sei que você pegou o telefone de mais nove. Sei que você já cogita ir falar com mais doze. Sei que você ainda quer mais vinte. Sei que você só vai se contentar quando tiver aquelas outras trinta. Acho que eu não sou mulher que mereça ficar com as migalhas de alguém.

Elas que te comam em paz.
Sem mexer comigo mais.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, já pode ser reservado aqui: http://bit.ly/AmorParaRaros

Imagem

Eu Te Avisei

A merda é que você a tinha nas mãos e a deixou escapar.

A grande burrada que você fez foi só valorizar — valorizar de
verdade — depois que teve a certeza de que ela não iria voltar.
E aí, meu caro, não adianta chorar, não adianta prometer e nem ir atrás. A Vida vai em frente e você não percebe que ficou no passado.

É lá que ela te deixou.

Não me cobre nem um afago, nem que eu passe a mão na sua cabeça. Quero te ver bem, sim, mas infelizmente esse jogo aí está perdido. Ela ganhou toda uma estrada pela frente e você perdeu uma mulher incrível. É uma merda, eu sei, mas histórias como a sua se repetem.

Por mais que a gente pregue aos quatro ventos, por mais que os escritores debrucem suas inspirações em histórias assim,
por mais que as músicas de dor de cotovelo se perpetuem pelo cancioneiro brasileiro, não adianta: a gente só valoriza depois que perde.

Se eu pudesse te dar um conselho, diria apenas para você chorar o quanto pode agora. Quanto mais cedo acabar teu pranto melhor. Eu poderia te chamar de burro, de idiota, te xingar, te humilhar e mostrar com a tua própria dor o tamanho do mole que você deu. Como sou teu amigo, vou deixar meu “eu avisei”.

E o pior de tudo isso é que você a tinha nas mãos.

[ Gustavo Lacombe ]

Esse é apenas um dos mais de 50 textos inéditos presentes no meu próximo livro “O Amor é para os Raros”, a ser lançado em Março, mas com pré-venda marcada para 3/1.