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Transa Não Tem Manual

Algumas das minhas melhores começaram sem muito estardalhaço. Não acho que esse seja o padrão, mas na maioria das vezes é isso que acontece. Você não cria muitas expectativas, vai “pra ver qual é” e se surpreende. E é uma delícia quando se é surpreendido.
 
E isso prova, pelo para mim, que intimidade é bom e faz maravilhas por um casal, mas a porra da química é fundamental. De verdade, não acho que transar com uma pessoa diferente ajuda pelo fato de você “perder a vergonha” já que não vai ver de novo. Isso de ir onde nunca foi é para casos íntimos mesmo.
 
O ponto-chave pra mim é o fator inesperado mesmo. É o toque do outro que arrepia, o encaixe das pernas que parece perfeito, a boca que vem deslizando pela pele e só para quando se dá por satisfeita, o gemido que enlouquece e o fato de, inacreditavelmente, nada no outro incomodar.
 
Como assim incomodar? Fácil.
 
Tem gente que acha problema em qualquer coisa. Tem gente que vê pêlo em ovo e não consegue aproveitar a transa. Fala que o outro sua muito, reclama da unha grande, que não pode marcar, que se incomoda em toda posição que faz, que chega ao cúmulo de botar a culpa na camisinha, no perfume muito doce, no raio que o parta! Tem gente que estraga qualquer clima.
 
O que essas noites tiveram de tão diferente assim para eu considerar como as melhores? Entrega. Um prazer mútuo em querer se dar. Uma vontade de aproveitar o tempo sem a pretensão de ser o melhor, mas tornando-se pelo fato de saber que reparar bem no outro e ter atenção com o seu gozo é primordial.
 
Já vivi o contrário também, óbvio. Criar expectativa e se frustrar, quem nunca? Sabe quando você olha pra alguém e pensa “deve ser um fodão”. Na hora H não é nada daquilo. Acontece. E sei que já deve ter acontecido o mesmo com alguém que me quis e, na hora, descobriu que eu nem era isso tudo (apesar de eu achar que eu sou isso tudo, mas essa teoria de todo homem se achar bom é outro texto).
 
Mas vale ressaltar: todo homem se acha foda na cama.
 
Só que nunca existirá um “manual da boa foda”. Se a música diz que sexo é escolha, eu posso garantir a você que sexo bom pode até ser um exercício de conhecimento e intimidade, mas a grande maioria é encaixe, química e uma puta sorte de ver que as vontades coincidem e todo o resto casou certinho.
 
E, claramente, essa é a explicação para a famosa expressão “amor de pica” e “chá de buceta”. Quem sabe o que quer e ainda sabe bem o que fazer, quando encontra quem entende da parada e faz uma noite ser pouco pra dar conta de tudo que os corpos pedem, tem grandes chances de se enquadrar numa dessas definições.
 
Por isso, também, que tanta gente viaje para rever pessoas, tanta gente que leva uma noite no coração, na cabeça e na imaginação de poder ter novamente, tanta gente que conta nos dedos as pessoas que realmente fizeram o gozar ser bem mais que o ápice de um prazer, mas uma memória carregada para sempre.
 
Com algo que é quase impossível de explicar: química.
[ Gustavo Lacombe ]
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Sonhei Contigo [+18]

Eu acordei e fui acelerado mandar mensagem pra ela. “Sonhei contigo”. Ela só viu umas três horas depois, mas o papo mesmo acabou ficando pra noite. “Sonhou comigo?”, ela perguntou. Foi. Ela mandou um “kkk deve ter sido coisa ruim”. Que nada, respondi. Foi boa. Você sempre goza quando eu sonho com a gente. Ela só respondeu:

“Conta mais”

“Sonhei que a gente tava naquele quarto de motel que vimos pela internet. Lembra? Aquele que a gente prometeu ir quando eu estivesse aí da próxima vez? Então. Lá estávamos nós, olhando pro teto espelhado e você começava a brincar com as estações do rádio. Se ria e me perguntava quem é que ainda tinha coragem de trepar ouvindo música antiga.

Sei lá, respondi. A gente já tem a nossa playlist, né? Então tratei de colocar logo pra tocar as nossas músicas. O quarto tinha iluminação vermelha, verde, roxa, discoteca, luz negra. E a gente rindo, dizendo que queria foder com cada uma das combinações. Eram mais de 30 possíveis. Na nossa matemática, talvez aquelas 12 horas fossem pouco.

Não, eu não sonhei com as 12 horas, claro, mas deu tempo de apreciar a piscina, ir pra banheira, te ver tirando a roupa sem pressa e depois colocar de novo me provocando ‘vem tirar, né’. Com todo prazer. E te joguei na cama.

Confesso que até gosto desses motéis com muita coisa, mas uma boa cama já resolve a questão. Sempre te falei isso. Ah, e um bom chuveiro. E quando tirei sua calcinha te senti toda molhada. Lambi suas pernas, subi pela virilha e fiquei te chupando até a hora que você me olhou e praticamente implorou: mete.

Acho que nem a gente sabe ao certo quantas posições somos capazes de fazer. Acho que nenhum viagra é tão poderoso quanto ter o seu corpo nas minhas mãos, a sua respiração no meu ouvido e o meu pau entrando gostoso na sua boceta. Sabe aquele tesão do caralho que eu te conto que acordo? Nesse dia foi pior ainda.

Eu tive que bater uma de manhã em sua homenagem pra conseguir sair de casa.

No sonho? A gente foi trepando pelo quarto, fomos pra varanda. Eu sempre morri de vontade de foder em pé, com as mãos no parapeito da sacada e aquela vista sensacional emoldurando o resto. Eu acabei gozando a primeira e você riu quando eu te levei pro chuveiro e já cheguei metendo.

Você sabe que nunca demora. Você sabe que minha tara por você é tão absurda que dá vontade de registrar os nossos recordes de foda sem parar. Eu precisaria de um fim de semana inteiro naquele quarto pra gastar toda a energia.

E pra finalizar, a gente voltou pra cama. Você veio por cima, olhou fundo pra mim e disse ‘vou te usar, cavalgar até gozar’. E começou. E quando você tava louca, gemendo e gritando alto…

Eu acordei”

“Ué, mas você não disse que eu tinha gozado?”

“Tinha não. Gozou.”

“Mas se você acordou”

“Justamente”

“Não entendi”

“Eu tô indo”

“Indo pra onde criatura? Não acredito que o sonho acabou assim e eu nem gozei”

“Não gozou no sonho, mas vai gozar ao vivo”

“Quê?”

“Tô entrando no avião. Pede folga amanhã. Consegue?”

“QUÊ? OI? SÉRIO? Meu amor, pra você eu consigo qualquer coisa. Mas e esse sonho…”

“Justamente. Tô chegando pra gente acabar ele junto. Goza comigo?”

“E precisa pedir?”

[ Gustavo Lacombe ]

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